Artigo da seção pessoas Lenine

Lenine

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deLenine: 02-02-1959 Local de nascimento: (Brasil / Pernambuco / Recife)

Biografia

Osvaldo Lenine Macedo Pimentel (Recife PE 1959). Compositor, cantor, violonista, arranjador, produtor. Quando criança, inicia seus estudos musicais com o violão emprestado de sua irmã e com o Pai ouvia música que variava entre folclore russo e Tchaikovsky a Dorival Caymmi e Jackson do Pandeiro. Mais tarde, na adolescência, Torna-se fã do rock, ouvindo Led Zeppelin a Zappa e The Police. Outra escuta que marca fortemente sua formação musical é a sonoridade do Clube da Esquina. Começa a compor aos 17 anos e, no final dos anos 1970, pouco antes de muda-se para o Rio de Janeiro para se dedicar a carreira de compositor, frequenta o Conservatório Pernambucano. Participa do festival MPB 81, promovido pela TV Globo, com a música Prova de Fogo, em parceria com Zé Rocha, e lança um compacto com essa canção. Em 1983 lança o seu primeiro LP Baque Solto com o compositor e letrista Lula Queiroga. Classifica em terceiro lugar a composição Virou Areia (com Bráulio Tavares) no festival 8º FAMPOP, participando do disco homônimo do evento, gravado ao vivo em 1990.

A Roda do Tempo, em parceria com Bráulio Tavares é gravada por Elba Ramalho em 1989. No ano seguinte, a canção As Voltas que o Mundo Dá, parceria com Dudu Falcão, integra a trilha da novela da Rede Manchete A História de Ana Raio e Zé Trovão. Dez anos depois de seu disco de estreia lança Olho de Peixe (1993) em parceria com o percussionista Marcos Suzano. Seu primeiro disco solo, lançado em 1997, O Dia em que Faremos Contato, ganha o prêmio Sharp 98, e tem três de suas faixas escolhidas para trilhas de novelas e minisséries de TV. Em seguida lança o disco Na Pressão (1999) com composições em parceria com Lula Queiroga, Dudu Falcão, Bráulio Tavares, Sergio Natureza, Arnaldo Antunes, Carlos Rennó e Paulinho Moska.

Em 2002 Lenine grava Falange Canibal com participações do músico norte americano Will Calhoun, baterista do grupo Living Colour, e da compositora americana Ani Di Franco (1970). No ano de 2004, grava o álbum Lenine In Cité (2004), com a cantora e contrabaixista cubana Yusa e o percussionista argentino radicado no Brasil, Ramiro Musotto. Lança o Acústico MTV - Lenine em 2006. Em 2007 compõe a trilha sonora de A Centelha, espetáculo do Grupo Corpo, e, em seguida, a trilha para Breu, do mesmo grupo. Em 2008 grava o disco Labiata, cujo nome é em homenagem a uma das espécies de orquídeas, das quais é colecionador. Este trabalho contempla uma parceria póstuma com o conterrâneo Chico Science, Samba e Leveza.

Sua participação em trilhas rende a compilação do disco Lenine.doc/Trilhas (2010), com canções que não constavam em nenhum dos discos do compositor. No ano seguinte lança Chão (2011), utilizando combinação de sons musicais e ruídos cotidianos com programações eletrônicas, e não utiliza bateria ou percussão. Dos interpretes de suas canções destacam-se Fernanda Abreu (Jack Soul Brasileiro, 1997), Milton Nascimento (Paciência, 2010), Maria Rita (Lavadeira do Rio, 2008) Maria Bethânia (Nem Sol, Nem Lua, Nem Eu, 2001), Tim Maia e os Cariocas (Amigos do Rei, com Braulio Tavares, 1997), Elba Ramalho (Leão do Norte, com Paulo Cesar Pinheiro, 1996). Participa do CD Balaio do Sampaio em homenagem ao cantor e compositor Sérgio Sampaio, interpretando a canção inédita Pavio do Destino, e compõe a partir de poemas de Geraldo Carneiro, para o disco Por mares nunca dantes (2004).

Produz diversos discos, entre eles o de Maria Rita (Segundo, 2005), Chico César (De Uns Tempos Pra Cá, 2005) e Pedro Luís e a Parede (Ponto Enredo, 2008). Na televisão faz a direção musical de Caramuru, a invenção do Brasil de Guel Arraes e Jorge Furtado e participa também da direção do musical Cambaio, de João Falcão e Adriana Falcão, baseado em canções de Chico Buarque e Edu Lobo.

 

Comentário Crítico

O compositor inicia sua carreira no Rio de Janeiro, porém as células rítmicas pernambucanas e a batida percussiva no violão denunciam suas origens. Seu estilo de tocar violão, que o consagra na linha evolutiva do violão brasileiro, utilizando cordas soltas nos acordes, linhas marcadas de baixo e harmônico sempre foram marcantes na sua forma de tocar. Lenine revela que sua criatividade se deu no intuito de "tirar de ouvido" todos os elementos da música, incluindo contrabaixo e percussão, para o violão, e assumindo os ruídos do mesmo, como o trastejar.

