Artigo da seção pessoas Ernesto Nazareth

Ernesto Nazareth

Artigo da seção pessoas
Música / artes visuais  
Data de nascimento deErnesto Nazareth: 20-03-1863 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 04-02-1934 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Ernesto Silva Nazareth (Rio de Janeiro RJ 1863 - idem 1934). Compositor e pianista. Nasce no Morro do Nhéco, entre os bairros de Santo Cristo e Cidade Nova, na capital do Rio de Janeiro. É o segundo dos cinco filhos de Vasco Lourenço da Silva Nazareth, um pequeno funcionário aduaneiro, e Carolina da Silva Nazareth. Sua mãe, com quem inicia os estudos de piano, morre em 1873, e a família muda-se para o Bairro do Andaraí. Em seguida estuda piano com o professor Eduardo Moreira. Aos 10 anos cai de uma árvore e sofre hemorragia em um dos ouvidos. Esse acidente ocasiona problemas auditivos que se manifestam em 1893 e o acompanham por toda a vida.

Começa a compor, ainda jovem, valsas, polcas, tangos e suas variações, como Você Bem Sabe! (1877), O Nome d'Ella (1879), Cruz Perigo! (1879), e logo publica suas obras pela Casa Arthur Napoleão & Miguez. Em 1881, edita Não Caio n'Outra, seu primeiro sucesso de vendas, em resposta a Caiu, Não Disse?, do flautista Viriato. Publica em várias outras casas editoriais, como a Viúva Filipone e Filha, Buschmann & Guimarães, Pereira & Araújo, Fertin de Vasconcellos & Morand, Vieira Machado & Cia. e mais tarde na E. Bevilacqua e Cia. e Vitalle.

Além de compor, concentra-se no aprendizado de piano, pois pretende tornar-se concertista. Tem aulas com o professor Lucien Lambert em 1881, mas aprofunda seus estudos de maneira autodidata. A partir de 1885 faz concertos em conhecidos clubes da época, como o do Rio Comprido, Engenho Velho, São Cristóvão e Rossini.

Ernesto Nazareth procura sustentar a família com as atividades artísticas, editando suas composições, dando aulas de piano e se apresentando em festas, concertos e lojas de instrumentos musicais, como a Casa Arthur Napoleão & Miguez, um importante centro de irradiação musical da cidade. Como as atividades artísticas profissionais no período são precárias, em 1907 trabalha como terceiro escriturário do Tesouro Nacional, mas logo deixa o cargo. Faz por encomenda alguns hinos e composições. De 1910 a 1913 é contratado para tocar na sala de espera do Cine-Teatro Odeon, na Avenida Central, ao qual retorna em 1918 para tocar acompanhado por pequena orquestra da qual participa Villa-Lobos. Ainda em 1910 edita pela Casa Mozart a obra Odeon, homônima do teatro, que se torna um clássico da música brasileira. Dois anos depois grava a composição em disco 78 rpm pela Casa Edison, com o flautista Pedro Alcântara. Entre 1919 e 1925 trabalha na Casa Carlos Gomes, fundada por Eduardo Souto, como pianista demonstrador de partituras, e nas décadas de 1920 a 1930 volta a gravar algumas de suas composições.

No fim da primeira década do século XX, a convite do maestro Alberto Nepomuceno, apresenta ao piano alguns concertos no Instituto Nacional de Música e teatrono Teatro João Caetano, com reação negativa da elite. Essa reação se repete com mais vigor nos concertos organizados por Luciano Gallet em 1922, quando toca somente suas composições. Nos anos de 1926 e 1927 viaja para São Paulo, onde é bem acolhido, e com apoio de Mário de Andrade (1893 - 1945) apresenta-se no Conservatório Dramático Musical e em concertos promovidos pela Sociedade Cultura Artística. Bastante doente e com a surdez avançada, em 1932, faz alguns concertos pelo Rio Grande do Sul e viaja ao Uruguai.

Ao retornar do sul, com os sintomas agravados, interna-se no Hospital de Neurossífilis da Fundação Gaffrée e Guinle. Após nova crise, em 1933, é internado na Colônia Juliano Moreira.

Em fevereiro de 1934 foge da colônia e seu corpo é encontrado no dia 4 nas águas da represa existente na mata nos arredores. É sepultado no cemitério do Caju em 5 de fevereiro.

 

Comentário crítico

A obra de Ernesto Nazareth revela a multiplicidade das experiências musicais realizadas na cidade do Rio de Janeiro entre o fim do século XIX e início do XX. Capital política e econômica do Império e da primeira fase da República, maior porto e centro urbano do Brasil, o Rio atrai por diferentes motivos populações com as mais variadas tradições culturais. Nesse espaço urbano em crescimento e ebulição, para o qual convergem elementos modernizadores e os arcaísmos das tradições escravistas, essas culturas criam, dialogam e sintetizam experiências, e nelas a música ocupa lugar de destaque. Gêneros europeus, sobretudo a polca, mas também quadrilha, mazurca e valsa, executados ao piano nos salões, convivem cotidianamente com os ritmos afro-americanos dos batuques e lundus, e com as modinhas brasileiras. As contaminações e trocas culturais são as mais diversas. Esses gêneros e suas múltiplas misturas são apresentados em extensa rede de difusão musical urbana, constituída por praças e salões, festas públicas e populares, teatros formais e de revista, cafés-concertos e cantantes, e, já no início do século XX, na indústria fonográfica e no Carnaval.

continuar a leitura do texto Continuar a leitura do texto...

Outras informações de Ernesto Nazareth:

  • Outros nomes
    • Ernesto Júlio de Nazareth
  • Habilidades
    • pianista
    • compositor

Espetáculos (1)

Exposições (2)

Fontes de pesquisa (7)

  • WISNIK, José Miguel. Machado Maxixe: o caso Pestana. In: Teresa. Revista de Literatura Brasileira. São Paulo: Ed. 34, n. 4/5, pp. 13-79, 2003.
  • ACERVO Instituto Moreira Salles. Disponível em: <http://ims.uol.com.br/ims/>. Acesso em: 07 dez. 2009
  • ANDRADE, Mário. Ernesto Nazareth (Conferência na Sociedade de Cultura Artística, de S. Paulo). In: Música, doce música. São Paulo: Martins Editora, 1963.
  • ARAÚJO, Mozart. Ernesto Nazareth. In: Revista brasileira de cultura, Rio de Janeiro, ano 4, n. 14, 1972.
  • MACHADO, Cacá. O enigma do homem célebre: ambição e vocação em Ernesto Nazareth. São Paulo: Instituto Moreira Sales, 2007.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. 912 p.
  • SANDRONI, Carlos. Feitiço decente. Rio Janeiro: Jorge Zahar/Editora UFRJ, 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ERNESTO Nazareth. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12908/ernesto-nazareth>. Acesso em: 20 de Set. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7