Artigo da seção pessoas Moraes Moreira

Moraes Moreira

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deMoraes Moreira: 08-07-1947 Local de nascimento: (Brasil / Bahia / Ituaçu) | Data de morte 13-04-2020 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Antonio Carlos Moreira Pires (Ituaçu, Bahia, 1947 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020). Compositor, cantor e violonista. Começa na música ainda adolescente, tocando sanfona de 12 baixos. Com pouco tempo de aprendizado anima festas de São João, casamentos e batizados. Em 1963, faz o curso científico na cidade de Caculé, no interior da Bahia, onde conhece diversos violonistas e se apaixona pelo violão. Com 19 anos, muda-se para Salvador com o intuito de fazer o curso de medicina, mas vai estudar música no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Na pensão em que mora, conhece os futuros parceiros do grupo Novos Baianos: Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão. Este o apresenta ao cantor e compositor baiano Tom Zé, professor de violão no seminário, com quem troca informações sobre harmonia e composição.

Seus amigos de pensão começam a elaborar o espetáculo de estreia do grupo Novos Baianos, O Desembarque dos Bichos depois do Dilúvio Universal, em 1968. Contando também com a cantora Baby Consuelo (atual Baby do Brasil) e o guitarrista Pepeu Gomes na formação, o grupo vai para São Paulo participar do 5º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record (1969), defendendo a música De Vera, de Moraes Moreira, com letra de Galvão, de quem se torna parceiro frequente. Em seguida lança o primeiro disco, Ferro na Boneca. Em 1972, grava Acabou Chorare, que vende mais de 100 mil cópias e traz no repertório o samba Brasil Pandeiro, de Assis Valente, além das composições próprias do grupo.

Moraes Moreira decide deixar os Novos Baianos e parte para a carreira solo, em 1975. Seu primeiro parceiro nessa caminhada é o guitarrista Armandinho. Toca com o trio elétrico de Dodô e Osmar (pai de Armandinho) em 1976, sendo o primeiro cantor de trio elétrico. Faz grande sucesso com a marchinha Pombo Correio, parceria com Dodô e Osmar, e é apontado como um dos principais responsáveis pelo crescimento do carnaval de rua em Salvador.

Lança Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, em 1979, com canções em parceria com Pepeu Gomes, Jorge Mautner, Antonio Rizério, Abel Silva, Fausto Nilo, Armandinho e Oswaldinho do Acordeon. Sua música Santa Fé, parceria com o poeta Fausto Nilo, é tema de abertura da novela Roque Santeiro, de Dias Gomes, censurada pelo governo militar em 1975 e exibida pela Rede Globo em 1985.

Em 1997, reúne o grupo Novos Baianos, que lança o disco ao vivo Infinito Circular, com canções dos discos anteriores e algumas inéditas. Dez anos mais tarde, Moraes Moreira publica o livro A História dos Novos Baianos e Outros Versos, escrito em linguagem de cordel, conta a história dos Novos Baianos.

Análise

O diálogo entre gêneros musicais é  a marca da trajetória artística de Moraes Moreira. Ao começar a carreira, seu estilo tende para o rock, mas nutre também paixão pelo samba e pelo choro, e aponta nomes como Braguinha, Lamartine Babo, Zé Kéti e Jacob do Bandolim como seus maiores inspiradores. Sua obra dialoga com as produções de Roberto Carlos, Jimi Hendrix, e com a estética do tropicalismo, proposto por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e outros artistas. Tais referências estão presentes em Ferro na Boneca, primeiro disco do seu grupo Os Novos Baianos, que, nos anos 1960, vive numa espécie de comunidade alternativa.

A presença de João Gilberto na comunidade do Novos Baianos contribui para acentuar o caráter musical multifacetado do grupo, fundindo sonoridades do samba, frevo e baião com o rock. Moraes Moreira aprende a maneira original de João Gilberto tocar violão e com ele se aproxima do repertório de compositores como Assis Valente. Logo cria, com Pepeu Gomes, um regional com cavaquinho e violão para o maior sucesso do autor, Brasil Pandeiro, gravado pelo Novos Baianos no álbum Acabou Chorare (1972). A canção, feita em 1940, exalta a entrada do samba no mercado musical dos Estados Unidos, alavancada principalmente por Carmen Miranda, intérprete de grande parte das músicas de Assis Valente.

As composições com Luiz Galvão vão de canções de simples harmonias, como o maior sucesso do Novos Baianos, Preta Pretinha (Acabou Chorare), de dois acordes apenas, até as de complexas estruturas, caso de Os Pingos da Chuva (Novos Baianos F.C., 1973). As influências da bossa nova, jovem guarda, tropicalismo e da música internacional resultam na sonoridade particular do grupo.

Integrando o trio elétrico de Dodô  e Osmar, expande suas referências ao ser apresentado a compositores como Capiba, Nelson Ferreira, Duda, Antônio Maria (1921 - 1964) e outros nomes do frevo pernambucano.  Moraes Moreira compõe a letra para uma música original de Dodô e Osmar que se torna outro grande sucesso, Pombo Correio, típica marchinha dos trios que animam o Carnaval de Salvador. Introduz a voz nos trios elétricos, que até então é só instrumental, até por uma questão técnica. Seu pioneirismo faz escola e fomenta o surgimento de uma geração de cantores de trio.

Lança seu quarto disco solo, Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, em 1979. Além da faixa-título, que se torna hit nacional, o álbum traz canções que marcam o carnaval baiano, como Eu Sou o Carnaval, Chão da Praça e Assim Pintou Moçambique. Esta, em parceria com Antonio Rizério, é um marco na história da música baiana, pela mistura do frevo dos trios elétricos com o batuque dos blocos afro, prenunciando as fusões que animam o Carnaval e abrindo um novo caminho na música da Bahia, que culmina na chamada geração axé music.

No CD O Brasil Tem Conserto, de 1994, em parceria com o maestro e arranjador Vitor Santos, realiza um trabalho que mescla música popular com a erudita. Nesse álbum, reforça a harmonia e a melodia, mantendo as características rítmicas de suas composições. O baião e o samba são misturados no CD Bahião com H, de 2000, que aproveita na época o oportuno interesse das novas gerações pela música regional brasileira. Em 2005, o álbum De Repente funde o hip-hop com o repente nordestino, trazendo elementos da música eletrônica e do rap, ou da "palavra falada", como Moraes classifica.

Outras informações de Moraes Moreira:

  • Outros nomes
    • Antônio Carlos Moraes Pires
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Obras de Moraes Moreira: (1) obras disponíveis:

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (6)

  • GALVÃO, Luiz. Anos 70: novos e baianos. São Paulo: Editora 34, 1997.
  • MOREIRA, Moraes. Site Oficial do artista. Disponível em: http://www2.uol.com.br/moraesmoreira. Acesso em: 21 set. 2009.
  • MOREIRA, Moraes. Entrevista concedida pelo cantor e compositor a Marcelo Fróes. In: International Magazine, n. 33, Ano VII, jan. 1997.
  • MOREIRA, Moraes. Entrevista concedida pelo cantor e compositor ao jornalista Leandro Souto Maior. Rio de Janeiro, 22 ago. 2009.
  • MOREIRA, Moraes. A história dos novos baianos e outros versos. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007.
  • MORRE aos 72 anos o cantor baiano Moraes Moreira. Jornal Correio. 13 abr. 2020. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/morre-aos-72-anos-cantor-baiano-moraes-moreira/. Acesso em 13 abr. 2020

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MORAES Moreira. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15192/moraes-moreira>. Acesso em: 28 de Set. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7