Artigo da seção pessoas José Carlos Burle

José Carlos Burle

Artigo da seção pessoas
Cinema / música  
Data de nascimento deJosé Carlos Burle: 19-07-1907 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife) | Data de morte 23-10-1983 Local de morte: (Brasil / São Paulo / Atibaia)

Biografia
José Carlos Queiroz Burle (Recife, Pernambuco, 1910 - Atibaia, São Paulo, 1983). Diretor, produtor, roteirista e compositor. Filho de uma tradicional família pernambucana de usineiros, ingressa em 1928 na Faculdade de Medicina de Recife para logo em seguida, em 1930, durante as agitações getulistas,1 transferir-se para a Faculdade da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, onde se forma em 1934. Os anos de faculdade na capital são regados a noites de boemia nos cabarés da Lapa. Burle entra em contato com importantes sambistas do período e consolida certa veia artística, já prenunciada na juventude em seus tempos de Rádio Clube do Recife. Assim, depois de um breve retorno à casa dos pais, se estabelece definitivamente no Rio de Janeiro em 1936, não tanto pelo interesse na carreira médica, que nunca exerceu, mas pela oportunidade de escrever crônicas para o Jornal do Brasil, especialmente sobre a música e o universo do rádio.

Cada vez mais conhecido dos artistas cariocas, Burle é convidado, no mesmo ano, para uma audição de suas composições na prestigiosa Sociedade de Cultura Musical. A repercussão é excelente. Por conta dela, recebe um convite para ser o diretor musical do filme Maria Bonita (1937). Embora a produção seja um fracasso em todos os sentidos, sua atuação no longa vai além da direção musical, acumulando as funções de assistente de direção e até mesmo de ator. É também nas filmagens de Maria Bonita que Burle conhece o engenheiro de som Moacyr Fenelon (1903-1953), criando o que viria a ser uma das principais parcerias do cinema brasileiro. Burle e Fenelon fundam uma produtora. No dia 20 de setembro de 1941, o Diário Oficial da União anuncia o estatuto da Atlântida Empresa Cinematográfica do Brasil. No ano seguinte, é iniciada a produção de Moleque Tião (1943), primeiro filme de ficção da companhia, dirigido por Burle.

Burle está à frente de alguns dos títulos mais importantes da Atlântida, tais como Tristezas Não Pagam Dívidas (1944); Luz dos Meus Olhos (1947); Também Somos Irmãos (1950) e Carnaval Atlântida (1953). Após afastar-se da companhia, produz e dirige de forma independente, primeiro na Multifilmes, em São Paulo, depois se associando a outros produtores independentes e antigos parceiros, como Anselmo Duarte (1920-2009), em Depois Eu Conto (1956); e Silveira Sampaio (1914-1964), em Quem Roubou Meu Samba (1959). Em 1964, dirige seu último filme, Terra Sem Deus. Afasta-se do cinema indo viver em Atibaia, São Paulo.

Comentário crítico
Na madrugada do dia 2 de novembro de 1952 um incêndio destrói a sede da Atlântida Cinematográfica, consumindo boa parte dos negativos e das cópias dos filmes produzidos nos primeiros dez anos da companhia. Muitos títulos se perdem, dentre eles vários filmes importantes de Burle.

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Outras informações de José Carlos Burle:

  • Outros nomes
    • Jose Carlos Queiroz Burle
    • José Carlos Queirós Burle
  • Habilidades
    • diretor
    • produtor
    • compositor
    • roteirista

Obras de José Carlos Burle: (1) obras disponíveis:

Exposições (2)

Fontes de pesquisa (12)

  • ROCHA, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. São Paulo, Cosac & Naify, 2003.
  • AUGUSTO, Sérgio. Este Mundo é Um Pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.
  • BARRO, Máximo. José Carlos Burle: drama na chanchada. São Paulo, Imprensa Oficial, 2007.
  • BARRO, Máximo. Moacyr Fenelon e a Criação da Atlântida. São Paulo, SESC, 2001.
  • BASTOS, Mônica Rugai. Tristezas Não Pagam Dívidas: cinema e política nos anos da Atlântida. São Paulo, Olho d’Água, 2001.
  • CATANI, Afrânio M. & Souza, José I de Melo. A Chanchada no Cinema Brasileiro. São Paulo, Brasiliense, 1983.
  • DEMASI, Domingos. Chanchadas e Dramalhões. Rio de Janeiro, Funarte, 2001.
  • DIAS, Rosângela de Oliveira. Chanchada – cinema e imaginário das classes populares na década de 50. Relume-Dumará, 1993
  • FERREIRA, Suzana Cristina de Souza. Cinema Carioca nos Anos 30 e 40: os filmes musicais na tela da cidade. São Paulo, Annablume, 2003.
  • MANIFESTO DA ATLÂNTIDA. In: Estatutos da Atlântida. Rio de Janeiro, Tipografia Mercantil, 1942. Uma versão on-line está disponibilizada no catálogo virtual da exposição abaixo citada. Segue o link: http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/atlantida/
  • RAMOS, Fernão (org.); MIRANDA, Luiz Felipe (org.). Enciclopédia do cinema brasileiro. São Paulo: Senac, 2000. p.74 R791.430981 E56
  • VIANY, Alex. Introdução ao Cinema Brasileiro. Rio de Janeiro, Alhambra, 1987.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOSÉ Carlos Burle. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa16931/jose-carlos-burle>. Acesso em: 20 de Nov. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7