Artigo da seção pessoas Antonio Fagundes

Antonio Fagundes

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deAntonio Fagundes: 18-04-1949 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Antonio Fagundes (Macbeth) em cena de Macbeth , 1992 , João Caldas
Registro fotográfico João Caldas

Biografia
Antonio da Silva Fagundes Filho (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Ator. Um dos mais bem-sucedidos intérpretes de sua geração, transita dos tipos rústicos aos refinados, englobando uma extensa galeria de criações do repertório nacional e internacional.

Inicia-se no teatro amador e estudantil em 1963, sendo absorvido pelo Teatro de Arena de São Paulo na montagem de Farsa do Cangaceiro, Truco e Padre, de Chico de Assis (1933-2015), pelo Núcleo 2 da companhia, em 1967. Permanece no Teatro de Arena até sua dissolução, nas montagens de Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal (1931-2009) e Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), La Moschetta, de Angelo Beolco, e O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht (1898-1956), em 1967; Primeira Feira Paulista de Opinião, com textos de Lauro César Muniz (1938), Bráulio Pedroso (1931-1990), Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade (1922-1984), Plínio Marcos (1935-1999) e Augusto Boal, em 1968, e A Resistível Ascensão de Arturo Ui, também de Bertolt Brecht, em 1970, direções de Augusto Boal.

Em 1969 está em Hair, de Gerome Ragni e James Rado, com Ademar Guerra (1933-1993); O Cão Siamês, de Antônio Bivar (1939), ao lado de Yolanda Cardoso (1923-2007) e Marta Saré, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo (1943), com Fernanda Montenegro (1929) e direção de Fernando Torres (1927-2008) Castro Alves Pede Passagem, texto e direção de Gianfrancesco Guarnieri é criado em 1971; participando, no ano seguinte, de Pequenos Assassinatos, texto de Jules Feiffer, dirigido por Osmar Rodrigues Cruz (1924-2007). Com o mesmo diretor, em seguida, integra a montagem de Um Grito de Liberdade, de Sérgio Viotti (1927-2009), produção do Teatro Popular do Sesi (TPS).

Em 1973 protagoniza duas realizações bem-sucedidas: Godspell, um musical da Broadway, e O Evangelho Segundo Zebedeu, de César Vieira (1931), numa direção de Silnei Siqueira (1934-2013) para o Teatro da Cidade de Santo André. As criações de Caminho de Volta, texto de Consuelo de Castro (1946-2016), em 1974, e Muro de Arrimo, de Carlos Queiroz Telles (1936-1993), em 1975, ligam-no ao teatro de resistência do período mais conturbado com a Censura.

Nos anos seguintes surge em montagens significativas, sempre com muita projeção, como Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, encenação de Paulo José (1937), numa produção da Companhia Tereza Raquel, em 1976; A História é Uma História, de Millôr Fernandes (1923-2012) em 1978, e, sobretudo, Sinal de Vida, de Lauro César Muniz, 1979. Associado a Antônio Abujamra (1932-2015) empreende um projeto de longa duração, ocupando o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com uma programação voltada ao experimentalismo. Ali, lança novos autores nacionais, ele próprio escrevendo Pelo Telefone, um dos textos encenados, em 1980.

A bem-sucedida montagem de O Homem Elefante, de Bernard Pomerance, em 1981, impulsiona Fagundes à criação de uma companhia com elenco fixo e uma linha artística de repertório, que no ano seguinte, estréia Morte Acidental de um Anarquista, de Dario Fo, como Companhia Estável de Repertório (CER). Seguem-se: Xandu Quaresma, de Chico de Assis, em 1983; e Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, espetáculo de Flávio Rangel (1934-1988), em 1985; Carmem com Filtro, primeira direção de Gerald Thomas (1954) em São Paulo, em 1986, mesmo ano em que cria Nostradamus, de Doc Comparato, direção de Antônio Abujamra.

Nos anos seguintes, a CER busca um repertório mais experimental, com a ambiciosa adaptação teatral de Fragmentos de um Discurso Amoroso, de Roland Barthes, encenação de Ulysses Cruz (1952), em 1988. Uma associação com artistas franceses resulta na mal-sucedida O País dos Elefantes, de Louis Charles Sirjacq e direção de Alain Millianti, espetáculo que mescla anseios de liberdade em diversos pontos do planeta, apresentado no Festival de Avignon, França.

