Artigo da seção pessoas Anísio Medeiros

Anísio Medeiros

Artigo da seção pessoas
Teatro / artes visuais  
Data de nascimento deAnísio Medeiros: 13-10-1922 Local de nascimento: (Brasil / Piauí / Teresina)

Biografia

Anísio Araújo de Medeiros (Teresina PI 1922). Cenógrafo e figurinista. Destaca-se nas décadas de 50 e 60, trabalhando com os principais grupos do período, tais como o Teatro Oficina, Teatro Jovem, Grupo Decisão e Teatro do Rio, posteriormente renomeado Teatro Ipanema

Aos 11 anos, Anísio Medeiros já participa da elaboração de cenários e figurinos para festas folclóricas de Teresina, sua cidade natal. Na década de 40, estuda arquitetura no Rio de Janeiro e trabalha como estilista em uma casa de modas. Estréia como cenógrafo amador em Sonata ao Luar, do Balé da Juventude, chamando a atenção da crítica especializada para suas experiências criativas, como as nuvens feitas de filó rasgado e queimado.

Seu primeiro trabalho profissional ocorre em 1953, A Raposa e as Uvas, de Guilherme Figueiredo, com direção de Bibi Ferreira, com a Companhia Dramática Nacional, CDN. Em 1956, em Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, para o Teatro Nacional de Comédia, TNC, transforma o palco em uma gravura em preto-e-branco, numa referência a Debret, o que lhe vale dois prêmios: da Bienal de Artes Plásticas de melhor figurinista, e da Prefeitura do Distrito Federal de melhor cenógrafo, 1957. No TNC faz também Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, em 1961; O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, em 1962; As Aventuras de Ripió Lacraia, de Francisco de Assis, e O Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, ambos em 1963.

No Teatro do Rio, em 1960, cria a cenografia de O Prodígio do Mundo Ocidental, de John Millington Synge, direção de Ivan de Albuquerque, que lhe vale dois prêmios: Prêmio Associação Paulista de Críticos Teatrais, APCT, e Prêmio Círculo Independente de Críticos Teatrais, CICT. Ainda no Teatro do Rio, trabalha em A Invasão, de Dias Gomes, 1962, e em Mister Sexo ou a Ilha de Circe, texto e direção de João Bethencourt, 1964. Com Chapéu de Sebo, de Francisco Pereira da Silva, 1962, ganha o Prêmio Molière.

Trabalha com o Teatro Oficina em Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, 1963, recebendo o Prêmio APCT. Em 1965, assina cenário e figurino no Teatro Jovem - Chão dos Penitentes, de Francisco Pereira da Silva - e no Grupo Decisão - Electra, de Sófocles, que lhe vale o Prêmio 8ª Bienal Internacional de São Paulo, e Tartufo, de Molière, em 1966.

Em parceria com o Teatro Ipanema, participa de seis espetáculos: As Moças, de Isabel Câmara, 1970; As Chaves das Minas, de José Vicente, pelo qual recebe Prêmio Mambembe de melhor figurino de 1977; O Beijo da Mulher Aranha, 1981; Querô, de Manuel Puig, 1982; Quase 84, de Fauzi Arap, 1983; e Artaud!, 1986.

Faz, também, direção de arte no cinema, tendo trabalhado em Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969; Lição de Amor, de Eduardo Escorel, 1975; Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto,1977; O Grande Mentecapto, de Oswaldo Caldeira, 1989, entre outros.

Sobre Electra, de Sófocles, pelo Grupo Decisão, o crítico Yan Michalski descreve e analisa o trabalho do artista:

"O cenógrafo e figurinista Anísio Medeiros prova mais uma vez o seu talento e a sua notável sensibilidade teatral. O cenário, através de um declive excepcionalmente íngreme do chão ao palco, oferece ao espectador um ângulo visual inesperado e estranho, perfeitamente identificado com o aspecto sobre-humano da tragédia; e, através da consistência e da cor das paredes, cria um pesado clima de opressão. Deixando de procurar características específicas gregas no cenário, Anísio Medeiros encontrou, no entanto, características autênticas e universalmente trágicas. As roupas (...) obedecem a uma linha tradicional ateniense; mas não nos lembramos de ter visto até hoje roupas gregas que tivessem um caimento tão harmonioso e conferissem aos personagens um aspecto tão compatível com a dignidade da tragédia; os figurinos de Clitemnestra e Egisto, mais pesados, parecem inspirados em influências orientais, e sugerem expressivamente a idéia da divisão das personagens em dois campos separados. O conjunto funciona admiravelmente, tanto do ponto de vista estético como do ponto de vista sugestivo, e principalmente a beleza das cenas em que Electra contracena com Crisotemis ou com Orestes é enormemente valorizada pelo colorido e pela linha das roupas".1

Notas

1. MICHALSKI, Yan. 'Electra'. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 abr. 1965.

Outras informações de Anísio Medeiros:

  • Outros nomes
    • Anísio Araújo de Medeiros
  • Habilidades
    • cenógrafo
    • figurinista

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Fontes de pesquisa (8)

  • ALBUQUERQUE, Johana. Anísio Medeiros (ficha curricular). In: _______. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • MEDEIROS, Anísio. Rio de Janeiro: Funarte  Cedoc.  Dossiê Personalidades Artes Cênicas.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Belas Figuras,SP - 1983. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Classe Média Televisão Quebrada - 1978 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Beijo da Mulher Aranha - 1981. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Pequenos Burgueses - 1964 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANÍSIO Medeiros. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa14477/anisio-medeiros>. Acesso em: 18 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7