Artigo da seção pessoas André Abujamra

André Abujamra

Artigo da seção pessoas
Música / teatro  
Data de nascimento deAndré Abujamra: 15-05-1965 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

André Cibelli Abujamra (São Paulo SP 1965). Compositor, cantor, multi-instrumentista, ator, produtor. Filho do ator e diretor Antônio Abujamra, começa a estudar música aos 3 anos de idade. Nas aulas de piano, porém, não se contenta em tocar as peças tal como estão escritas, interpretando-as de forma bastante pessoal e compondo suas próprias canções. Na adolescência, participa das bandas Capim Gordura e Muscad Xalote, esta formada quando ingressa no curso de música da Faculdade de Artes Alcântara Machado (Faam). Em 1986, tocando teclados e guitarra, forma com Maurício Pereira (voz e saxofone) a dupla Os Mulheres Negras, "a terceira menor big band do mundo". E grava dois LPs: Música Serve para Isso (1988) e Música e Ciência (1990), marcados pelo humor e experimentalismo. Com a dissolução do grupo, cria em 1992 a banda Karnak, formada por 12 homens, um cachorro, dois atores e uma dançarina do ventre. Com a banda lança os discos Karnak (1995), Universo Umbigo (1997), Estamos Adorando Tóquio (2000) e Os Piratas do Karnak - Ao Vivo (2003). Ainda nos anos 1990, André atua como baixista na banda Vexame (1990-1999), ao lado da atriz e cantora Marisa Orth e do compositor Fernando Salem, que resgata o repertório brega em shows de forte carga cênica. Inicia carreira solo nos anos 2000, gravando os discos independentes O Infinito de Pé (2004), Retransformafrikando (2007) e Mafaro (2010). Segue tocando com o Karnak, de tempos em tempos, e também com as bandas Gork e Okê Arô.

Compõe a trilha de mais de 20 filmes, entre eles o curta-metragem As Rosas Não Calam (1992), de Anna Muylaert, vencedor do Kikito de melhor trilha sonora, e os longas Carlota Joaquina (1995), de Carla Camuratti, Os Matadores (1997) e Ação entre Amigos (1998), ambos de Beto Brant, Bicho de Sete Cabeças (2000), de Laís Bodanzky, O Caminho das Nuvens (2003), de Vicente Amorim, e Carandiru (2003), de Hector Babenco, além do mexicano Vocês Inocentes (2004), de Luis Mandoki. Também compõe para teatro, TV, dança, publicidade e espetáculos diversos, como a ópera infantil História do Meio do Mundo (2005).

Como produtor, assina os discos Vexame (1992), da banda homônima; Tem mas Acabou (1996), da banda mineira Pato Fu, que grava sua Capetão 66.6 FM, em parceria com João Ulhoa; e é coprodutor, com Gilberto Assis, do disco Com Defeito de Fabricação (1998), de Tom Zé.

Trabalha como ator em cinema, TV, teatro e publicidade. No longa Durval Discos (2002), dirigido por Anna Muylaert, interpreta o DJ Fat Marley, pseudônimo com que grava dois discos de música eletrônica. Entre outros filmes, atua em Sábado (1995) e Boleiros (1998), ambos de Ugo Giorgetti, e Como Fazer um Filme de Amor (2004), de José Roberto Torero.

Tem canções interpretadas por vários artistas, a exemplo de Coral da Escandinávia, parceria com Moska, pelo Inimigos do Rei, em 1990; Alma Não Tem Cor (1995), por Chico César; Pobre Deus, com Mattoli, gravada por ele e Mônica Salmaso, no disco Balanço Bom É Coisa Rara, de 1997; O Mundo, no disco Vagabundo (2004), por Ney Matogrosso e a banda Pedro Luís e a Parede; e Espinho na Roseira, gravada por Vanessa Longoni no CD A Mulher de Oslo (2008).

Análise

"Criança, cachorro e velhinha são muito mais legais do que a gente."1 A frase de André Abujamra indica o propósito de seu trabalho: buscar a verdade na simplicidade. Daí o lado infantil (mas não infantiloide) de suas composições, como ele mesmo procura ressaltar. É com certo olhar de criança que ele descreve, por exemplo, o que vê do alto do céu, na canção Eu Tô Voando: "Eu tô vendo um piolho, uma pulga / Eu tô vendo um cachorro coçando / Eu tô vendo um vendaval gigante / Eu tô vendo o cabrito mamando". A essas imagens singelas, que brincam com as diferenças de escala, ele soma outras mais sérias e profundas, que sem abrir mão da simplicidade apontam as contradições do ser humano: "Eu tô vendo muita confusão / Homem briga por religião / Eu tô vendo santo respirar / Na igreja católica / Eu tô vendo o pai de santo ali / Eu tô vendo o laminha sorrir / Eu tô vendo o rabino pensando / Como as coisas podem existir".

