Artigo da seção pessoas Chico Botelho

Chico Botelho

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Cinema  
Data de nascimento deChico Botelho: 1948 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / Santos) | Data de morte 08-11-1991 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Francisco Cassiano Botelho Júnior (Santos, SP, 1948 - Rio de Janeiro, RJ, 1991). Fotógrafo, roteirista, cineasta e professor universitário. Nasce em Santos, onde vive até os 16 anos, quando se muda com a família para São Paulo. Em 1966, inicia curso de engenharia mecânica, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e, paralelamente, dá aulas particulares de matemática. Conclui apenas o primeiro ano da graduação e, em 1969, ingressa no curso de cinema, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), formando-se em 1973. No ano seguinte, torna-se professor de fotografia no setor de cinema da ECA e prossegue com a carreira acadêmica, defendendo dissertação de mestrado e tese de doutorado na mesma universidade. 

No final dos anos de 1960, atua em peças de teatro de diretores como Zbigniew Ziembinski (1908-1978) e Antonio Pedro Borges (1940), mas é na realização de trabalhos para a televisão que Botelho se profissionaliza. Na Rádio e Televisão Cultura (RTC) é assistente de direção, cinegrafista, produtor, diretor de fotografia e diretor em séries e programas especiais. Nos anos de 1980, é diretor de fotografia de documentários para a Rede Globo, para a rede de televisão inglesa BBC e para alemã ZDF.

O trabalho como diretor cinematográfico tem início com os curtas-metragens produzidos pela ECA/USP: Gare do Infinito (1972), Os Cinco Patamares (1972), Exposição - Henrique Alvim Correa (1974) e Corpo de Baile (1974), todos codirigidos por Ella Dürst (1951). Nos anos seguintes, assina a direção de fotografia de longas-metragens, com destaque para As Três Mortes de Solano (1976), de Roberto Santos (1928-1987); Daniel, o Capanga de Deus (1977), de João Baptista Reimão (1940), ao lado do fotógrafo Dib Luft (1936); e Estrada da Vida (1980), de Nelson Pereira dos Santos (1928).

Em 1981, em parceria com seis cineastas, funda a produtora Tatu Filmes que, com outras produtoras instaladas no bairro paulistano da Vila Madalena, compõem o chamado cinema da Vila. Na mesma época, preside a Associação Paulista de Cineastas (Apaci), voltada à reflexão e à articulação de políticas para o campo cinematográfico paulista.

Com recursos da Embrafilme, roteiriza e dirige seu primeiro longa, Janete (1982), premiado em festivais nacionais. Em 1984, com financiamento da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, filma o curta A Longa Viagem, documentário sobre a geração hippie. Em 1985, desliga-se da Tatu Filmes e, com Maria Ionescu (1958), funda a Orion Cinema e Vídeo. No ano seguinte, dirige seu segundo longa, Cidade Oculta (1986), filme mais premiado de sua carreira, alcançando sucesso de público e de crítica.

Realiza videoclipes para a gravadora Polygram e colabora como assistente de fotografia e roteirista em produções de cineastas, sobretudo paulistas. De 1989 a 1990, é representante dos realizadores cinematográficos no Conselho Nacional de Cinema (Concine). Em 1991, graças ao prêmio recebido da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, filma o documentário A Cidade e o Corpo. Falece no mesmo ano, na cidade do Rio de Janeiro, onde realizaria a direção de fotografia da série Paisagens Urbanas, de Nelson Brissac Peixoto (1951), coproduzida pela TV Cultura.

Comentário crítico
Chico Botelho integra uma geração de profissionais de cinema egressos da ECA/USP que marca a década de 1980 em São Paulo. Realiza filmes, mas também desenvolve projetos para televisão e publicidade. Participa de ações coletivas na criação de suas produtoras e reivindica espaço nas políticas de financiamento dos órgãos públicos, como a Embrafilme e a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. O cinema produzido por esses jovens fica conhecido como cinema da Vila ou jovem cinema paulista, termos questionados pela crítica e pelos próprios realizadores. Em 1985, Jean-Claude Bernardet (1936), um dos primeiros críticos a escrever sobre o grupo, assinala algumas das características de suas obras: duplicidade estrutural (linearidade e fragmentação), oscilação entre cinema de autor e cinema industrial, exploração da sensibilidade urbana, citacionismo e caráter acrítico.

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Outras informações de Chico Botelho:

  • Habilidades
    • diretor de fotografia
    • cineasta
    • roteirista

Eventos relacionados (4)

Fontes de pesquisa (9)

  • AVELLAR, Marcello Castilho. Janete: a verdadeira inocência. Disponível no Anuário do Cinema Brasileiro (P. 853/3), da Cinemateca Brasileira, (s.d.).
  • BARBOSA, Andréa Claudia Miguel Marques. São Paulo: cidade azul. Imagens da cidade construídas pelo cinema paulista dos anos 80. 2002. 198 f. Tese (Doutorado) - Faculdade de Filosofia, Letras  e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, São Paulo, 2002. 
  • BERNARDET, Jean-Claude. Os Jovens Paulistas. In. XAVIER, Ismail.; BERNARDET, Jean-Claude.; PEREIRA, Miguel. O desafio do cinema: a política do Estado e a política dos autores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985. p. 65-91.
  • BOTELHO JÚNIOR, Francisco Cassiano. Técnica e estética na imagem do novo cinema de São Paulo. 1991. 292 p. Tese (Doutorado) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo.
  • BOTELHO JÚNIOR, Francisco Cassiano. Memorial. São Paulo: ECA/USP, 1991. 62 p.
  • BUENO, Zuleika de Paula. As harmonias padronizadas da juventude: a produção de um cinema juvenil brasileiro. Comunicação, Mídia & Consumo. São Paulo, vol. 5, nº 13, jul. 2008. P. 27-34
  • COIMBRA, Cristiano Maitan. O cinema da Vila Madalena como modelo para a retomada: as lições, as direções, a técnica. O desfecho glorioso de uma geração pioneira. 2007. 97 f. Monografia (Especialização) - Pontíficia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP, São Paulo, 2007.
  • PUCCI JR., Renato Luiz. Cinema Brasileiro Pós-Moderno: o neon-realismo. Porto Alegre: Sulina, 2008. 279 p.
  • TAVEIRA, Maurício Cândido. Entrelaçamentos, interfaces, hibridismos, passagens em Anjos da Noite, a Dama do Cine Shangai e Cidade Oculta. 2001. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CHICO Botelho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa13140/chico-botelho>. Acesso em: 24 de Jun. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7