Artigo da seção pessoas Ana Maria Machado

Ana Maria Machado

Artigo da seção pessoas
Literatura / artes visuais  
Data de nascimento deAna Maria Machado: 24-12-1941 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Ana Maria Martins Machado (Rio de Janeiro RJ 1941). Autora de literatura infantojuvenil, romancista, jornalista, pintora, professora e tradutora. Cresce no Morro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Passa grande parte das férias escolares em Manguinhos, no município de Serra, no Espírito Santo, onde entra em contato com as narrativas orais da comunidade local. Essa influência é decisiva para a forma como a autora conduz suas histórias e para algumas produções que têm como tema essa experiência. Aos 12 anos, publica pela primeira vez, com a ajuda de dois tios, um texto sobre as redes de pesca artesanais de Manguinhos na revista Folclore. Na adolescência começa a pintar, atividade que mantém por mais de uma década. Estuda no Museu de Arte Moderna (MAM/RJ) e faz exposições individuais e coletivas até decidir a se dedicar profissionalmente à escrita. Depois de desistir do curso de geografia, estuda na Faculdade de Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Casa-se com o médico Álvaro Machado, irmão da escritora Ruth Rocha (1931), muda-se para São Paulo, e escreve para a revista Realidade e para a Enciclopédia Bloch. A pedido da revista Recreio, inicia, em 1969, uma produção literária direcionada a crianças e jovens. A publicação é considerada um marco para a nova literatura infantil brasileira. No mesmo ano, por causa da situação política do país, exila-se voluntariamente. Trabalha na Europa como jornalista e faz doutorado em linguística e semiologia com orientação de Roland Barthes (1915-1980). A pesquisa que realiza sobre a obra de Guimarães Rosa (1908-1967) resulta no livro Recado do Nome. De volta ao Brasil, no fim de 1972, trabalha no Jornal do Brasil como repórter e, depois, como chefe do Departamento de Jornalismo da Rádio JB. Lança, em 1977, seu primeiro livro infantil, Bento-que-Bento-É-o-Frade. No ano seguinte recebe prêmio com História Meio ao Contrário, livro que figura entre os principais da autora. Em 1979, concebe a primeira livraria especializada para crianças no país, chamada Malasartes, que dura quase duas décadas. Deixa a carreira de jornalista em 1980, e começa a se dedicar ao primeiro romance adulto. Casa-se com o músico Lourenço Baeta. Em 1983, lança seu primeiro romance adulto, Alice e Ulisses. Muda-se para Manguinhos, em 1986. Em 1989, recebe uma oferta de trabalho da BBC e muda-se para Londres, onde escreve seu segundo romance, Canteiros de Saturno. Em 2000, ganha o prêmio máximo da literatura infantil, o Hans Christian Andersen, atribuído pela segunda vez a uma escritora brasileira. Ingressa na Academia Brasileira de Letras (ABL), em 2003.

Comentário crítico
Ana Maria Machado tem uma produção literária diversificada: para crianças, jovens e, também, adultos. Grande parte dos textos para crianças e jovens procura estabelecer o espaço possível para a ficção em meio aos parâmetros cotidianos de uma cidade das últimas décadas do século XX. A literatura infantil, segundo a crítica literária Marisa Lajolo, surge com suas características próprias no Brasil, de "braços dados com a modernização" no começo do século XX. No fim desse mesmo século, no entanto, essa modernização adquire características específicas, com as novas formas de socialização dos centros urbanos, em que a televisão passa a ocupar um espaço progressivamente maior no cotidiano da maioria da população. Parte da tradição em que a autora se insere procura restabelecer, para a literatura infantil, o espaço dado pelo arranjo particular entre os elementos da ficção e da fantasia com esse cotidiano específico - nomeado por Clarice Lispector (1925-1977) como Quase de Verdade (em título de uma de suas obras). A delimitação desse lugar da ficção aparece já no primeiro livro de Ana Maria, do fim da década de 1970, Bento-que-Bento-É-o-Frade. Nele, a menina Nita se coloca em desacordo, por meio de forte imaginação, com o comportamento e atitudes de outras crianças, em brincadeiras e situações consideradas naturais por todos. Isso até o momento em que embarca completamente no seu universo de fantasias e começa a estabelecer limites morais e sociais dentro dessa realidade inventada, que por correspondência iluminam a realidade não ficcional. A história termina, em sua organização circular, no ponto em que começa, na brincadeira bento-que-bento-é-o-frade, com Nita contando a aventura nesse mundo de "fantasia" para os outros meninos.

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Outras informações de Ana Maria Machado:

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Fontes de pesquisa (7)

  • ARROYO, Leonardo. Literatura Infantil Brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1968.
  • BASTOS, D. ANA & RUTH: 25 anos de literatura. Rio de Janeiro: Salamandra, 1995.
  • CARVALHO, Bárbara Vasconcelos de. A Literatura Infantil: visão histórica e crítica. 4.ed. São Paulo: Global, 1985.
  • COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira: séculos XIX e XX. 4. ed. São Paulo: Edusp, 1995.
  • LAJOLO, Marisa & ZILBERMAN, Regina. Literatura Infantil Brasileira. História & Histórias. São Paulo: Ática, 1984.
  • ZILBERMAN, Regina & LAJOLO, Marisa. Um Brasil para crianças. Para conhecer a literatura infantil brasileira: história, autores e textos. São Paulo: Global, 1993.
  • COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil: das origens indo-europeias do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ática, 1991.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANA Maria Machado. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1609/ana-maria-machado>. Acesso em: 12 de Nov. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7