Artigo da seção pessoas Lucas Bambozzi

Lucas Bambozzi

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais  
Data de nascimento deLucas Bambozzi: 20-09-1965 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Matão)

Biografia
Lucas Bambozzi da Silveira (Matão, São Paulo, 1965), artista multimídia e pesquisador em novos meios. Dedica-se às práticas artísticas em plataformas audiovisuais, especialmente as que envolvem o vídeo, o cinema, e as intervenções no espaço público. Preocupa-se com a mediação da vida pela tecnologia digital.

Nasce no interior de São Paulo, na cidade de Matão. Forma-se em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1994. Estuda no Centre for Advanced Inquiry in the Interactive Arts - Science Technology and Art Research Centre/ Institute of Digital Art & Technology (CAiiA-STAR Centre/i-DAT), Planetary Collegium, e obtém o Master of Philosophy pelo i-DAT, da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, com a dissertação Public Spaces and Pervasive Systems, a Critical Practice (2006).

Entre 1995 e 1999, conduz  atividades ligadas à arte e internet na Casa das Rosas, em São Paulo. Em 1996, é contemplado com a Bolsa Vitae de Artes para desenvolver o projeto Tormentos. Atua em projetos especiais do evento Arte Cidade, em São Paulo, sendo um dos artistas convidados da terceira edição em 1997.

A partir do final da década de 1990, amplia e fortalece a pesquisa e o olhar crítico sobre as inovações e possibilidades das tecnologias. Torna-se um expoente da arte produzida em mídias digitais e móveis. É um dos fundadores do FórumBHZVídeo, Belo Horizonte, e curador de vídeo do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP).

É curador e coordenador de eventos como Sónar SP (2004), Life Goes Mobile (Nokia Trends 2004 e 2005) e Motomix (2006), Red Bull House of Art (2009) e Lugar Disssonante (2010). Participa, ainda, de eventos coletivos como Mídia Tática Brasil (2004), Digitofagia (2005) e Naborda (2012). Cria e coordena o Festival arte.mov – Arte em Mídias Móveis (2006-2012) e o Labmovel, um veículo criado para atividades laboratoriais e artísticas em espaços públicos (2012). Em 2013, recebe menção honrosa no Ars Eletronica, na cidade austríaca de Linz.

Em 2010, é premiado no Ars Eletronica com o pojeto Mobile Crash e, em 2011, tem uma retrospectiva de seus trabalhos no Laboratório Arte Alameda, na Cidade do México. Em 2012, participa das exposições Tecnofagia, no Instituo Tomie Ohtake, São Paulo, e da Bienal Zero1, em San Jose, Estados Unidos, com trabalhos comissionados pelos organizadores.

Análise
Desde o final dos anos 80, Lucas Bambozzi produz vídeos, instalações, performances audiovisuais e projetos interativos, com exposições em mais de 40 países. Dedica-se à expressividade das novas mídias, pesquisando a poesia contida nos sistemas de comunicação, gravação, manipulação e transmissão de audiovisuais. Seus primeiros trabalhos buscam afirmar o vídeo como linguagem de coisas complexas e sutis. Um jogo de claros, escuros, ritmos, texturas e associações, que se apropria do audiovisual para representar relações sensoriais. São imagens que aparecem granuladas, distorcidas, instáveis diante do espectador como se retiradas do imaginário do artista. A intenção é deslocar e indeterminar o espaço, desfazendo as referências a qualquer geografia.

Love Stories (1992), Ali É Um Lugar que Não Conheço (1997), Eu não Posso Imaginar (I Have no Words) – partes I e II (1999), Aqui de Novo (2002), Desvios, Derivas e Contornos (2007), Is Your Life Like a Film? (2007), e Do Outro Lado do Rio (2004) são obras que testemunham um mundo em trânsito, em que as fronteiras geográficas e as fronteiras entre “nós e eles”, estão indefinidas e habita-se um “entre”.

