Artigo da seção pessoas Lina Bo Bardi

Lina Bo Bardi

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais  
Data de nascimento deLina Bo Bardi: 05-12-1914 Local de nascimento: (Itália / Lazio / Roma) | Data de morte 20-03-1992 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
Imagem representativa do artigo

Lina Bo Bardi no Sesc Pompéia, São Paulo SP , 1982 , Olney Kruse

Biografia
Achillina Bo Bardi (Roma, Itália 1914 - São Paulo SP 1992). Arquiteta, designer, cenógrafa, editora, ilustradora. Após estudar desenho no Liceu Artístico, forma-se, em 1940, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Roma. A faculdade, dirigida pelo arquiteto tradicionalista Marcello Piacentini (1881-1960), privilegia uma tendência histórico-classicizante, que Lina chama de "nostalgia estilístico-áulica". Em desacordo com essa orientação valorizada pelo fascismo, predominante em Roma, ela se transfere para Milão, onde trabalha com o arquiteto Gió Ponti (1891-1979), líder do movimento pela valorização do artesanato italiano e diretor das Trienais de Milão e da revista Domus. Em pouco tempo ela própria passa a dirigir a revista e a atuar politicamente integrando a resistência à ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e colaborando com o Partido Comunista Italiano (PCI), então clandestino.1 Ainda em Milão, funda, ao lado do crítico Bruno Zevi (1918-2000), a revista A-Cultura della Vita.

Em 1946, após o fim da guerra, casa-se com o crítico e historiador da arte Pietro Maria Bardi (1900-1999), com quem viaja para o Brasil - país no qual o casal decide se fixar, e que Lina chama de "minha pátria de escolha".2 No ano seguinte, Pietro Maria Bardi é convidado pelo jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968) a fundar e dirigir o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), em São Paulo. Lina projeta as instalações do museu, em que se destaca a cadeira dobrável de madeira e couro para o auditório, considerada "a primeira cadeira moderna do Brasil". Em 1948, funda com o arquiteto italiano Giancarlo Palanti (1906-1977) o Studio d'Arte Palma, voltado à produção manufatureira de móveis de madeira compensada e materiais "brasileiros populares", como a chita e o couro. Sua inserção mais efetiva no meio arquitetônico nacional se dá, inicialmente, pela atuação editorial, quando cria, em 1950, a revista Habitat, que dura até 1954. Projeta em 1951 sua própria residência, no bairro do Morumbi, em São Paulo, apelidada de "casa de vidro", e considerada uma obra paradigmática do racionalismo artístico no país. Esse papel de destaque se completa em 1957, quando inicia o projeto para a nova sede do Masp, na avenida Paulista (completado apenas em 1968), que mantém a praça-belvedere aberta no piso térreo, suspendendo o edifício com um arrojado vão de 70 metros.

Em 1958, transfere-se para Salvador, convidada pelo governador Juracy Magalhães a dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA). Na capital baiana, realiza também o projeto de restauro do Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do século XVI tombado na década de 1940 pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), e se relaciona criativamente com uma série de importantes artistas vanguardistas, como o fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger (1902-1996) e o cineasta Glauber Rocha (1938-1981). De volta a São Paulo após o golpe militar, em 1964, incorpora em seus projetos o legado da temporada nordestina na forma de uma radical "experiência de simplificação" da linguagem. Sua obra a partir daí assume contundentemente o caráter do que qualifica como "arquitetura pobre". São exemplares importantes dessa última fase de sua carreira os suportes museográficos da exposição A Mão do Povo Brasileiro, 1969, feitos de tábuas de pinho de segunda; o edifício do Sesc Pompéia, 1977, adaptação de uma antiga fábrica de tambores; e o Teatro Oficina, 1984, construção que dissolve a rigidez da relação palco-platéia pela criação de um teatro-pista, como um sambódromo.

Comentário crítico
Abrangente e interdisciplinar, a atuação de Lina Bo Bardi extrapola os campos da arquitetura e do urbanismo. Estrangeira, compreende a cultura brasileira pelo olhar antropológico, particularmente atento para a convergência entre vanguarda estética e tradição popular. Deixando para trás o "velho mundo", que abandona junto com os sonhos do período pré-guerra, tem a seguinte impressão do Brasil ao desembarcar no Rio de Janeiro, em 1946: "Deslumbre. Para quem chegava pelo mar, o Ministério da Educação e Saúde avançava como um grande navio branco e azul contra o céu. Primeira mensagem de paz após o dilúvio da Segunda Guerra Mundial. Me senti num país inimaginável, onde tudo era possível".3

continuar a leitura do texto Continuar a leitura do texto...

Outras informações de Lina Bo Bardi:

  • Outros nomes
    • Achillina Bo Bardi
  • Habilidades
    • figurinista
    • ilustrador
    • designer
    • arquiteto
    • cenógrafo
    • editor
  • Relações de Lina Bo Bardi com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Lina Bo Bardi: (2) obras disponíveis:

Representação (1)

Espetáculos (9)

Exposições (15)

Fontes de pesquisa (13)

  • SUZUKI, Marcelo (org.). Tempos de grossura: o design no impasse. Texto Jorge Amado. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi : Fundação Vilanova Artigas, 1994. 78 p., il. p&b color. (Pontos sobre o Brasil). 745.50981 BL246t
  • SUZUKI, Marcelo (org.). Tempos de grossura: o design no impasse. Texto Jorge Amado. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi : Fundação Vilanova Artigas, 1994. 78 p., il. p&b color. (Pontos sobre o Brasil).
  • BARDI, Lina Bo. Lina Bo Bardi. Organização Marcelo Carvalho Ferraz; texto Lina Bo Bardi. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1993. 333 p., il. p.b. color.
  • Entrevista com Maria Alice Vergueiro.Planilha enviada pela pesquisadora Rosy Farias Não Catalogado
  • LINA Bo Bardi. Organizacao Marcelo Carvalho Ferraz; comentário Lina Bo Bardi. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1993. 720.92 B246f
  • OLIVEIRA, Olivia de. Lina Bo Bardi: sutis substâncias da arquitetura. São Paulo: Romano Guerra Editora; Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. 400 p., il. color.
  • OLIVEIRA, Olivia de. Lina Bo Bardi: sutis substâncias da arquitetura. São Paulo: Romano Guerra Editora; Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2006. 720.92 B246o
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Texto Mário Barata, Lourival Gomes Machado, Carlos Cavalcanti et al. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559 p. R703.0981 P818d
  • RISÉRIO, Antonio. Avant-garde na Bahia. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1995. 259p., fotos p.b. (Pontos sobre o Brasil).
  • RISÉRIO, Antonio. Avant-garde na Bahia. Apresentacao Marcelo Carvalho Ferraz; apresentação Caetano Veloso. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1995. 981.42 R595a
  • TEATRO do Ornitorrinco. São Paulo: Imprensa Oficial, 2009. 792.0981 To253
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 720.981 D422a
  • XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: arquitetura moderna brasileira. rev. ampl. São Paulo: Cosac & Naify, 2003.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LINA Bo Bardi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1646/lina-bo-bardi>. Acesso em: 20 de Jan. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7