Artigo da seção pessoas Nelson Xavier

Nelson Xavier

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deNelson Xavier: 30-08-1941 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
Imagem representativa do artigo

Nelson Xavier (Vado) em cena de Navalha na Carne , 1967
Registro fotográfico autoria desconhecida

Biografia
Nelson Agostini Xavier (São Paulo SP 1941). Ator, autor e diretor. Participante do Teatro de Arena, dos Seminários de Dramaturgia, do Movimento de Cultura Popular de Recife, Nelson Xavier se destaca como ator nas encenações dos textos de Plínio Marcos na década de 1960.

Forma-se em 1957, em São Paulo, pela Escola de Arte Dramática (EAD). Começa sua trajetória como crítico da revista Visão, em que publica, em 1958, intitulada Um Italiano Leva o Morro ao Teatro, sobre Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Faz sua estreia profissional como ator nessa mesma peça, numa remontagem para excursão do Teatro de Arena. Desde o seu ingresso no Arena torna-se uma das lideranças do grupo, participando ativamente do núcleo fundador do Seminário de Dramaturgia, ao qual submete o primeiro texto de sua autoria, O Quarto e a Casa, que permanece inédito.

Em 1959, cria o papel de Maranhão em Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Vianna Filho, e é assistente de direção de Augusto Boal em Gente como a Gente, de Roberto Freire. Pelo seu trabalho em Revolução na América do Sul, de Augusto Boal, 1960, ganha o prêmio Governador do Estado de São Paulo de melhor ator coadjuvante. Atua em O Testamento do Cangaceiro, de Chico de Assis, 1961. Em 1962, participa em Recife das atividades do Movimento de Cultura Popular (MCP), para o qual realiza sua primeira direção, com Julgamento em Novo Sol, cria um seminário de dramaturgia, e dedica-se à pesquisa e realização de teatro didático em cursos de alfabetização, debates comunitários e comícios políticos.

Em 1964, dirige, sem repercussão, Saravá, de Sérgio Jockyman, para o Grupo Decisão. Em 1965, no Rio de Janeiro, está no elenco da bem-sucedida montagem original, dirigida por Ziembinski, de Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues. A consagração do ator vem com dois desempenhos que contribuem para o impacto da revelação do autor Plínio Marcos: em Dois Perdidos Numa Noite Suja, em 1967, onde é também produtor, e em Navalha na Carne, em 1968, ao lado de Tônia Carrero, ambos com direção de Fauzi Arap. Nesses dois trabalhos delineia-se com clareza uma linha pessoal de representação, levando-o adaptar as duas peças para o cinema, onde também atua dirigido por Bráz Chediak.

Recebe o Prêmio Anchieta de Dramaturgia como autor de O Segredo do Velho Mudo, 1970, obra que impressiona ao abordar, sincera e sensivelmente, os conflitos éticos dos jovens da então chamada esquerda festiva, encenada em 1974 por Cecil Thiré. Em 1976, depois de atuar em Síndica, Qual é a Tua? de Luiz Carlos Góes, vê ir à cena o seu texto Trivial Simples, que analisa, através de um mergulho no subconsciente, o vazio moral e existencial de um casal de classe média, mais uma vez premiado. O espetáculo, que marca a estreia do cineasta Ruy Guerra como diretor teatral, enfrenta problemas com a Censura e acaba retirado de cartaz. Em 1981 dirige À Moda da Casa, de Flávio Márcio.

A partir dos anos 1980 dedica-se à televisão e ao cinema, onde realiza trabalhos marcantes, sendo premiado como melhor ator no Festival de Brasília no filme O Mágico e o Delegado, 1983, e em Gramado, com O Testamento do Sr. Nepomuceno, 1994. Em 2010, interpreta o protagonista no longa-metragem Chico Xavier - O Filme

O crítico Yan Michalski define seu perfil artístico: "Ator eminentemente cerebral - o que não o impede, muito pelo contrário, de criar em cena uma singular poesia - Nelson Xavier é insuperável na criação de personagens inconfundivelmente brasileiros, que tenham a sua tônica na malícia, na malandragem, numa surda e contida violência. Mais do que o teatro, é no cinema - veículo no qual tem desempenhado diversas funções - e na televisão que ele tem ultimamente encontrado espaços mais apropriados para aprofundar a sua linha de atuação. Não obstante, ele é uma figura importante no panorama teatral, inclusive pela lúcida reflexão que exerce sobre o seu próprio trabalho e sobre a atividade dramática como um todo".1

Notas
1. MICHALSKI, Yan. Nelson Xavier. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Outras informações de Nelson Xavier:

  • Outros nomes
    • Nelson Agostini Xavier
  • Habilidades
    • ator
    • autor
    • diretor de teatro

Representação (1)

Espetáculos (44)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (6)

  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. Texto Vadim Nikitin, Isabel Teixeira; pesquisa Anna Setton, Felipe Gonçalves Schermann, Isabel Teixeira, Newton Moreno. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004]. CDR792A681
  • ALBUQUERQUE, Johana. Nelson Xavier (ficha curricular). In: _________. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995 Não catalogado
  • Entrevista com Miriam Mehler. Planilha enviada pela pesquisadora Rosy Farias Não Catalogado
  • MICHALSKI, Yan. Nelson Xavier. In: ___________. PEQUENA Enciclopédia do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.
  • XAVIER, Nelson. Rio de Janeiro: Funarte / Cedoc. Dossiê Personalidades Artes Cênicas.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NELSON Xavier. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa16242/nelson-xavier>. Acesso em: 24 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7