Artigo da seção pessoas Ataulfo Alves

Ataulfo Alves

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deAtaulfo Alves: 02-05-1909 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Miraí) | Data de morte 20-04-1969 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Ataulfo Alves de Sousa (Miraí MG 1909 - Rio de Janeiro RJ 1969). Compositor e violonista.  Seus pais, Severino de Sousa e Matilde de Jesus, têm sete filhos. O pai, violeiro, sanfoneiro e repentista conhecido na região mineira da Zona da Mata, morre em 1919. Ataulfo é obrigado a ajudar no sustento da casa: trabalha como leiteiro, carregador de malas, engraxate, lavrador, entre outras atividades. Mesmo assim continua a estudar e se forma no grupo escolar Dr. Justino Pereira. Sua vida na pequena cidade mineira é cantada mais tarde nos sambas Meus Tempos de Criança (1957), Minha Infância (1962) e Reta Final (1962).

Aos 18 anos, se transfere para o Rio de Janeiro, acompanhando o doutor Afrânio Moreira de Resende, de conhecida família de Miraí. Na capital federal (até 1960), trabalha no consultório do médico e à noite faz limpeza e outros serviços na casa da família. Em seguida emprega-se como lavador de vidros em algumas farmácias e, posteriormente, torna-se manipulador de remédios. Esse ofício lhe dá condições de casar-se, aos 19 anos, com Judith, com quem tem cinco filhos, e passa a morar em Rio Comprido. Nesse bairro começa a tocar violão, cavaquinho e bandolim com seu conjunto nas rodas de samba e, no início da década de 1930, atua como diretor de bateria no bloco de samba Fale Quem Quiser, inspirada no grupo Deixa Falar, do bairro do Estácio. Ao escutá-lo em 1933, Bide leva-o à gravadora Victor, que registra Tempo Perdido, com Carmen Miranda (de quem era conhecido fora do mundo artístico), e Sexta-Feira, com Almirante.

Com o início da carreira artística, seu primeiro sucesso chega em 1935 com Saudade do Meu Barracão, gravado por Floriano Belham. Começa então a compor com Bide, Claudionor Cruz e Wilson Batista (Oh, Seu Oscar, 1939, e O Bonde de São Januário, 1941) e vários intérpretes, como Silvio Caldas, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Aracy de Almeida e Ciro Monteiro, passam a gravar suas músicas. Ataulfo Alves inicia a década de 1940 em ascensão e em 1942 grava Ai que Saudades da Amélia, parceria com Mário Lago, com quem compõe também Atire e Primeira Pedra, em 1944. Nessa época, funda o conjunto Ataulfo Alves e Suas Pastoras com o objetivo de gravar as próprias canções.

Nas décadas seguintes Ataulfo Alves, em plena atividade, continua a compor sucessos (Mulata Assanhada, 1956), sambas dor de cotovelo, mais adequados à época (como Errei Sim, 1950; Doeu, 1954; Pois É, 1954), gravando com suas pastoras e apresentando-se em vários espetáculos. Os intérpretes do período seguem interessados em gravá-lo, como Linda Batista, Dalva de Oliveira e Nora Ney. Além disso, Ataulfo atua na defesa dos direitos dos autores na União Brasileira dos Compositores (UBC). Nos anos 1960 viaja para a Europa em excursão organizada por Humberto Teixeira e também para a África. Grava LPs, que trazem sucessos como Na Cadência do Samba (1962) e Laranja Madura (1966). Clara Nunes grava Você Passa e Eu Acho Graça (1968), música composta em parceria com Carlos Imperial. Em 1969, é operado e, após complicações, morre no dia 20 de abril.

 

Comentário crítico

Ataulfo Alves é um dos vários compositores que aparecem entre o fim dos anos 1920 e início dos 1930 com atuação decisiva na decantação dos modernos gêneros da música popular urbana, especialmente o samba. Embora tenha nascido em uma pequena cidade de Minas Gerais e chegado ao  Rio de Janeiro já com 18 anos, ele capta muito bem as informações culturais e musicais que circulam pela capital do Brasil (até 1960) nessa época de multiplicação, expansão e consolidação do entretenimento e meios de comunicação. Com base em suas experiências no Bairro do Rio Comprido e em contato com os sambistas da "turma do Estácio", de quem recebe bastante influência, o compositor constrói trajetória muito singular vinculada à consolidação e difusão do samba. Ele se torna um dos mais expressivos representantes do gênero, até porque é o único compositor de sua época que se mantém em permanente e ativa produção durante toda a vida. Em decorrência, produz imensa obra, composta por mais de 300 composições, fato que dificulta definir claramente apenas uma linha temática em suas canções.

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Outras informações de Ataulfo Alves:

  • Outros nomes
    • Ataulfo Alves de Souza
  • Habilidades
    • cantor/Intérprete
    • compositor

Fontes de pesquisa (7)

  • Nova História da Música Popular Brasileira, Ataulfo Alves, São Paulo, Editora Abril, 1977.
  • CABRAL, Sérgio, As escolas de samba. O que, quem, como, quando e por quê. Rio de Janeiro, Fontana, 1974.
  • CABRAL, Sérgio, Ataulfo Alves. Vida e obra. São Paulo: Companhia Editora Nacional: Lazuli, 2009.
  • MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998. 912 p.
  • MARIZ, Vasco. A Canção brasileira: erudita, folclórica e popular. Prefácio Gastão
    de Bettencourt. 2.ed. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, 1959.
  • TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo:
    Editora 34, 1999.
  • VELOSO, Monica; LAGO, Mário. Boêmia e política. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1997.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ATAULFO Alves. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12439/ataulfo-alves>. Acesso em: 21 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7