Artigo da seção pessoas Lucio Costa

Lucio Costa

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deLucio Costa: 27-02-1902 Local de nascimento: (França / Provença-Alpes-Cote d'Azur / Toulon) | Data de morte 13-06-1998 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Lúcio Costa, Frank Lloyd Wright e Gregori Warchavchik, Rio de Janeiro , 1931

Biografia
Lucio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima e Costa (Toulon, França 1902 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998). Arquiteto, urbanista, estudioso e teórico da arquitetura e conservador do patrimônio. Forma-se, em 1924, na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, no Rio de Janeiro. Entre 1922 e 1929, mantém um escritório de arquitetura associado a Fernando Valentim e realiza inúmeros projetos e obras orientados predominantemente pelo estilo neocolonial, de teor nacionalista, e eventualmente pelos preceitos ecléticos internacionais.

Em 1929, casa-se com Julieta Modesto Guimarães, Leleta, e, em meio a uma crise profissional, muda-se com ela para Correias, nos arredores de Petrópolis, Rio de Janeiro. Lá, descobre a Casa Modernista, de Gregori Warchavchik (896-1972), publicada na revista Paratodos, reforçando sua insatisfação com a arquitetura acadêmica. Em 1930, volta para o Rio de Janeiro, convidado a trabalhar como assessor de obras do Itamaraty e, após a Revolução de 1930, é nomeado diretor da Enba, por Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Na Enba, consuma sua "conversão" ao movimento moderno e realiza uma importante reviravolta no ensino da escola, demitindo antigos professores e contratando outros, de orientação moderna, como Warchavchik, Alexander Buddeus e Leo Putz. Ainda no cargo, organiza o importante Salão Revolucionário de 1931, que conta com a participação de artistas como Guignard (1986-1962), Candido Portinari (1903-1962), Di Cavalcanti (1897-1976), Anita Malfatti (1889-1964) e Tarsila do Amaral (1886-1973), e tem papel fundamental na divulgação e legitimação do movimento iniciado em São Paulo com a Semana de 1922. Em setembro de 1931, em razão da forte reação conservadora, é exonerado do cargo de diretor.

Entre 1931 e 1933 associa-se a Warchavchik, para realizar projetos importantes como o Conjunto Residencial da Gamboa e a Residência Alfredo Schwartz, de 1932. Segue-se, até 1936, um período de intenso estudo da produção dos mestres da arquitetura moderna e de estiagem de encomendas profissionais, a que denomina "os anos de chômage [desemprego]". Nesse período escreve o importante texto-manifesto Razões da Nova Arquitetura, 1934/1936, advogando a inevitabilidade histórica do modernismo.

Em 1935-1936, é convidado pelo ministro Gustavo Capanema a conceber o projeto da nova sede do Ministério da Educação e Saúde - MES, tarefa em que prefere trabalhar associado a um grupo de jovens arquitetos: Affonso Eduardo Reidy (1909-1964), Carlos Leão, Jorge Moreira (1904-1992), Ernani Vasconcelos (1912-1989) e Oscar Niemeyer (1907-2012), com a coordenação de Le Corbusier. Esse edifício, bem como o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York, 1939 (projetado em parceria com Niemeyer), e o Conjunto da Pampulha, é considerado o marco inaugural da arquitetura moderna brasileira, sendo o primeiro arranha-céu no mundo a realizar integralmente os "cinco pontos da arquitetura moderna" idealizados por Le Corbusier.1

Em 1937, passa a trabalhar como diretor da Divisão de Estudos e Tombamentos - DET, do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Sphan, criado nesse ano. Deve-se a ele a definição de critérios e normas de classificação, análise e tombamento do patrimônio arquitetônico brasileiro, bem como a definição de critérios para a intervenção em centros históricos. Soma-se a isso seu projeto para o Museu das Missões, no interior do sítio arqueológico de São Miguel, no Rio Grande do Sul. O texto Documentação Necessária, 1937, consuma sua reflexão sobre o acervo construído nacional, dando forma madura a seu projeto intelectual de articulação conceitual entre o repertório comum luso-brasileiro e a arquitetura moderna internacional.

