Artigo da seção pessoas Ná Ozzetti

Ná Ozzetti

Artigo da seção pessoas
Música / artes visuais / teatro  
Data de nascimento deNá Ozzetti: 12-12-1958 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Maria Cristina Ozzetti (São Paulo, SP, 1958). Cantora, compositora. É no ambiente familiar, onde ouve de ópera a música popular, que Ná (apelido dado por sua irmã mais nova) descobre o gosto pelo canto, ainda criança, imitando a cantora italiana Rita Pavone ou cantando com a família nos almoços de domingo. Assim como os irmãos Dante (violonista e compositor), Martha (flautista) e Marco (guitarrista), é incentivada pelos pais a estudar um instrumento. Escolhe o piano, mas não chega a se dedicar seriamente. Na era dos festivais, descobre a música brasileira, da Bossa Nova ao Iê-iê-iê, e mais tarde se interessa pelo jazz.

Aos 15 anos, atua como backing vocal da banda de Dante em festivais interescolares de música. Mas é somente durante a faculdade de Artes Plásticas, cursada na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, entre 1976 e 1979, que se profissionaliza como cantora. Por meio da colega e futura artista plástica Edith Derdyck, conhece Paulo Tatit, integrante do ainda desconhecido Grupo Rumo1. A banda, formada apenas por homens, procurava uma vocalista feminina. Ná Ozzetti assume o posto em 1979 e nele permanece até a dissolução do grupo, em 1992. Ao lado de bandas como Isca de Polícia, Premeditando o Breque e Língua de Trapo, o Rumo integra o movimento conhecido como Vanguarda Paulistana, que marca a cena musical independente da cidade de São Paulo nos anos 1980. Com o grupo, Ná Ozzetti grava 4 LPs, além do disco infantil Quero Passear (1988), do DVD Rumo, do CD Rumo ao Vivo (1992) e Sopa de Concha, resultado dos reencontros da banda em 2006 e 2010. Paralelamente ao trabalho com o grupo, aprofunda os estudos musicais, tendo aulas de canto lírico na Fundação das Artes de São Caetano e, mais tarde, com a cantora Claudia Mocchi. Nessa época, também começa a estudar dança, atividade que a praticaria por vários anos, além de dar aulas particulares de técnica vocal.

Em 1983, acompanhada pelo irmão Dante, começa a trilhar nos palcos sua carreira solo, oficializada em 1988 com o álbum Ná Ozzetti, vencedor do prêmio Sharp de revelação feminina na categoria MPB. O segundo disco, (1994), é marcado por canções próprias, em parcerias com Itamar Assumpção (Inspiração, Só comigo e Lá vai a Ná na nave pra lá, as duas últimas com Dante Ozzetti), Luiz Tatit (Atração fatal e Nosso dia D), Edith Derdyc (Lugar) e Susana Salles (O verde que cai pro mar). O álbum, menos experimental que o anterior, com uma leitura da ária da ópera Carmen, de Bizet, conquista os prêmios Sharp de melhor disco e melhor arranjador (Dante Ozzetti) na categoria pop-rock. Em 1996, lança Love Lee Rita, só com canções de Rita Lee, o primeiro a fazer sucesso no rádio, com a faixa Modinha entre as mais tocadas. Com o CD Estopim (1999), inaugura seu selo independente (Ná Records) e dá continuidade às antigas parcerias, entre elas Canto em qualquer canto, com Itamar Assumpção, gravada por Mônica Salmaso em 1998, e Capitu, com Luiz Tatit, gravada por Zelia Duncan.

Em 2000, é premiada como melhor intérprete no Festival da Música Brasileira, promovido pela Rede Globo, cantando Show, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri. O prêmio lhe rende a gravação, pela Som Livre, do disco Show (2001), que além da faixa-título traz clássicos das décadas de 1940 e 1950. Em parceria com o pianista André Mehmari, grava canções de diversas épocas e estilos no CD Piano e Voz (2005). Ainda relê o repertório de Carmem Miranda em Balangandãs (Ná Records/MCD, 2009, melhor CD de música popular no 5º Prêmio Bravo! Prime de Cultura), antes de retomar o trabalho autoral, em 2011, com o disco Meu quintal (Borandá). Nele, comemora 30 anos de carreira gravando parcerias inéditas com Luiz Tatit, Alice Ruiz, Zélia Duncan e Arthur Nestrovski, entre outros.

