Artigo da seção pessoas Luiz Braga

Luiz Braga

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLuiz Braga: 11-11-1956 Local de nascimento: (Brasil / Pará / Belém)
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Porto Pureza, Belém PA , 1988 , Luiz Braga

Biografia

Luiz Otávio Salameh Braga (Belém, Pará, 1956). Fotógrafo. Autodidata, começa a fotografar aos 11 anos. Em 1975 inicia a trajetória profissional nas áreas de retrato, publicidade e arquitetura e ingressa na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde se forma em 1983. Colabora com o jornal O Estado do Pará, em 1978, e cria o tablóide Zeppelin, no qual exerce as funções de editor e fotógrafo até 1980. Em 1979 realiza sua primeira mostra individual, I Portifólio, com retratos, cenas de rua e de trabalhadores ribeirinhos em preto-e-branco. Integra o projeto Visualidade Popular na Amazônia, promovido pela Fundação Nacional de Arte (Funarte), em 1982. Com base nessa experiência, seus ensaios tornam-se predominantemente coloridos e passam a enfocar a cultura visual, a população e a paisagem amazônica. Na década de 1980 estabelece contato com curadores como Rosely Nakagawa (1954) e Paulo Herkenhoff (1949), e intensifica sua participação em exposições nacionais e internacionais. Com a série A Margem do Olhar ganha o Prêmio Marc Ferrez, do Instituto Nacional de Fotografia da Funarte, em 1988. Nessa época começa a fotografar misturando luzes naturais e artificiais, o que confere um caráter não naturalista às imagens. Recebe o Leopold Godowsky Color Phothography Award - Prêmio Fotografia Colorida Leopold Godowsky, da Universidade de Boston, Estados Unidos, em 1991, e Bolsa Vitae de Fotografia, em 1996. Paralelamente à realização de ensaios autorais, atua como fotógrafo independente, em Belém.

Análise

Quando Luiz Braga começa a expor seus trabalhos, no fim da década de 1970, suas principais referências são nomes históricos ligados ao fotojornalismo nacional e internacional como Henry Cartier-Bresson (1908-2004), Jean Manzon (1915-1990) e José Medeiros (1921-1990), além de profissionais que atuam na revista Realidade como Maureen Bisilliat (1931), Walter Firmo (1937) e David Drew Zingg (1923-2000). Nesse período, o artista produz imagens em preto-e-branco de caráter documental, buscando, sobretudo, captar flagrantes do cotidiano.

Depois, mesmo enfatizando alguns aspectos formais, Braga continua interessado em produzir imagens com base na realidade que circunda a cidade de Belém, onde vive, a estética presente na cultura material, a paisagem e a população da Amazônia. Enfocando espaços urbanos e não a floresta, os resultados se afastam de estereótipos e revelam um olhar formado não apenas no fotojornalismo, mas também na história da arte (incluindo a história da fotografia) e na cultura visual popular amazônica.

A relação de suas fotos com a pintura não se dá por manipulações - como acontece no trabalho de alguns fotógrafos contemporâneos que retomam aspectos do pictorialismo do fim do século XIX - e sim por meio de cores e enquadramentos captados de maneira direta e que remetem a obras de diferentes artistas e movimentos.

Nos anos 1980, a cor passa a ser o principal elemento constitutivo de sua poética. As primeiras experiências nesse sentido são composições geométricas feitas com base em detalhes de artefatos e objetos industriais: barco, carro, banco, cortina e suvenir, oferecidos nas feiras. Essas imagens são banhadas por uma luz chapada que ressalta a planaridade do suporte e evidencia a cor como uma qualidade dos materiais registrados. Como ressalta o crítico Tadeu Chiarelli, essas fotografias que parecem abstrações, nas quais é possível adivinhar o referente, remetem a trabalhos de fotógrafos modernos ligados ao conceito de straight photography, como Paul Strand (1890-1976). E reportam à tradição construtiva presente na arte brasileira a partir dos anos 1950, e às pinturas do artista paraense Emmanuel Nassar (1949), realizadas nos anos 1980.1

Depois, Braga passa a registrar a população ribeirinha ambientada em casas, bares, barcos e espaços públicos. E raramente mostra cenas de ação, ao contrário, a atitude das pessoas é de contemplação e espera, ou de serenidade ao saber que estão sendo observadas. Em preto-e-branco ou em cores, os retratos são feitos com o consentimento dos modelos e denotam a idéia de cumplicidade. Talvez por isso representem um tempo calmo e silencioso.

A postura e a proporção das figuras em relação aos ambientes conferem a algumas delas sobriedade e melancolia que lembram as pinturas de Edward Hopper (1882-1967). Em comum com a obra do artista norte-americano, as fotos apresentam também portas e janelas, que fragmentam o espaço e inserem a paisagem natural ou urbana nas cenas de interiores. Além disso, as janelas abertas possibilitam o acesso a múltiplos ambientes, enquadramentos e camadas tanto da realidade quanto da imagem.

No fim da década de 1980, Braga começa a trabalhar misturando a luminosidade natural com fontes de luz artificial. Quase sempre fotografando no horário do lusco-fusco e utilizando um tipo de filme apropriado para a luz do dia, as imagens ganham uma cor saturada e não naturalista.

Apesar de partir da paisagem urbana e humana da Amazônia, nesses trabalhos não é o referente que chama a atenção, tampouco a cor pertence a eles. Por vezes, o interesse de Braga está voltado para a própria luz colorida, que por incidir sobre objetos, ambientes e pessoas acaba, como se fosse por contingência, revelando-os. Mesmo aludindo a cenas oníricas, essas fotos atualizam a idéia comum à tradição modernista de que a fotografia deve se tornar arte por seus próprios meios e materiais.

