Artigo da seção pessoas Adriana Varejão

Adriana Varejão

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAdriana Varejão: 11-1964 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

O Convidado , 2005 , Adriana Varejão
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Adriana Varejão (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1964). Artista visual. Passa parte da infância em Brasília. Ingressa no curso de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) em 1981, mas o abandona no ano seguinte. A partir de 1983, estuda nos cursos livres da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, e aluga ateliê no bairro do Horto com outros estudantes. Viaja para Nova York, em 1985, e tem contato com a pintura do alemão Anselm Kiefer (1945) e do americano Philip Guston (1913-1980). Em 1986, recebe  o Prêmio Aquisição do 9º Salão Nacional de Artes Plásticas, promovido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte/RJ).

Ao visitar a cidade mineira de Ouro Preto, entra em contato com a arte barroca, que se torna referência para seu trabalho. Em Escrito sobre un Cuerpo, do escritor cubano Severo Sarduy (1937-1993), conhece os ensaios sobre esse movimento artístico. Neste período, aspectos do barroco cubano e da filosofia chinesa passam a influenciar sua pintura. Participa da mostra Brasil Já no Museu Morsbroich, Leverkusen, Alemanha, em 1988. No mesmo ano, realiza sua primeira exposição individual na Galeria Thomas Cohn, Rio de Janeiro, e integra a coletiva U-ABC, no Stedelijk Museum, em Amsterdam, Holanda. Em 1992, passa três meses na China. As experiências da viagem integram a exposição Terra Incógnita na Galeria Luisa Strina, São Paulo. Produz a exposição Proposta para uma Catequese (1993) depois de ler as obras do historiador Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), do ensaísta Gilberto Freyre (1900-1987) e do crítico literário Alfredo Bosi (1936).

Em 1993, participa da residência artística promovida pelo Instituto Goethe em Maceió. Em seguida, viaja pelo nordeste brasileiro pesquisando sobre arte sacra e artesanato popular, especialmente ex-votos e azulejaria. Integra a mostra Mapping no Museu de Arte moderna (MoMA), em Nova York e, também, a 22ª, 24ª e 30ª edições da Bienal Internacional de São Paulo.

O arquiteto paulista Rodrigo Cerviño Lopez (1972) realiza um projeto para abrigar algumas de suas obras no Centro Inhotim de Arte Contemporânea, em Inhotim, Minas Gerais, em 2008. Possui obras em coleções internacionais de museus, como o Tate Modern, Londres, o Guggenheim, Nova York, e o Tokyo’s Hara Museum.

Análise

A obra de Adriana Varejão toma impulso com a pintura figurativa e gestual dos anos 1980, na qual lhe interessa a permanência das marcas do processo. A pintura constitui o campo maior de sua produção, incorporando elementos de outras linguagens, como a escultura.

Ao conhecer a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, o repertório barroco passa a marcar suas criações. A narrativa, a mescla de linguagens bi e tridimensionais e a exuberância material das obras dialogam com a visualidade barroca, em busca de uma experiência estética totalizante. Em pinturas como Altar I (1987), as pinceladas espessas remetem aos ornamentos das igrejas. Em Abóbada (1987), tais alusões e a materialidade vigorosa confrontam figuração e abstração. A intensidade barroca é expressa pela lógica compositiva de preenchimento total do espaço e pela cenografia das telas.

Em suas obras, os materiais estão ligados simbolicamente à história cultural brasileira. Na década de 1990, o desenho toma maior importância, dialogando com a iconografia colonial e, por vezes, estabelecendo uma relação narrativa. Em Proposta para uma Catequese – Parte I Díptico: Morte e Esquartejamento (1993), cenas de antropofagia retiradas de gravuras do século XVI incorporam a visualidade da azulejaria portuguesa. No lugar das cenas cristãs, os índios ensinam a antropofagia, invertendo as posições da colonização. Com uma imagem de Cristo e uma inscrição do Evangelho1, Varejão aproxima simbologias distintas, como a antropofagia e a transubstanciação. A superfície azulejada, simulada por meio da pintura a óleo sobre tela, revela um interior visceral em pequenas incisões. No início da década de 1990, fissuras invadem os trabalhos em imagens apropriadas do holandês Franz Post (1612-1680), do francês Nicolas Taunay (1755-1803) e de temas tradicionais da azulejaria. Pedaços das imagens são extraídos e expostos sobre pratos fixados à parede ao redor das telas cortadas. O uso de camadas espessas de tinta a óleo conserva um interior úmido e a artista explora essa condição de forma semântica: opõe a camada superficial da pintura, a pele, a seu interior, a carne. Este procedimento é enfatizado em pinturas e esculturas que mimetizam partes do corpo. Em seus intercâmbios simbólicos, a carne, além da antropofagia, remete aos estigmas católicos, como as chagas dos mártires.