O artista alerta para o fato de que nesse “entre” da cultura das redes, escondem-se estruturas perversas de coerção e invasão de privacidade. O projeto de internet  meta4WALLS (2000), por exemplo, simula um portal de serviços escuso e duvidoso. Enquanto o usuário navega pela oferta de sites ilícitos ou estranhos, o sistema coleta seus dados. Após algum tempo, este usuário recebe um relatório em sua tela de navegação, com informações sobre o computador que está utilizando. A ideia é constranger e tornar transparentes alguns mecanismos intrusivos utilizados na internet. A obra aborda os sistemas instituídos pelas câmeras de vigilância, pelas articulações da internet e pelo conjunto de práticas não autorizadas que ocorrem nas redes que definem boa parte das relações humanas no cotidiano.

A pesquisadora, Christine Mello (1966), traduz os processos de Lucas Bambozzi como uma poética da intimidade mediada. Ora desvelando técnicas intrusivas de privacidade, ora provocando o estranhamento do sujeito diante da tecnologia, os trabalhos do artista apresentam-se como um manifesto sobre a construção de identidades na era da informação.

Em 2006, Bambozzi desenvolve para a fachada do Sesc Pinheiros, São Paulo, o projeto ‘site-specific’ Multidão. Trata-se de uma parede de vidro de cerca de 19 metros de extensão e 3 metros de altura, preparada para receber uma projeção panorâmica com três fontes de vídeo contíguas. Utiliza uma escala de verossimilhança, como se a multidão estivesse presente no local. O projeto é apresentado outras três vezes, em diferentes versões, na cidades do México, Rio de Janeiro e em São Paulo. Em maio de 2013, no viaduto do Chá, por ocasião da Virada Cultural da cidade de São Paulo, Bambozzi encena Multidão 4. É uma representação do desentendimento entre grupos, como um embate entre manifestantes que, no fundo, almejam coisas parecidas. Bambozzi busca abrir-se ao outro, estar em contato e enxergar o outro, como alternativa ao individualismo.

Em 2011, constrói Das Coisas Quebradas, uma máquina que funciona com um fluxo de informação produzido em interações entre o público e o sistema. A instalação executa o esmagamento de celulares obsoletos ou indesejados em intervalos de tempo dinâmicos, de acordo com o fluxo das ondas eletromagnéticas do ambiente. O trabalho sugere uma crítica com base na condição de todos serem responsáveis pelo que ocorre nos espaços públicos. A leitura que o sistema faz do espaço é emblemática. Associa os dispositivos da comunicação interpessoal à obsolescência e questiona a responsabilidade de cada um na formação e na sustentabilidade dos chamados ambientes informacionais. Das Coisas Quebradas é construída como quem faz ciência de garagem, meio enviesada, às vezes precária e à margem. É, ainda, uma apropriação criativa da tecnologia por meio de práticas conhecidas como gambiarra, associada à baixa resolução, a conexões mais lentas, à redistribuição das bandas em canais que representem um número maior de produtores.

Em trabalhos individuais ou em práticas colaborativas, o artista coloca-se diante de um mundo povoado por sujeitos hiperconectados e obcecados com privacidade. Lucas Bambozzi busca, com sua prática, os recursos para a reversão desse sistema. Seus trabalhos ambicionam a conscientização sobre procedimentos alienantes ou invasivos, criando alternativas ao individualismo, consumismo e fetichismo tecnológico. O artista também questiona se ainda é possível pensarmos a intimidade como o terreno do prazer, da proximidade ou da fruição, já que todos os espaços estão sendo ocupados pela lógica da produtividade, do mercado de trabalho, do consumo e da espetacularização da vida.

Outras informações de Lucas Bambozzi:

  • Outros nomes
    • Lucas Bambozzi da Silveira
  • Habilidades
    • Jornalismo
    • Videoartista

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Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUCAS Bambozzi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa16093/lucas-bambozzi>. Acesso em: 16 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7