Os enquadramentos lembram também o cinema. No entanto, o registro borrado de pessoas caminhando ou de galhos balançando ao vento dá às coisas uma consistência fantasmagórica que, assim como as tonalidades densas, potencializa a ambigüidade entre realidade e ficção que pode habitar o signo fotográfico.

Nota

1. CHIARELLI, Tadeu. Luiz Braga e a fotografia opaca. In: BRAGA, Luiz. Retratos amazônicos. São Paulo: MAM, 2005.

Outras informações de Luiz Braga:

  • Outros nomes
    • Luiz Otávio Salameh Braga
    • Luiz Otavio Salameh Braga
  • Habilidades
    • fotógrafo
    • Arquiteto

Obras de Luiz Braga: (21) obras disponíveis:

Todas as obras de Luiz Braga:

Midias (1)

Luiz Braga - Enciclopédia Itaú Cultural
Luiz Braga começa a fazer fotos aos 11 anos, quando ganha sua primeira câmera. O principal objeto de seu trabalho é a cidade onde nasceu, Belém, e o vizinho estado do Amazonas. “Na época, não existia essa febre de ecologia com relação à Amazônia e eu intuí que a região era riquíssima, não só do ponto de vista de minerais ou de extração de madeira, mas por seu caráter cultural”, explica o artista. Num primeiro momento, Braga se empenha em registrar a fauna, a flora, os índios, mas logo encontra seu caminho, que é a escolha da cor e o envolvimento com a geografia interior. Suas fotografias são esquematizadas como um desenho, graças à influência da inacabada faculdade de arquitetura e ao interesse pela arte. “Digo que pinto com a luz”, define. “Meu diálogo é muito mais intenso e forte com a pintura do que com a fotografia.”

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (150)

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Fontes de pesquisa (18)

  • BRIL, Stefania. O mundo colorido, real e misterioso de Luiz Braga. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 28 set. 1984. p. 19. Não Cadastrado
  • BRAGA, Luiz. À margem do olhar: fotografias de Luiz Braga. São Paulo: Galeria Fotóptica, 1987. folha dobrada, il.
  • BRAGA, Luiz. Anos - luz: fotografias. São Paulo: MASP, 1992. , il. color.
  • BRAGA, Luiz. Retratos amazônicos. Curadoria e texto Tadeu Chiarelli; versão em inglês Graham Howells, Izabel Murat Burbridge; texto Stefania Bril, Arlindo Machado, Paulo Herkenhoff, Milton Hatoum. São Paulo: MAM, 2005. [136] p., il. p&b color.
  • BRAGA, Luiz. À margem do olhar: fotografias de Luiz Braga. Apresentação Paulo Herkenhoff. São Paulo: Galeria Fotóptica, 1987. folha dobrada, il. BL813 1987
  • BRAGA, Luiz. Brinquedos de Miriti. Texto Cleber Papa. São Paulo: São Paulo ImagemData, 1998. 16 p., il. color. (Brasil das artes). BL813b 1998
  • BRAGA, Luiz. Cerâmica de Apiaí. São Paulo: São Paulo ImagemData, 1998. 15 p., il. color. (Brasil das artes). BL813c 1998
  • BRAGA, Luiz. Retratos amazônicos. Curadoria Tadeu Chiarelli; coordenação editorial Rejane Cintrão, Margarida Sant'Anna; versão em inglês Graham Howells, Izabel Murat Burbridge; fotografia Luigi Stavale, Tainá Godinho; apresentação Milú Villela; texto Tadeu Chiarelli, Stefania Bril, Arlindo Machado, Paulo Herkenhoff, Milton Hatoum. São Paulo: MAM, 2005. [136] p., il. p&b color. CAT-G BL813r 2005
  • CARBONCINI, Anna (Coord.). Coleção Pirelli/MASP de Fotografias: v. 12. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: MASP, 2003. SPmasp cpirelli 2003
  • CARBONCINI, Anna (Coord.). Coleção Pirelli/MASP de Fotografias: v. 12. Versão em inglês Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: MASP, 2003.
  • FERNANDES JÚNIOR, Rubens. Labirinto e identidades: panorama da fotografia no Brasil [1946-1998]. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 232 p., 124 il.
  • FERNANDES JÚNIOR, Rubens. Labirinto e identidades: panorama da fotografia no Brasil [1946-1998]. Projeto gráfico Raul Loureiro. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 232 p., 124 il. ISBN 85-7503-205-4. 770.92 F363L
  • FERNANDES JUNIOR, Rubens. Luiz Braga. IrisFoto, São Paulo, n. 453, p. 34-39, abr. /maio 1992. Não Cadastrado
  • FOTO-GRAFISMO. Texto Décio Pignatari, Stefania Bril. Rio de Janeiro: Funarte, 1985. s.p. il., color. RJfunarte 1985/f
  • I Fotonorte. Apresentação Walter Firmo; texto Rohan Lima. Rio de Janeiro: Funarte, 1987. 52 p., il. color. RJfunarte 1987
  • LOBACHEFF, Georgia e BOFFA, Marcelo (Coord.). Fotógrafos e fotoartistas na Coleção do Museu de Arte Moderna de São Paulo: fotografia contemporânea brasileira. Curadoria Georgia Lobacheff. São Paulo: Espaço Porto Seguro de Fotografia, 1999.
  • LUIZ BRAGA. Site do Artista. Belém, 2006. Disponível em: [http://www.luizbraga.fot.br]. Acesso em: jul. 2006.
  • PERSICHETTI, Simonetta. Imagens da fotografia brasileira. São Paulo: Estação Liberdade : Senac, 2000. 190 p., il. color. Não Cadastrado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUIZ Braga. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa16738/luiz-braga>. Acesso em: 18 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7