Seu primeiro disco, Baque Solto (1983), com o parceiro musical que se manterá em sua produção, Lula Queiroga, é uma mescla de ritmos de maracatu e cirandas transpostos para outros instrumentos. Nesse sentido podemos afirmar que esse álbum prenuncia o movimento Mangue Beat, ocorrido nos anos 1990. Um grande hiato de tempo entre o primeiro álbum e o lançamento do disco Olho de Peixe, período de amadurecimento musical e também de forte refluxo da chamada MPB, mas que Lenine reestabelece com os êxitos Relampiano, A medida da Paixão, Hoje eu quero Sair Só, ao lado dos compositores Chico Cesar, Moska, Pedro Luís, integrantes da geração pop da MPB.  Neste período também trabalha como violonista em shows de Danilo Caymmi. Olho de Peixe, por sua síntese estética é um marco na carreira de Lenine, a partir dele também se observa claramente outras características que se mantém em sua obra: cadências harmônicas elaboradas, harpejos, bordões que fazem função de chamada para outras partes da música. Estes elementos o aproximam como compositor de suas referências assumidas, Hermeto Pascoal, Djavan, Gilberto Gil, MiIton Nascimento, a música erudita, e também de algumas vertentes do rock como The Police, Led Zeppelin, Jehtro Tull e Frank Zappa (1940-1993). Talvez por essa razão um dos jargões em torno de seu nome é que os aficcionados do rock o consideram MPB, e os fãs de MPB dizem que seu "som" é muito rock.

A forma de misturar gêneros é ainda mais exarcebada a partir do álbum O Dia em que Faremos Contato (1997), onde entra a eletrônica, através das programações do produtor Chico Neves. Esse disco demonstra um grande contraste em relação a concepção acústica de Olho de Peixe (voz, violão e percussão orgânica), nele Marcos Suzano convive com os beats eletrônicos de Chico Neves. Nesse disco reconhecemos o seu estilo de tocar violão característico, com cordas bem puxadas, em uma amálgama de ritmos como maracatu e caboclinho com o funk e o pop. Essas fusões em sua composição são extremamente conscientes, assim como também é a sua consciência de cronista de seu tempo, como compositor. Por isso não gosta de definir sua música por adjetivos, mas defende o termo cantautor, se definindo com um trovador contemporâneo, que transita entre o texto e a canção para retratar a sua realidade e seu tempo através de sua música. Esse traço é evidente no disco Na Pressão (1999), como a canção Jack Soul Brasileiro, que, em sua letra, relata muito do que Lenine realiza na prática.

O compositor coloca em canções e atitudes a sua crença que arte também é política. Seu engajamento está presente na sua atuação com ONGs, e retratada em suas músicas com cunho de crítica social como Relampiano e Rosebud, ambas do disco Falange Canibal (2003) e críticas sociais, como em A Mancha e É Fogo gravadas em Labiata (2008). Lenine também se utiliza de sua arte para causas sociais, participando de shows de apoio a causas ambientais e divulgando o trabalho de ONGs.

Lenine acompanha todo oo processo de produção do CD, desde o encarte até a masterização, e é co-produtor de todos os seus discos. Essa atitude pode ser considerada, de certa forma, um reflexo inicial das transformações tecnológicas e mercadológicas que afetaram a música depois dos anos 1990, contexto que acaba resultando numa geração de compositores que participam de todas as etapas de sua produção musical.

A relação com a França demonstra o sentido de "globalização" que Lenine busca em seu trabalho. Seus laços com o exterior são reforçados com sua composição tema do Ano do Brasil na França e o disco Lenine In Cité (2004) pode ser considerado o ícone dessa internacionalização. Além de contar com outros dois artistas latino-americanos, o show é gravado em Paris gerando tanto o disco quanto um DVD. Esse projeto que surge a partir de um convite do Cité de La Musique para o "Carte Blanche", no qual a instituição abre as portas para o artista fazer o show que desejar. A partir dessa momento, Lenine passa a ser um dos artistas brasileiros de maior vendagem na Europa.

Sua experiência como compositor de trilhas, além de lhe render um álbum, transforma a sua maneira de compor, fazendo com que seus próximos discos tenham características mais temáticas. A partir de um mote inicial, que já agrega todo o álbum, ele se propõe a fazer as canções dos discos Labiata (2010) e Chão (2012). Outro aspecto desse último trabalho é o empenho do autor em trazer a experiência do disco para o show. As caixas de som são dispostas por todo o teatro e reproduz a espacialidade do disco e os ruídos utilizados como chaleira fervendo, serra elétrica e batida do coração.

Outras informações de Lenine:

  • Outros nomes
    • Oswaldo Lenine Macedo Pimentel
    • Osvaldo Lenine Macedo Pimentel
  • Habilidades
    • Cantor/Intérprete
    • Compositor
    • Instrumentista

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (10)

  • ADONAY, Ariza. Eletronic samba: a música brasileira no contexto das tendências internacionais. Annablume, 2006.
  • Dicionário Cravo Albin. Disponível em http://www.dicionariompb.com.br/lenine/dados-artisticos   Acessado em 12 mar 2012
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • NESTROVSKI, Arthur (Org.)  Música popular brasileira hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • PALUMBO, Patricia. Vozes do Brasil DBA, 2002
  • Programa do Espetáculo - Cambaio - 2001. Não Catalogado
  • Roda Viva com Lenine - TV Cultura - 23 de janeiro de 2012 . Disponível em tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/lenine-no-centro-do-roda-viva Acessado em 12 mar 2012
  • Site oficial de Lenine. Disponível em http://www.lenine.com.br/ Acessado em 12 mar 2012
  • TELES, José Do frevo ao manguebeat  Editora 34, 2000
  • VELOSO, Bruna- Homem de bem. In Revista Roling Stones. Disponível em http://www.rollingstone.com.br/edicao/edicao-61/homem-de-bem Acessado em 12 mar 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • LENINE . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13361/lenine>. Acesso em: 21 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7