Artigo da seção pessoas José Agudo

José Agudo

Artigo da seção pessoas
Literatura  
Data de nascimento deJosé Agudo: 1868 Local de nascimento: (Portugal) | Data de morte 1923 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

José da Costa Sampaio (Portugal, 1868 - São Paulo, São Paulo, 1923) Cronista, romancista, professor e pesquisador. Utiliza o pseudônimo José Agudo para a publicação de seus textos, destacando-se como um dos principais cronistas da belle époque paulista. As poucas informações biográficas indicam que o autor leciona boa parte de sua vida na Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap). Funda a Revista Brasileira de Contabilidade, em 1912. Produz o que é considerado o primeiro estudo científico de contabilidade no país publicado na revista que ajuda a fundar. Trava na década de 1910, em função do seu livro Gente Audaz, uma ácida e divertida polêmica com o jovem autor e diretor da revista O Pirralho, o futuro modernista Oswald de Andrade (1890-1954), que assina suas críticas com o pseudônimo de Joachin da Terra. Publica, ainda, Gente Rica, Cenas da Vida Paulistana (1912), O Dr. Paradol e o Seu Ajudante – Romance (1913) e Amor Moderno, Cenas Sobre a Vida Paulistana (1915).

Análise

José Agudo é um cronista que se torna conhecido no decorrer da década de 1910. Sua primeira obra publicada, Gente Rica, Cenas da Vida Paulistana, é dedicada ao escritor português João Grave (1872-1934), autor de Gente Pobre. O título da obra, bem como o pseudônimo adotado pelo autor, caracterizam seu estilo calcado no humor, muitas vezes sarcástico, e também a perspectiva crítica pela qual Agudo retrata a belle époque brasileira, sobretudo a sociedade paulistana. Ele próprio define ironicamente seu primeiro livro como uma “epopeia da abastança”.

Um ano depois, publica Gente Audaz, Cenas da Vida Paulistana. Na obra, Agudo aprimora seu estilo de caricaturista social e descreve sua “própria” e paródica escalada ao sucesso. Fazendo uso de um narrador satiricamente autobiográfico - que deixa confusos leitores e parte da crítica da época -, desenvolve ao longo da narrativa uma ambiguidade entre o autor e o sarcástico “personagem José Agudo”. Assim, no que seria um percurso autobiográfico são forjados elementos da vida do escritor que colaboram para a falta de clareza e impedem ao leitor ter certeza de quem é o homem oculto pelo pseudônimo. Na biografia traçada, o narrador-personagem nasce no Nordeste – no Ceará, em Sergipe ou no Maranhão – muda-se para o Rio de Janeiro, então capital do país, e acompanha o processo político e a especulação financeira da transição do império para a república – elaborando uma boa caracterização desse momento histórico. Na obra, próximo dos 40 anos e vivendo já há algum tempo em São Paulo, tornar-se enfim um “escritor consagrado”.

Gente Rica e Gente Audaz compõem junto de Amor Moderno, Cenas Sobre a Vida Paulistana – obra posterior, publicada em 1915 – a trilogia que descreve de modo irônico e mordaz os costumes da sociedade paulista em seu afã cosmopolita e seus modos e hábitos provincianos.

O autor se aventura ainda no gênero romanesco, com O Dr. Paradol e o seu Ajudante – Romance, de 1913. Neste livro, aproxima o andamento das crônicas, com a ironia dada pelo tom de folhetim, ao de um romance. No centro da trama, aborda o pouco rigor adotado nas discussões sobre a racionalidade no país, materializado na figura do Dr. Paradol, coordenador do Instituto Racional,  que se propõe a responder, em anúncios de jornal, perguntas de quase qualquer natureza fazendo uso da “racionalidade”.

Outras informações de José Agudo:

  • Outros nomes
    • José da Costa Sampaio
  • Habilidades
    • Cronista
    • Romancista
    • professor
    • Pesquisador

Fontes de pesquisa (3)

  • MARTINS, Wilson. História da inteligência brasileira. São Paulo: Cultrix: Edusp, 1978.
  • PELEIAS, Ivan Ricardo; BACCI, João. Pequena cronologia do desenvolvimento contábil no Brasil. Revista de Administração On-Line, Fecap, v. 5, n. 3, 2004. p. 39-54.
  • SALIBA, Elias T. Aventuras e desventuras de José Agudo, um cronista da pauliceia na belle époque. Revista USP, São Paulo, v. 63, n. 63, 2005, p. 102-109.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • JOSÉ Agudo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13921/jose-agudo>. Acesso em: 10 de Jul. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7