Essa interpretação historiográfica se consolida em textos escritos nas décadas seguintes, como Considerações sobre a Arte Contemporânea, anos 1940, e Muita Construção, alguma Arquitetura e um Milagre, 1951. Nesses anos, ao mesmo tempo que ainda realiza projetos importantes, desliga-se progressivamente da atividade projetual para concentrar-se nas tarefas de pesquisa do serviço público, no Sphan, depois Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, onde se aposenta, em 1972.

A vitória no concurso para o plano piloto de Brasília, em 1957, assinala uma súbita reaparição de Costa na cena nacional, e é o marco inicial de uma série de projetos urbanísticos que ele desenvolve em seguida. Em 1987, Brasília é considerada Patrimônio Mundial, Cultural e Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - Unesco. Em 1995, aos 93 anos de idade, o arquiteto lança Lucio Costa: Registro de uma Vivência,2 livro autobiográfico contendo projetos, ensaios críticos, cartas pessoais e textos memorialísticos, um livro de referência para qualquer estudo da arquitetura brasileira.

Comentário Crítico
Autor de uma expressiva obra construída, embora pouco numerosa, e de textos fundadores da historiografia arquitetônica brasileira, Lucio Costa é a figura-chave no quadro de implantação e consolidação da arquitetura moderna no Brasil. Sua trajetória como arquiteto se inicia nos anos 1920, quando, com a tutela de José Mariano Filho, patrono do movimento neocolonial no Rio de Janeiro, se torna uma das figuras de maior destaque entre seus pares. São dessa época projetos como as residências Rodolfo Chamberland, 1921, e Raul Pedrosa, 1924, feitos com orientação acadêmica, segundo os "estilos históricos" (ecletismo e neocolonial). O rompimento com a tradição beaux-arts, aprendida em sua formação na Escola Nacional de Belas Artes - Enba, em favor da arquitetura moderna, ocorre bruscamente em 1930, quando o arquiteto assume o cargo de diretor da escola em que havia estudado, renovando amplamente o currículo e o quadro de professores da Enba. Entre os alunos que se beneficiam dessa transformação estão, entre outros, Luiz Nunes (1909-1937), Jorge Moreira, Vital Brazil (1909-1997), Milton Roberto e Oscar Niemeyer.

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Outras informações de Lucio Costa:

  • Outros nomes
    • Lucio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima e Costa
    • Lúcio Costa
  • Habilidades
    • arquiteto-urbanista

Obras de Lucio Costa: (3) obras disponíveis:

Representação (2)

Exposições (13)

Fontes de pesquisa (8)

  • BRUAND, Yves. Arquitetura Contemporânea no Brasil. Tradução Ana M. Goldberger. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 1999. 398 p., il. p&b.
  • SEGAWA, Hugo. Arquiteturas no Brasil: 1900-1990. 2.ed. São Paulo: Edusp, 1999. 224 p., il. color.
  • COSTA, Lucio. Lucio Costa: registro de uma vivência. 2.ed. São Paulo: Empresa das Artes, 1997. 613 p., il. color.
  • GUIMARAENS, Cêça de. Lucio Costa: um certo arquiteto em incerto e secular roteiro. Rio de Janeiro: Rio, 1996. 115 p. (Perfis do Rio, 4).
  • NOBRE, Ana Luiza (org.); KAMITA, João Masao (org.); LEONÍDIO, Otávio (org.). Um modo de ser moderno: Lúcio Costa e a crítica contemporânea. São Paulo: Cosac & Naify, 2004. 336 p., il. p&b.
  • PESSÔA, José (org.). Lucio Costa : documentos de trabalho. Rio de Janeiro: IPHAN, 1999. 325 p., il., p.b.
  • WISNIK, Guilherme (org.). O Risco: Lucio Costa e a utopia moderna: depoimentos do filme de Geraldo Motta Filho. Rio de Janeiro: BangBang Filmes, 2003. 272 p., il. p&b. color.
  • WISNIK, Guilherme. Lucio Costa. Coordenação Célia Euvaldo. São Paulo: Cosac & Naify, 2001. 128 p., il. color. (Espaços da arte brasileira).

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LUCIO Costa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa14559/lucio-costa>. Acesso em: 15 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7