Artigo da seção pessoas Katia Maciel

Katia Maciel

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Literatura / cinema  
Data de nascimento deKatia Maciel: 09-08-1963 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Katia Valeria Maciel Toledo (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1963). Artista, poeta, cineasta, pesquisadora e professora. Sua produção desenvolve-se a partir de uma prática híbrida entre arte e teoria, com enfoque nos desdobramentos do cinema e nas possibilidades de contato entre público e obra.

Em 1985, conclui a licenciatura em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Ainda durante o curso, tem seu primeiro contato com o cinema ao ser convidada para trabalhar como pesquisadora no filme Carta aos Credores (1985), do cineasta brasileiro Sílvio Tendler (1950). Pouco tempo depois seu interesse pela área se confirma ao idealizar, com o empresário Antonio Paulo Ferraz, o festival de cinema A Cara do Rio (1982), que reúne filmes que mostram a cidade do Rio de Janeiro.

Muda-se para Paris em 1988 para cursar o mestrado em Cinema et Histoire na École des Hautes Études en Sciences Sociales. Sob orientação do professor e historiador francês Marc Ferro (1924), defende a dissertação Woody Allen: Monsieur New York City (1990), em que investiga a ideia de cidade em três filmes do cineasta: Manhattan, Annie Hall e Zelig.

Inicia o doutorado em Comunicação na UFRJ (1991), onde ingressa como professora em 1994, e como professora titular em 2015. Sob orientação do pensador francês Jean Baudrillard (1929/2007), e dos professores Rogerio Luz (1936) e André Parente (1957) – com quem realizará diversas parcerias no campo artístico –, defende a tese Poeta, Herói, Idiota: O Pensamento de Cinema no Brasil, publicada em 2000, em que investiga três filmes brasileiros, Terra em Transe (1967), Os Inconfidentes (1972) e A hora da Estrela (1985), a partir da ideia que desenvolve de 'cine-personagens', que intensificam a relação entre cinema e literatura.

Realiza seu primeiro vídeo, O Banho, em 1993. O trabalho aproxima a pintura e a fotografia do artista francês Edgar Degas (1834-1917), e investiga a relação entre imagem fixa e em movimento. Desde o início de seu processo artístico, enfatiza a linguagem cinematográfica e sua relação com as artes plásticas, com a performance e com a poética, como se observa também nas obras Inútil Paisagem (2005) e Desarvorando (2006/2015).

Realiza pesquisas e projetos sobre a obra de outros artistas brasileiros. Lança o CD-ROM H.O Supra-sensorial (1998), em que registra em vídeo a exposição retrospectiva de Hélio Oiticica (1937/1980). Recebe o Prêmio RioArte (2000), com o projeto Através: a obra de Cildo Meireles, em que investiga e registra toda a produção do artista. E lança em 2001 o CD-ROM e vídeo O tempo é um momento infinitamente curto… A obra de Artur Barrio. O estudo da obra desses artistas influência a prática de Maciel, principalmente suas pesquisas sobre a participação do espectador, o caráter ambiental na obra de arte, as instalações e a interatividade possibilitada pelas novas tecnologias. Elementos estes presentes em obras como Mar Adentro (2014) e Ebulição (2018).

Com André Parente, realiza parcerias em vídeos e instalações, geralmente explorando as relações amorosas a partir de operações performáticas de soma, diminuição, divisão e multiplicação, como em Dança das Cadeiras (2007) e +2 (2008/2012). Em 1997, iniciam juntos a direção da coleção de livros N-Imagem, que reúne autores importantes para o pensamento da imagem contemporânea.

Entre 2002 e 2018, realiza filmes, vídeos, instalações participa de uma série de exposições, publica livros, organiza encontros e seminários e recebe prêmios. Seus trabalhos investigam a ideia de uma natureza urbana, os códigos amorosos e seus clichés e as performances poéticas na construção de imagens muitas vezes ativadas pela presença do espectador.

Entre as exposições individuais, destacam-se: Ondas: Um Dia de Nuvens Listradas Vindas do Mar, apresentada no CCBB Rio de Janeiro (2006/2014), no MIS São Paulo (2009), e na Maison Européenne de la Photographie (Paris, 2014), em que apresenta uma instalação interativa que explora a aproximação entre dois sentidos da palavra onda: 'movimento do mar' e 'pulsação de energia'; e Ebulição, no Oi Futuro Flamengo (Rio de Janeiro, 2018), uma performance instalativa interativa em que um coro feminino de "sins" leva a água à ebulição. 

Publica quatro livros de poesia, Zun (2012), Repetir (2016); Trailer (2017) e Plantio (2019). Na área editorial, ainda destacam-se, entre outros, Brasil experimental: Guy Brett (2005), que revela a partir de textos sobre 21 artistas brasileiros a posição singular do crítico e curador inglês, voltada para a produção mais experimental; e Transcinemas (2009), em que cunha o termo 'transcinema' para definir a expansão dos dispositivos clássicos do cinema, agregando as novas tecnologia, ampliando a sua abrangência e conferindo a ele um caráter interativo.

Na área acadêmica, ainda realiza pós-doutorado em artes interativas na University of Wales College (Londres, 1997), onde desenvolve o projeto CD-ROM One, none and a hundred thousand, em que explora o nonsense nas relações amorosas; em Ciências Sociais Aplicadas pela Universidade de São Paulo USP (2014), com a pesquisa O filme como matéria nas instalações contemporâneas; e na New York University NYU, com a pesquisa Cinema, performance e palavra nas instalações contemporâneas (2019).

A atuação de Katia Maciel como artista, pesquisadora e escritora, nacional e internacional, contribui para a circulação da arte contemporânea brasileira, tanto através de sua obra, quanto a partir do estudo da obra de outros artistas e intelectuais. Sua produção voltada ao cinema em seu campo expandido contribui para estimular a pesquisa, sua aplicação e expansão no campo da arte. 

Outras informações de Katia Maciel:

  • Outros nomes
    • Katia Valeria Maciel Toledo
    • Kátia Maciel
  • Habilidades
    • Roteirista
    • Poeta
    • Professora universitária
    • Curadora
    • Pesquisadora

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (7)

  • ANDRADE, Fernando. Quatro perguntas para a escritora Katia Maciel. Revista Digital Ambrosia, 11 ago. 2017. Disponível em: 
    < http://ambrosia.com.br/literatura/quatro-perguntas-para-autora-katia-maciel/ >.

    Acesso em: 21 ago. 2017.
  • MACIEL, Katia. Currículo Currículo do artista. Plataforma Lattes, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Disponível em: < http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783910A2 >.
    Acesso em: 21 ago. 2017.

  • MACIEL, Katia. Katia Maciel. São Paulo: Cobogó, 2018.
  • MACIEL, Katia. [Currículo]. Enviado pela artista em: 4 nov. 2019.
  • KATIA MACIEL. Site oficial da artista. Disponível em: < http://www.katiamaciel.net/ >. Acesso em: 21 ago. 2017.
  • MACIEL, Katia. [Currículo]. Enviado pela artista em: 11 mar. 2014.
  • Zipper Galeria. Katia Maciel. São Paulo. Disponível em: https://www.zippergaleria.com.br/pt/artistas/katia-maciel/. Acesso em: 10 nov. 2019

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • KATIA Maciel. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13785/katia-maciel>. Acesso em: 26 de Fev. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7