Com Ulysses Cruz, participa da montagem de História do Soldado, de Igor Stravinsky e C. F. Ramuz, montagem comemorativa do vigésimo aniversário do Teatro Municipal de Santo André, em 1990; e produz: Macbeth, de William Shakespeare, em 1992; a comédia Vida Privada, de Mara Carvalho, em 1994; Oleanna, de David Mamet, em 1996. Sob a direção de Jorge Takla (1951), atua em Últimas Luas, de Furio Bordon, em 1999, e com direção de Bibi Ferreira (1922), em Sete Minutos, comédia de sua autoria, 2002.

A carreira cinematográfica de Fagundes é tão longa quanto à dedicada ao teatro. Além de participar em filmes mais experimentais e curtas metragens, registra incontáveis sucessos como Os Sete Gatinhos, de Neville D'Almeida (1941), em 1977; Doramundo, de João Batista de Andrade (1939), em 1978; Pra Frente Brasil, de Roberto Farias (1932), em 1981; Besame Mucho, de Francisco Ramalho Jr., em 1986; A Dama do Cine Shangai, de Guilherme de Almeida Prado, Anjos da Noite, de Wilson Barros, e Eternamente Pagu, de Norma Bengell, todos de 1987; Fica Comigo, de Tizuka Yamazaki, em 1995; Senhorita Simpson, em 1998, e Bossa Nova, 2000, ambos de Bruno Barreto; Villa Lobos, de Zelito Viana, em 2000, Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues, em 2003, entre outros.

Na TV o ator realiza incontáveis trabalhos, tornando-se um dos mais disputados galãs de séries, minisséries e novelas. Realiza desde telecursos na Rede Cultura até novelas de grande sucesso na Globo, alcançando uma projeção ímpar entre os atores de sua geração.

Acompanhando sua trajetória, registra o crítico Yan Michalski (1932-1990): "Presença notavelmente sedutora, Antonio Fagundes tem, sobretudo em função da sua popularidade na TV, um imenso fã clube que o acompanha no teatro e lhe permite investir nas suas montagens mais generosamente do que a maioria dos empresários tem podido fazer ultimamente. Adulado como galã, ele é, porém, bem mais do que isto: é um ator inteligente, e suficientemente versátil para atuar com igual rendimento em drama e em comédia, em textos clássicos ou modernos, e fazendo papéis de características físicas e emocionais bastante diversificados. Por outro lado, tem manipulado com especial talento as suas carreiras de intérprete e de produtor, cada uma reforçando eficientemente a outra".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. X. In: Antonio Fagundes. PEQUENA Enciclopédia do teatro Brasileiro Contemporâneo. Material inédito, elaborado em projeto para o CNPq. Rio de Janeiro, 1989.

Outras informações de Antonio Fagundes:

  • Outros nomes
    • Antonio da Silva Fagundes Filho
    • Antônio Fagundes
  • Habilidades
    • produtor
    • ator
    • autor

Representação (1)

Espetáculos (62)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (18)

  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial).
  • CRONOLOGIA das artes em São Paulo 1975-1995: artes cênicas - teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. v. 3.
  • FAGUNDES, Antônio. Currículum vitae. Cronologia das atividades realizadas ao longo da carreira profissional. São Paulo, 1999.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil).
  • MOGADOURO, Flávio. Fagundes, entre duas revoluções. Jornal da Tarde, São Paulo, p. 22, 11 abr. 1989.
  • Programa do Espetáculo - 39 - 1981
  • Programa do Espetáculo - A Herdeira - 1985
  • Programa do Espetáculo - Abajur Lilás - 1980
  • Programa do Espetáculo - Arena Conta Tiradentes - 1967
  • Programa do Espetáculo - Caminho de Volta - 1974
  • Programa do Espetáculo - Carmem com Filtro - 1986
  • Programa do Espetáculo - Feira do Adultério - 1976
  • Programa do Espetáculo - Muro de Arrimo - 1975
  • Programa do Espetáculo - Nostradamus - 1986
  • Programa do Espetáculo - O Duelo - 1975
  • Programa do Espetáculo - O Grande Amor de Nossas Vidas - 1978
  • Programa do Espetáculo - O Homem Elefante - 1981
  • Programa do Espetáculo - Pequenos Assassinatos - 1972

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANTONIO Fagundes. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15050/antonio-fagundes>. Acesso em: 24 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7