Artigo da seção pessoas Esther Góes

Esther Góes

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deEsther Góes: 04-02-1946 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Esther Contim Góes (São Paulo, São Paulo, 1946). Atriz. Intérprete de características dramáticas, identificada com os anseios da década de 70, participa de experiências inovadoras neste período, optando, posteriormente, por projetos à margem do teatro convencional.

Formada pela Escola de Arte Dramática (EAD), estréia em 1969 em América, Hurrah!, de Jean-Claude von Itallie, com direção de Ademar Guerra (1933-1993), que também a dirige, no ano seguinte, no musical Hair, de Rado e Ragni. Integra-se ao Teatro Oficina, por ocasião das remontagens destinadas às viagens pelo Brasil, de onde resulta a criação coletiva Gracias, Señor, com estreia no Rio de Janeiro em 1971 e apresentada em São Paulo, no ano seguinte. Casa-se com Renato Borghi (1937), um dos fundadores do Oficina.

Com o afastamento de Renato Borghi do grupo, em 1972, durante as apresentações de As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, ambos integram-se ao Teatro Studio São Pedro, na montagem de Frank V, de Dürrenmatt, premiada direção de Fernando Peixoto (1937-2012) de 1973. Em seguida, lançam um trabalho autoral sobre a obra de Bertolt Brecht, O Que Mantém um Homem Vivo?, coordenado por José Antônio de Souza. Ganha Prêmio Governador do Estado de melhor atriz do ano por ambos os espetáculos.

Nos anos seguintes, ela e Renato Borghi fundam o Teatro Vivo, produzindo Absurda Pessoa, de Alan Ayckbourn, numa direção de Renato, em 1975; e Mahagonny - A Cidade dos Prazeres, também de Brecht, em parceria com Kurt Weill, com direção de Ademar Guerra, em 1976. No ano seguinte, interpreta Tatiana de Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, outra direção de Borghi. Desfeita a parceria, a atriz passa a integrar montagens como convidada.

Ressurge na montagem de É..., de Millôr Fernandes (1923-2012), dirigida por Paulo José (1937); e como a protagonista em Eva Perón, de Copi, numa direção de Iacov Hillel (1949), ambas em 1979. Em 1983 está em Coração na Boca, de Celso Luiz Paullini, encenada por Sérgio Mamberti (1939). Numa controvertida encenação de Hamlet, conduzida por Marcio Aurelio (1948), Esther desempenha a rainha Gertrudes, ao lado de Celso Frateschi (1952), em 1984. Sobe ao palco no ano seguinte para interpretar a Santa Joana, de Bernard Shaw, direção de José Possi Neto (1947). Em 1988, protagoniza O Amante de Mme. Vidal - um vaudeville de Louis Verneuil, pelo diretor Gianni Ratto (1916-2005).

Retorna em 1990 numa montagem solo, de sua autoria, denominado Não Tenha Medo de Virgínia Woolf, efetivada sobre as cartas e a obra da escritora inglesa, sob a direção de Elias Andreato (1955), em sensível composição. Em 1997, é dirigida por Maurice Vaneau em Beethoven, de Mauro Chaves; e em 1999, está em Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada, de Gabriel Garcia Márquez, numa versão de José Rubens Siqueira (1945).

Em 2000 realiza um trabalho com nítidas conotações políticas: A Que Ponto Chegamos, ao lado de Walter Breda e Tato Fischer. No mesmo ano interpreta com sucesso a Dilma de Abajur Lilás, direção de Sérgio Ferrara, texto de Plínio Marcos (1935-1999).

Esther Góes, atriz versátil e intensa, capaz de passar com facilidade do registro naturalista ao distanciado, é descrita por Renato Borghi, um de seus companheiros constantes de trabalho, de forma elogiosa e emocionada: "Por tras da excelente atriz está uma grande mulher. Esther surpreende sempre pelo seu desapego ao lado fútil da profissão e sua total dedicação ao que o teatro pode ter de influente e transformador. Esther não desiste, batalha continuamente a qualidade de seu trabalho e de seus colegas. Ela tem uma visão totalizante do teatro, estar em cena para ela é estar plena de inspiração e transmití-la a todos os presentes: atores e público. Esther é uma atriz que toma partido, luta por uma idéia, briga pela qualidade e procura sempre o aprofundamento. Jamais poderei esquecer a extraordinária parceira de O que mantém um homem vivo? vivendo momentos de intensa beleza nos palcos por onde passamos, onde ela deixava um rastro muito específico, um sentimento que só os artistas maiores possuem: um certo sentimento de mundo"1.

Nota

1 BORGHI, Renato. Depoimento prestado a pesquisadora Johana Albuquerque. São Paulo, 09 ago. 2002.

Outras informações de Esther Góes:

Espetáculos (43)

Todos os espetáculos

Fontes de pesquisa (10)

  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • CRONOLOGIA das artes em São Paulo 1975-1995: artes cênicas - teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. v. 3.
  • MENDES, Oswaldo. Ademar Guerra: teatro de um homem só. São Paulo: Senac, 1997. 262 p.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - À Margem da Vida - 1976. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Coração Na Boca - 1983 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - É... - 1977 Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Eva Perón - 1979. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Mahagonny - A Cidade dos Prazeres - 1976. Não catalogado
  • SILVA, Armando Sérgio da. Oficina: do teatro ao te-ato. São Paulo: Perspectiva, 1981. 255 p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ESTHER Góes. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa14097/esther-goes>. Acesso em: 17 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7