Varejão apropria-se de imagens como signos de acesso, fornecendo-lhes um significado amplo. Paisagens (1995) apresenta-se como ligação entre universos visuais: uma imagem com rasgos que revelam outras paisagens como citações sobrepostas. Já a instalação Azulejões (2000), composta por pinturas de fragmentos de ornamentos, produz um aspecto vertiginoso pelo excesso de curvas em diferentes direções, que se agigantam no espaço sem chegar a uma completude.

Da série Saunas e Banhos (2001-2009) também emergem transposições culturais. Constrói, com a geometria do azulejo, espaços labirínticos que dialogam com a cultura muçulmana e com a influência portuguesa na arquitetura de Macau e dos botequins e mercados de carne do Rio de Janeiro.

Para a série Polvo (2013-2014), Varejão produz uma caixa de tintas, em parceria com a fábrica Águia, com 33 cores mencionadas como tons de pele em pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As pinturas produzidas com as tintas estudam combinações cromáticas sobre o retrato da artista que revelam novas analogias entre tinta, pele e mestiçagem.

A obra de Adriana Varejão expõe a violência nos processos de assimilação cultural. Questiona ainda a superfície pictórica, o papel simbólico da imagem e a maleabilidade de seus signos. Tal como as incisões em sua pintura, a iconografia colonial surge como irrupção anacrônica. Mas a escolha dos signos é sempre permeada pelas relações que estabelecem com a contemporaneidade.

Notas

1 “Qui manducat meam carnem, et bibit meum sanguinem, in me manet, et ego in illo”, do latim: quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Outras informações de Adriana Varejão:

  • Outros nomes
    • Adriana Varejão
  • Habilidades
    • Artista visual

Obras de Adriana Varejão: (31) obras disponíveis:

Todas as obras de Adriana Varejão:

Espetáculos (1)

Artigo sobre Erwartung

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Teatro  
Data de inícioErwartung: 18-10-2009  |  Data de término | 24-10-2009
Resumo do artigo Erwartung:

Fundação Clóvis Salgado. Palácio das Artes. Grande Teatro

Exposições (287)

Artigo sobre Novos Novos

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioNovos Novos: 26-01-1987  |  Data de término | 08-03-1987
Resumo do artigo Novos Novos:

Galeria de Arte Centro Cultural Rio

Artigo sobre Brasil Já

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioBrasil Já : 03-09-1988  |  Data de término | 30-10-1988
Resumo do artigo Brasil Já :

Morsbroich Museum (Leverkusen, Alemanha)

Artigo sobre Brasil Já

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioBrasil Já: 28-11-1988  |  Data de término | 06-01-1989
Resumo do artigo Brasil Já:

Galerie Landesgirokasse (Stuttgart, Alemanha)

Artigo sobre Rio Hoje

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioRio Hoje: 25-10-1989  |  Data de término | 26-11-1989
Resumo do artigo Rio Hoje:

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Artigo sobre 23º Art Cologne

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de início23º Art Cologne : 16-11-1989  |  Data de término | 22-11-1989
Resumo do artigo 23º Art Cologne :

Messehalle Koeln (Colônia, Alemanha)

Artigo sobre Stand E 204

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioStand E 204: 30-11-1989  |  Data de término | 20-12-1989
Resumo do artigo Stand E 204:

Thomas Cohn Arte Contemporânea

Artigo sobre Viva Brasil Viva

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioViva Brasil Viva : 04-1991  |  Data de término | 06-1991
Resumo do artigo Viva Brasil Viva :

Konstavdelningen och Liljevalchs Konsthall (Estocolmo, Suécia)

Todas as exposições

Eventos relacionados (4)

Artigo sobre Arco 2002

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArco 2002: 14-02-2002  |  Data de término | 19-02-2002
Resumo do artigo Arco 2002:

Parque Ferial Juan Carlos I

Artigo sobre sp-arte 2010

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Artigo sobre sp-arte 2011

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2011: 12-05-2011  |  Data de término | 15-05-2011
Resumo do artigo sp-arte 2011:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (21)

  • VAREJÃO, Adriana. Adriana Varejão: entre carnes e mares. organização Isabel Diegues; fotografia Jaime Acioli et al. Rio de Janeiro, RJ: Cobogó, 2009.

