Artigo da seção pessoas J. C. Serroni

J. C. Serroni

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais  
Data de nascimento deJ. C. Serroni: 1950 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São José do Rio Preto)

Biografia
José Carlos Serroni (São José do Rio Preto SP 1950). Cenógrafo. Arquiteto teatral e cenógrafo de destacados méritos, internacionalmente reconhecido, ex-colaborador do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT) de Antunes Filho e criador do Espaço Cenográfico, escola livre de cenografia. É respeitado pesquisador e curador de exposições referentes à história da cenografia e arquitetura teatral no Brasil.

Originário do interior do Estado, transfere-se para São Paulo para cursar arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), em 1971. Aluno de Flávio Império, estreia profissionalmente com a cenografia realizada para o infantil Souzalândia, de Augusto Francisco, em 1972. Entra, em seguida, para o departamento de cenografia da TV Cultura, sob a supervisão de Armando Ferrara, onde desenvolve de modo efetivo um contato com a multiplicidade cenográfica. Sua tese de encerramento de curso versa sobre a construção de edifícios teatrais, marcando este vínculo entre a cena e suas soluções arquitetônicas.

Suas colaborações para produções são incontáveis, e ele próprio coloca em destaque Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, direção Roberto Lage, 1979; Morte Acidental de Um Anarquista, de Dario Fo, direção Antônio Abujamra, numa produção da Companhia Estável de Repertório - CER, de Antonio Fagundes, em 1982;  Um Orgasmo Adulto Escapa do Zoológico, de Dario Fo, direção Antonio Abujamra, 1983; Hamlet, de William Shakespeare, direção de Marcio Aurelio, 1984;  Madame Blavatski, de Plínio Marcos, direção Jorge Takla, 1985; Katastrophé, de Samuel Becket, direção Rubens Rusche, 1986; A Gaivota, de Anton Tchekhov, direção Francisco Medeiros, 1994; Dias Felizes, de Samuel Becket, direção Jacqueline Laurence, 1995.

Em 1984 é contratado pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas (Inacen), para gerenciar a área de Edifícios Teatrais, coordenando a reforma ou construção de diversas casas de espetáculo em todo o país. Na mesma ocasião, convidado por Antunes Filho, passa a dirigir o Núcleo de Pesquisa e Cenografia do CPT, Sesc de São Paulo, responsabilizando-se pelas cenografias e figurinos das montagens, um dos períodos mais profícuos de sua criação. Seguem-se cenografias grandiosas, com amplo aproveitamento do espaço, realizações em sua maioria premiadas, que projetam-no para o primeiro time de cenógrafos brasileiros: Nelson 2 Rodrigues, na montagem realizada em Nova York, e Paraíso Zona Norte, ambas de Nelson Rodrigues, 1989; Nova Velha História, adaptação do conto de Chapeuzinho Vermelho, 1991; Trono de Sangue, de William Shakespeare, 1992; Vereda da Salvação, de Jorge Andrade, 1993; Drácula e Outros Vampiros, autoria do diretor, 1996; todas encenações de Antunes Filho.

Para o Grupo TAPA cria a visualidade de As Raposas do Café, ganhando Prêmio Moliére, em 1990. Em 1994, recebe Prêmio Mambembe de melhor cenografia por Chimbirins e Chimbirons, e Prêmio Apetesp por Maria Borralheira, ambas texto e direção de Vladimir Capella, outro parceiro constante de trabalho.

Esse trabalho leva-o à Quadrienal de Praga, na Tchecoslováquia (atual República Tcheca), em 1987, onde obtém destaque e reconhecimento internacional. Participa, igualmente, da 20ª Bienal Internacional de São Paulo, montando uma sala muito elogiada. Novamente em Praga, em 1991, ocupa duas salas, ao lado da carnavalesca Rosa Magalhães, difundindo as cores, formas e inventividade das culturas populares brasileiras. Nas exposições seguintes em Praga obtém novos trunfos: a Triga de Ouro, em 1995, e medalha de ouro de Arquitetura Teatral, em 1999.

Cria em 1999 o Espaço Cenográfico, um ateliê de amplas dimensões e dotado de todos os recursos técnicos. Um espaço de pesquisa e formação de novos cenógrafos, onde mantêm cursos e edita o boletim mensal Jornal do Espaço Cenográfico.

Em 2002, publica ampla pesquisa, Teatros - Uma Memória do Espaço Cênico no Brasil, uma radiografia dos principais palcos do país. O livro traz informações sobre 892 casas de espetáculos, contemplando os 26 Estados e o Distrito Federal do país.

Ao comentar sua produção, a crítica Mariangela Alves de Lima anota: "A biografia artística de J. C. Serroni, de uma certa forma, torna-o um exemplo dos impulsos que, nestas últimas duas décadas, têm feito avançar a cena brasileira. [...] Seus trabalhos são centrados na prevalência do sentido sobre a forma, da profundidade dramática sobre a superfície sensorial. Salvou-se da defasagem técnica através de uma formação de arquiteto e da experiência como cenógrafo de televisão, setores onde a transmissão do conhecimento permanece contínua. [...] Pode assim usufruir a liberdade que a cenografia conquistou no momento em que se dissolve a hierarquia dos elementos de composição do espetáculo. Mas pode também superar os entraves técnicos que os cenógrafos improvisados contornavam por não saber como resolvê-los".1

Notas
1. LIMA, Mariangela Alves de. "Comentários sobre a cenografia de Serroni", artigo para o catálogo Brazil at the Prague Quadrienal of Theatre Design - 1991, editado pela Fundação Bienal de São Paulo.

Outras informações de J. C. Serroni:

  • Outros nomes
    • José Carlos Serroni
  • Habilidades
    • Iluminador
    • Dança
    • cenógrafo
    • arquiteto
    • figurinista

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Fontes de pesquisa (25)

  • 'Chapetuba Futebol Clube' fica em cartaz até 13 de fevereiro, no Teatro de Arena da Funarte, em São Paulo. Disponível em: [http://www.cultura.gov.br/site/2009/01/12/temporada-2009/]. Acesso em: 16/05/2011. Não catalogado
  • A Lira dos Vinte Anos no Galpão, Mostra a Geração de 68. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • GALVÃO, João Cândido. Cenografia brasileira nos anos 80. Revista USP, n. 14, p. 58-61, jul./ago. 1992.
  • LIMA, Mariangela Alves de. "Comentários sobre a cenografia de Serroni", artigo para o catálogo Brazil at the Prague Quadrienal of Theatre Design - 1991, editado pela Fundação Bienal de São Paulo.
  • Pô Romeu. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo Leonce e Lena 2007. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Começa a Terminar - 2008. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - A Inveja - Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Alô, Alô, Terezinha - 2004. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Antígona - 2005. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Arsênico e Alfazema - 2004 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Barca dos Mortos - 1999. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Dias Felizes - 1995. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Divã - 2005. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Gilgamesh - 1995 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Lembranças da China - 1986 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - No Alvo - 1996 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Nostradamus - 1986 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Canto de Gregório - 2004 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Escrivão - 2006. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Evangelho Segundo Jesus Cristo - 2001 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Homem das Galochas 1997 Não catalogado
  • SERRONI, J. C. O artesão dos palcos. Jornal da Tarde, São Paulo, s.d. Entrevista.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • J. C. Serroni. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa18029/j-c-serroni>. Acesso em: 26 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7