Artigo da seção pessoas Hans Joachim Koellreutter

Hans Joachim Koellreutter

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deHans Joachim Koellreutter: 02-09-1915 Local de nascimento: (Alemanha / Baden-Württemberg / Freiburg) | Data de morte 13-09-2005 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Hans-Joachim Koellreutter (Freiburg, Alemanha 1915 - São Paulo SP 2005). Compositor, professor, flautista, regente. A resistência ao autoritarismo é uma das marcas da trajetória de Koellreutter. Ainda menino, recluso em casa como castigo às traquinagens praticadas na escola, dribla a solidão aprendendo, sozinho, a tocar um velho flajolé.¹ Em 1934, contra a vontade do pai e da madrasta - monarquistas simpatizantes do nazismo -, ingressa na Academia Superior de Música de Berlim e estuda composição com Kurt Thomas. Ali funda o Círculo de Música Nova, que, entre outras afrontas ao governo nazista, toca peças de compositores judeus. Expulso da escola em 1936, por se recusar a filiar-se ao Partido Nazista, conclui os estudos de flauta com Gustavo Scheck e Marcel Moyse e regência com Hermann Scherchen (1891 - 1966) no Conservatório de Genebra, na Suíça. Como flautista, apresenta-se em vários países da Europa.

Denunciado à Gestapo² pela própria família, que não aceita seu noivado com uma judia, imigra em 1937 para o Rio de Janeiro. Começa a lecionar no Conservatório Brasileiro de Música, além de dar recitais e aulas particulares, e tem entre seus alunos o jovem Tom Jobim. Ao lado de importantes representantes da vida musical carioca, cria em 1939 o movimento Música Viva³ e realiza palestras e concertos com obras suas e de seus alunos. Produz o programa Música Viva na Rádio MEC do Rio de Janeiro, de 1939 a 1944, e publica a revista de mesmo nome a partir de 1940. Complementa os rendimentos trabalhando como tipógrafo numa editora de partituras e tocando flauta e saxofone num restaurante da Lapa.

Em 1940, passa a trabalhar na capital paulista, e troca a atividade de tipógrafo pela de vendedor. Dá aulas no Instituto Musical de São Paulo e continua a lecionar no Rio de Janeiro, para onde viaja com frequência, mas não consegue viver exclusivamente de música. Isso só ocorre quando, de volta ao Rio, em 1944, se torna flautista da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Fixa-se novamente em São Paulo em 1949, e aí funda, três anos depois, a Escola Livre de Música Pró-Arte, em que permanece como diretor até 1958. Em Salvador, cria em 1954 os Seminários Livres de Música, que dão origem à renomada Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, dirigida por ele até 1962.

Koellreutter desenvolve ainda intensa atividade internacional. Em 1948, naturaliza-se brasileiro, é recebido no 11º Festival Internacional da Música Contemporânea da Bienal de Veneza como líder de uma nova escola de composição do Brasil. No ano seguinte, leciona no curso de verão de Darmstadt, Alemanha. Isso o inspira a criar, em 1950, o Curso Internacional de Férias Pró-Arte, em Teresópolis, Rio de Janeiro, inaugurando a tradição de cursos e festivais de férias no país. Nos anos 1950, atua como professor e regente na Europa, divulgando trabalhos seus e dos alunos. Com bolsa da Fundação Ford, em 1962, torna-se artista residente em Berlim. Como diretor do Instituto Goethe, trabalha em Munique (1963-1964), Nova Délhi (1965-1969) e Tóquio (1969-1975).

Retorna ao Brasil em 1975, e se fixa definitivamente. Continua exercendo a atividade docente por longo período, mesmo após ser acometido pelo mal de Alzheimer.


Notas
1 Pequena flauta de apenas seis furos. Hoje, em desuso, antigamenteera tocada em bandas militares.

2 Acrônimo em alemão de GeheimeStaatspolizei, nome da polícia secreta do estado nazista alemão (1933-1945).

3 O germe do movimento data de 1938, quando um grupo de críticos músicos que se reúnem na loja carioca Pinguim - entre os quais figuram Luiz Heitor Correa de Azevedo, Andrade Muricy, Brasílio Itiberê, Luis Cosme e o próprio Koellreutter - se organiza a fim de incrementar a atividade musical no Brasil. A proposta é concretizada no ano seguinte, com a realização do primeiro recital. As ideias do grupo - que sofre grandes mudanças com o tempo - são difundidas no boletim mensal Música Viva (1940-1941; 1947), no programa homônimo exibido pela Rádio MEC (1944-1952) e em três conhecidos manifestos (1944, 1945 e 1946).

 

Comentário Crítico

A Berlim da década de 1930, onde Hans-Joachim Koellreutter obtém sua formação inicial, sedia vanguardas artísticas e movimentos de resistência cujo espírito questionador é rapidamente captado pelo jovem músico. Ali ele tem contato com o polêmico compositor alemão Paul Hindemith, embora não chegue a ser seu aluno. É o regente alemão Hermann Scherchen que, igualmente vítima da perseguição nazista, o acolhe em Genebra e o introduz ao atonalismo,¹ à técnica dodecafônica² e a outras correntes de vanguarda. Mas é somente no Brasil que Koellreutter compõe as primeiras peças com o uso da técnica dos 12 sons e, instigado por seu jovem aluno Cláudio Santoro, adquire a tendência para compor com o uso de séries e estuda a fundo a técnica de Arnold Schoenberg, resultando em Improviso, para flauta e piano (1938), Invenção, para oboé, flauta e fagote (1940), e Música, para piano solo (1941).

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Outras informações de Hans Joachim Koellreutter:

  • Outros nomes
    • Hans Joachim Koellreuter
  • Habilidades
    • músico
    • Compositor
    • musicólogo
    • professor de música

Fontes de pesquisa (7)

  • BRITO, Maria Teresa Alencar de. Koellreutter educador: o humano como objetivo da educação musical. São Paulo: Editora Fundação Peirópolis, 2001.
  • CACCITORE, Olga. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio: Forense Universitária, 2005.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. R780.981 M321e 2.ed.
  • KATER, Carlos, Música Viva e H. J. Koellreutter: Movimentos em direção à modernidade. São Paulo: Musa/Atravez, 2001.
  • KOELLREUTTER, J. H. "Entrevista de 1977 com Hans-Joachin Koellreutter". Republicada em O Estado de S. Paulo, 17/09/2005.
  • KOELLREUTTER, J. H. "Lições de vanguarda". Entrevista a Carlos Adriano e Bernardo Vorobow. Folha de S. Paulo, Caderno Mais!, 07/11/1999.
  • NEVES, José Maria. Música contemporânea brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Contracapa, 2008.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HANS Joachim Koellreutter. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12924/hans-joachim-koellreutter>. Acesso em: 23 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7