Comentário crítico
O estilo interpretativo de Ná Ozzetti, bastante singular, reflete as diversas influências recebidas pela cantora ao longo de sua trajetória. O canto-falado, recurso desenvolvido pelo Grupo Rumo que consiste em mimetizar, na entonação da canção, os desenhos melódicos característicos da fala, transparece ao longo de toda a sua obra. Nos primeiros álbuns, o recurso é mais evidente, em interpretações como a de Sua estupidez, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, registrada em Ná Ozzetti (1988). Nessa gravação, a cantora alterna o canto tradicional ao falado, fazendo com que o ouvinte oscile entre o estranhamento e reconhecimento da composição. Os versos iniciais têm sua melodia totalmente alterada, quase irreconhecível, cantados sobre notas paradas com poucas variações melódicas. Pouco depois, a melodia original aparece, mas numa entonação bastante particular, cheia de portamentos (deslizes da voz entre uma altura e outra, como o que se ouve na sílaba "lhei" do verso "Não dê ouvidos à maldade alheia e creia"), um dos traços mais característicos do estilo da cantora. Novas passagens "faladas" se alternam às cantadas, até a voz explodir num canto vigoroso, a plenos pulmões, para se encerrar numa expressão coloquial, inexistente na canção original: "Viu?". Embora o canto falado perca, aos poucos, espaço no trabalho da intérprete, ele deixa marcas profundas em sua forma de cantar, que podem ser notadas nos deslizes melódicos sutis, geralmente de microtons2, que aparecem em praticamente todas as suas interpretações, mesmo nas mais líricas, sempre a lembrar o ouvinte que a voz que canta é também a voz que fala. Trata-se de um trabalho sutil, em que a expressividade aparece nos mínimos detalhes da entoação melódica, ora num ataque ligeiramente atrasado ou adiantado, ora numa nota "falada" em vez de cantada, ainda que na altura "correta".

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Outras informações de Ná Ozzetti:

  • Outros nomes
    • Maria Cristina Ozzetti
    • Ná Ozetti
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • compositora
    • arranjador
    • produtora musical

Espetáculos (1)

Exposições (1)

Eventos relacionados (7)

Fontes de pesquisa (8)

  • ALBIN, Ricardo Crav. Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Disponível em: <http://www.dicionariompb.com.br/na-ozzetti>. Acesso em: 25 set. 2011.
  • BARNABÉ, Arrigo. "A voz do rumo (ou o rumo da voz)". Programa Supertônica. São Paulo, Radio Cultura FM, 22 de janeiro de 2010. Disponível em: <http://www.culturabrasil.com.br/programas/supertonica/arquivo-11/a-voz-do-rumo-ou-o-rumo-da-voz>. Acesso em: 04 out. 2011.
  • BUCCI, Eugênio. "Ná Ozzetti". In: NESTROVSKI, Arthur (ORG.). Música Popular Brasileira Hoje. São Paulo: Publifolha, 2002.
  • MURGEL, Ana Carolina A. de Toledo. Alice Ruiz, Alzira Espínola, Tetê Espíndola e Ná Ozzetti: produção musical feminina na vanguarda paulista. Dissertação de mestrado. Campinas, IFCH-UNICAMP, 2005.
  • NÁ OZZETTI. Entrevista concedida ao site Gafieiras em 23 de fevereiro de 2008. Disponível em: <www.gafieiras.com.br>.  Acesso em: 25 set. 2011.
  • NÁ OZZETTI. Site oficial da artista. São Paulo, 2010. Disponível em: <www.naozzetti.com.br>. Acesso em: 23 set. 2011.
  • PALUMBO, Patricia. "Na Ozzetti". In: Vozes do Brasil. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 2002.
  • Programa do Espetáculo - A Fábula de um Cozinheiro - 2000 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • NÁ Ozzetti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12967/na-ozzetti>. Acesso em: 18 de Ago. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7