  • ADRIANA Varejão. Site oficial da artista. Disponível em: < http://www.adrianavarejao.net/br/home >. 
  • AFRICUS JOHANNESBURG BIENNALE (1. : 1995 : Johannesburg). Africus Johannesburg Biennale: catálogo. Johannesburg: Transitional Metropolitan Council, 1995. 303 p., il. color.
  • ART Cologne. Rio de Janeiro: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1989. , il. color., fotos.
  • BRASIL já: Beispiele zeitgenossischer brasilianischer Malerei. Leverkusen: Museum Morsbroich, 1988. 159p. il. p.b. color.
  • GALERIA de Arte Centro Empresarial Rio 1987. Curadoria Ascânio MMM, Márcio Doctors, Ronaldo do Rego Macedo; texto Ricardo Basbaum, Carlos S. Duarte, Márcio Doctors, Suzi Coralli, Paul Gauguin, Gonçalo Ivo, José Lino Grunewald, José Geraldo Vieira, Mário Pedrosa, Antonio Bento, Frederico Morais, Roberto Pontual, Wilson Coutinho, Marcus de Lontra Costa. Rio de Janeiro: Galeria de Arte Centro Empresarial Rio, 1987. [222] p., il. p.&b.
  • HERKENHOFF, Paulo. Adriana Varejão, da China brasileira à unificação com o mundo. Galeria Revista de Arte, São Paulo, n.31, pp.24-31,1992.
  • HIRSZMAN, Maria. Uma identidade em fragmentos. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 17 set. 1998. D8.
  • LAGNADO, Lisette. Adriana Varejão: pintura como fim. Galeria Revista de Arte, São Paulo, n. 11, p. 74-77, 1988.
  • MOLINA, Camila. Adriana Varejão e sua ficção visual. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 2010. D9.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte contemporânea. Curadoria geral Nelson Aguilar; curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso; tradução Arnaldo Marques, Ivone Castilho Benedetti, Izabel Murat Burbridge, Katica Szabó, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • NERI, Louise. Admirável mundo novo: os territórios barrocos de Adriana Varejão, 2001. In: Adriana Varejão. Takano Editora Gráfica, São Paulo, 2001. Disponível em: < http://www.adrianavarejao.net/pt-br/textos-e-publicacoes/textos-selecionados >. Acesso em: 03 out. 2014.
  • O ESPÍRITO da nossa época: coleção Dulce e João Carlos de Figueiredo Ferraz. Curadoria Stella Teixeira de Barros, Ricardo Resende; versão em inglês Thomas William Nerney, Izabel Murat Burbridge. São Paulo: MAM, 2001.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS, 9. , Belo Horizonte, 1986. 9º Salão Nacional de Artes Plásticas - Sudeste. Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes, 1986.
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz. “Como ficar míope e ser canibalizada por artistas”. In: BOLETIM 8. São Paulo: Grupo de estudos Arte & Fotografia, 2015. [no prelo]
  • SCHWARCZ, Lilia Moritz; VAREJÃO, Adriana. Pérola imperfeita: a história e as histórias na obra de Adriana Varejão. Edição Isabel Diegues. Rio de Janeiro: Cobogó, 2014.
  • VAREJÃO, Adriana. Azulejões e charques. Texto Paulo Herkenhoff. Brasília: Centro Cultural Banco do Brasil, 2001. [6] p., il. p&b color.
  • VAREJÃO, Adriana. Azulejões. Texto Adriano Pedrosa; tradução Carolyn Brisset. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, 2001. [42] p., il. color.
  • VAREJÃO, Adriana. Imagens de troca. Texto Isabel Carlos, Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva, Brad Cherry. Lisboa: IAC, 1998. s.p. il. color.
  • VAREJÃO, Adriana. Pintura/Sutura. Texto Paulo Herkenhoff; tradução Esther Stearns d'Utra e Silva; São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1996. 48p. il., color.
  • WEISS, Ana. Adriana Varejão provoca vertigem em nova mostra. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 5 out 2000. D13.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ADRIANA Varejão. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa17507/adriana-varejao>. Acesso em: 16 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7