Artigo da seção pessoas Carlos Lyra

Carlos Lyra

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deCarlos Lyra: 11-05-1939 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia
Carlos Eduardo Lyra Barbosa (Rio de Janeiro RJ 1939). Compositor, violonista e cantor. O interesse pelo violão surge com seu tio Edgar, violonista. Na adolescência descobre as canções francesas dos cantores Charles Trenet, Edith Piaf e Jean Sablon. Posteriormente se interessa pelo jazz dos músicos norte-americanos Chet Baker, Gerry Mulligan, Stan Kenton e dos compositores Cole Porter, Irving Berlin e George Gershwin.

Das primeiras composições, da década de 1950, destaca-se Menina, apresentada em concurso da TV Rio, por Geraldo Vandré, com o pseudônimo Carlos Dias, em 1954, e depois gravada por Sylvia Telles, em 78 rpm pela Odeon. No ano seguinte, a canção Criticando é lançada pelo conjunto Os Cariocas.

No colégio, Lyra conhece Roberto Menescal, com quem funda, em 1957, uma academia de música, por onde passam Marcos Valle, Nelson Lins e Barros, Edu Lobo, Wanda Sá, Nara Leão, Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli, entre outros alunos. Com Bôscoli, compõe Lobo Bobo, Se É Tarde Me Perdoa, Saudade Fez um Samba e Canção que Morre no Ar, em 1957; e com o cantor Geraldo Vandré as músicas Quem Quiser Encontrar o Amor e Aruanda, em 1958. Mais tarde, João Gilberto inclui a música Maria Ninguém e duas outras da parceria com Bôscoli no repertório do LP Chega de Saudade, considerado um dos marcos históricos da bossa nova.

A convite do dramaturgo Chico de Assis, Carlos Lyra assume a direção musical do Teatro de Arena em São Paulo. Em 1960 realiza a trilha sonora para a peça A Mais Valia Vai Acabar, Seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, "Vianinha". Trabalha em parceria com o poeta Vinicius de Moraes, de 1960 a 1963. Essa é a fase mais rica de sua produção, com Você e Eu, Coisa Mais Linda, Minha Namorada, as 16 músicas que se transformam na peça teatral Pobre Menina Rica, o Hino da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Marcha da Quarta-Feira de Cinzas. Com Nelson Lins e Barros, compõe Só Amor, Caminho do Adeus, De Quem Ama, Nós Dois, Vem do Amor, canções de seu segundo disco, lançado em 1961.

Um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC/UNE), em 1961, torna-se seu diretor musical e traz para o CPC expoentes da música rural como João do Vale, e do samba morro como Zé Keti, Cartola e Nelson Cavaquinho. Ainda em 1961, por ocasião da Campanha da Legalidade, compõe com Zé Keti o Samba da Legalidade. Um ano depois, cria música para os episódios Escola de Samba Alegria de Viver e Couro de Gato, do filme Cinco Vezes Favela, de Joaquim Pedro de Andrade. Escreve Influência do Jazz, uma crítica ao excesso de improvisação utilizada na música popular brasileira da época, apresentada no Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall de Nova York, em 1962.

Compõe com Chico de Assis a Canção do Subdesenvolvido, incluída no disco O Povo Canta (1963), em prol da construção do teatro do CPC/UNE. No ano seguinte, esse disco é retirado de circulação pela censura federal. Apresenta-se com o grupo do saxofonista norte-americano Stan Getz no Brasil, Japão, Canadá e Estados Unidos, em 1965. É o autor da música do filme O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, de 1966. Desse ano até 1971, vive no México, onde lança dois LPs, faz shows de bossa nova, escreve trilhas musicais para filmes, produz jingles, monta a peça Pobre Menina Rica, monta e dirige a peça infantil O Dragão e a Fada e conhece a atriz Katherine Riddell, com quem se casa.

Volta ao Brasil em 1971 e lança o LP E no Entanto É Preciso Cantar, seguido de Eu e Elas (1972), Carlos Lyra (1973) e Herói do Medo (1974). Na década de 1980, faz música para a peça Vidigal (1982), de Millôr Fernandes (1923), e a canção O Negócio É Amar (1983), com letra da compositora Dolores Duran. Nas décadas seguintes, realiza shows pelo Brasil e no exterior, escreve trilhas, lança CDs e um Songbook (1994). Lança, em 2005, o DVD Carlos Lyra - 50 Anos de Música, pelo selo Biscoito Fino, e o documentário Coisa Mais Linda, do diretor Paulo Thiago. Em 2008, publica o livro Eu & a Bossa - Uma História da Bossa Nova e participa dos eventos comemorativos dos 50 anos da bossa nova.

Comentário crítico
Os compositores impressionistas franceses Claude Debussy e Maurice Ravel marcam profundamente sua memória musical e até hoje Carlos Lyra não consegue imaginar arte moderna sem as referências dos impressionistas. Identifica-os nas músicas de outros compositores favoritos como Igor Stravinsky, Villa-Lobos, George Gershwin e Tom Jobim. Mais tarde, em conversa com Jobim descobrem que se inspiram nas mesmas fontes eruditas e populares. Quando estuda violão, entra em contato com os prelúdios e choros de Villa-Lobos.

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Outras informações de Carlos Lyra:

  • Outros nomes
    • Carlos Eduardo Lyra Barbosa
    • Carlos Lira
    • Carlos Eduardo Lira Barbosa
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • Violonista
    • compositor

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Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (9)

  • Enciclopédia da Música Brasileira. Verbete Carlos Lyra. Art Editora, São Paulo, 1977.
  • Entrevista com Etty Fraser .Planilha enviada pela pesquisadora Rosy Farias Não Catalogado
  • LYRA, Carlos. Bossa Nova, História, Som e Imagem. Spala Editora, São Paulo, SP, 1995.
  • LYRA, Carlos. Eu e a Bossa. Editora Casa da Palavra. Rio de Janeiro, RJ, 2008.
  • Programa do Espetáculo - Abelardo e Heloisa - 1971. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Quando o Coração Floresce - 1984 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - TBC Apresenta Arena-Opinião - 1965 Não catalogado
  • SUZIGAN, Geraldo, O Que É Música Brasileira. Coleção Primeiros Passos. Editora Brasiliense, São Paulo, SP, 1990.
  • SUZIGAN, Geraldo. Bossa Nova, Música, Política e Educação no Brasil. Zimbo Edições Musicais. São Paulo, SP, 2ª ed.1990.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CARLOS Lyra. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12737/carlos-lyra>. Acesso em: 14 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7