Artigo da seção pessoas Fernando Brant

Fernando Brant

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deFernando Brant: 09-10-1946 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Caldas) | Data de morte 12-06-2015 Local de morte: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Biografia
Fernando Rocha Brant (Caldas, MG, 1946 - Belo Horizonte, MG, 2015). Compositor e letrista. A família de origem mineira mantém vida itinerante, pois o pai, juiz de direito, serve em diversas cidades de Minas Gerais. Brant nasce na cidade de Caldas, sul do estado, onde vive até os 5 anos e dali segue para Diamantina. A família, composta de dez irmãos, se instala em Belo Horizonte quando ele tem 9 anos. Na capital realiza sua formação escolar, tem iniciação literária na biblioteca de casa e musical escutando rádio e discos. Ingressa na faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde participa de jornais e do diretório acadêmico. Formado, trabalha no Juizado de Menores de Belo Horizonte e depois como jornalista na revista O Cruzeiro (1969-1974). Em seguida torna-se redator de agência de publicidade e no final dos anos 1970 passa a viver exclusivamente de música.

Em meados da década de 1960, frequenta com colegas estudantes bares e cinemas no centro da cidade, onde conhece os irmãos Borges e outros jovens artistas. Começam a se encontrar para ensaios no apartamento da família Borges e ali conhece Wagner Tiso (1945), Beto Guedes e Milton Nascimento (1942), dando inicio ao movimento clube da esquina. Em 1967, Brant escreve sua primeira letra para uma música de Milton Nascimento, Travessia. A canção obtém o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção da TV Globo, no Rio de Janeiro, revelando a dupla de compositores mineiros. A partir deste momento, passa a ter um papel importante como um dos principais letristas do Clube da Esquina e inicia uma longa amizade e parceria com Milton Nascimento.

Em 1969, muda-se para o Rio de Janeiro para trabalhar na revista O Cruzeiro, mas a parceria com os músicos mineiros permanece. Nesse mesmo ano Milton Nascimento grava algumas de suas composições, como Sentinela, Travessia e Outubro. Na década de 1970 ele grava dezenas de composições de Brant, fazendo dele seu principal parceiro. Nos anos 1980, ainda com Milton Nascimento, compõe alguns sucessos de público, como Canção da América (1980), Nos Bailes da Vida (1982) e Encontros e Despedidas (1985). Nessa década atua na defesa dos compositores e dos direitos autorais, torna-se diretor da União Brasileira de Compositores (UBC), no cargo de presidente, até a década de 2010. Nos anos 1990 continua compondo com o grupo de mineiros, dos quais fazem parte Wagner Tiso, Toninho Horta (1948), Beto Guedes, Lô Borges (1952), Flávio Henrique, Tunai, Sirlan, Gilvan de Oliveira, Yuri Popoff e, principalmente, Milton Nascimento. Só abre exceções para Joyce (1948), Eduardo Gudin (1950), Danilo Caymmi (1948) e Cleberson Horsth, do grupo Roupa Nova. No disco Nascimento (1997), de Milton Nascimento, vitorioso no Grammy de 1998, registra duas canções.

Participa também da realização da trilha sonora do documentário Tostão, a Fera de Ouro (1969) e dos espetáculos coreográficos, em parceria de Milton Nascimento, Maria, Maria (1976) e O Último Trem (1980), ambos encenados pelo Grupo Corpo, e Fogueira do Divino (2000), neste último tendo como parceiro Tavinho Moura.

Tem dois discos gravados apenas com composições suas, cantadas por vários intérpretes: Amigo É Coisa pra se Guardar (Odeon, 1987) e Outubro (2002). Com Tavinho Moura grava, em 2006, o disco Conspiração dos Poetas, acompanhados por Mariana Brant, sua sobrinha.

A partir de 2001, torna-se cronista e colaborador do jornal Estado de Minas e em 2004 publica coletânea de seus textos sob o título de Clube dos Gambás, pela editora Record.

Comentário crítico
A obra poética destinada à canção criada por Fernando Brant se confunde com o movimento musical mineiro que ficou conhecido como Clube da Esquina. Este, por sua vez, é influenciado pela evolução da trajetória artística individual de Milton Nascimento. Logo, é difícil dissociar estas três realidades, sobretudo no período que alcança o final dos anos 1960 até a década de 1980.

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Outras informações de Fernando Brant:

  • Outros nomes
    • Fernando Rocha Brant
  • Habilidades
    • Compositor

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (7)

  • BORGES, Márcio. Os sonhos não envelhecem: histórias do Clube da Esquina. São Paulo: Geração Editorial, 1996.
  • MORRE o parceiro de Milton Nascimento no Clube da Esquina. O Estado de S. Paulo, Sâo Paulo, 13 jun. 2015. Caderno 2, C5.
  • Catálogo de 15 anos de Ponto de Partida - 1995 Não catalogado
  • DOLORES, Maria. Travessia. A vida de Milton Nascimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • GARCIA, Luiz Henrique. Coisas que ficaram muito tempo por dizer: o Clube da Esquina como formação cultural. 160 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, 2000.
  • VIEIRA, Francisco Carlos Soares Fernandes. Pelas esquinas dos anos 70: utopia e poesia no Clube da Esquina. 136 f. Dissertação (Mestrado em Poética) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FERNANDO Brant. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12682/fernando-brant>. Acesso em: 11 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7