Esse olhar infantil é reforçado pelo humor de suas letras, que brincam com as palavras e empregam, muitas vezes, rimas inusitadas. "O mundo é uma esfiha de carne / Tem nego do Zâmbia / Tem negro do Zaire", afirma, na canção O Mundo. Em Velho do Metrô, ele deturpa a prosódia em prol da sonoridade: "Que será que o velho pensa no metrô / O que será que o nenê pensa no berçô". A subordinação do som das palavras à sua musicalidade também está por trás do davadara, pseudoidioma que ele define como uma mistura de javanês, russo, árabe e outras línguas. A canção country Inalabama é composta integralmente nesse idioma. Conta a história de um russo que vai para o Alabama em 1913 e encontra com o diabo num cabaré. O único trecho inteligível da letra é o primeiro verso do refrão, em inglês: "In Alabama".

Apesar de singular, o humor de Abujamra não lhe é exclusivo. Trata-se, antes, de uma característica compartilhada por diversos artistas e bandas de São Paulo e cultivada por ele desde a época de Os Mulheres Negras. Surgida na esteira do movimento conhecido como vanguarda paulista, a dupla Os Mulheres Negras reúne musicalidade, teatralidade e bom humor - sem, com isso, fazer piada musicada. Tais características, igualmente presentes em bandas paulistanas como Premeditando o Breque, Rumo e Língua de Trapo, são preservadas no Karnak e nos trabalhos solo de Abujamra, em que a performance tem tanta importância quanto a música.

Seu trabalho se caracteriza ainda pela grande abertura para o novo. "A gente tem que 'destribificar' a cabeça, entrar em outras tribos, e escutar muita coisa."2 Partindo desse princípio, Abujamra constrói uma carreira marcada pela mistura de todo tipo de música, "sem preconceitos". No Mulheres Negras, essa fusão se dá por meio da colagem de diferentes gêneros e estilos, com citações que vão de Beatles a Peppino di Capri. A canção Milho, por exemplo, é uma moda de viola que se transforma em rock'n'roll; em Cabeludas, a ciranda Sambalelê é citada incidentalmente em ritmo de ska; Só Quero um Xodó traz uma releitura eletrônica do forró de Dominguinhos. No Karnak, Abujamra amplia suas referências para o mundo todo, incorporando influências do Leste Europeu, da África e do Nordeste brasileiro, sem aderir ao rótulo de world music.

Outra marca de Abujamra é o experimentalismo. Já na época de Os Mulheres Negras, incorpora a seu trabalho modernos equipamentos eletrônicos, como sampler, sequencer, sintetizador e bateria eletrônica, tendência que se aprofunda no decorrer dos anos. No espetáculo de 2010, Mafaro, aprofunda a relação com a visualidade, que já vinha desenvolvendo na Okê Arô, banda audiovisual que mistura tradições brasileiras à música africana. Em Mafaro, a música é sincronizada com um longa-metragem de 57 minutos, uma colagem de imagens dirigida e produzida pelo próprio Abujamra, em parceria com Giuliano Scandiuzi. Misto de filme e show, traz um novo conceito de espetáculo, que reflete o mundo em retalhos da internet.

Notas

1 Entrevista a Cazé Peçanha. Programa Notícias MTV, 24 de setembro de 2010.

2 Idem.

Outras informações de André Abujamra:

  • Outros nomes
    • André Cibelli Abujamra
    • André Abujanra
  • Habilidades
    • diretor
    • ator
    • músico

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Teatro Ruth Escobar (São Paulo, SP)

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Resumo do artigo Os Demônios:

Centro Cultural Banco do Brasil (Brasília, DF)

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Eventos relacionados (5)

Fontes de pesquisa (14)

  • Programa Ensaio - Mulheres Negras. São Paulo, TV Cultura, 1990.
  • ABUJAMRA, André. Curriculum. Disponível em: <letras.mus.br/andre-abujamra/773746/> Acesso em: 14.12.2012.
  • ABUJAMRA, André. Entrevista a Cazé Peçanha. Programa Notícias MTV, 24/09/2010.
  • ABUJAMRA, André. Entrevista ao Diário do Pará. Belém, 22.11.2009, Revista, p. 5-6.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • ASSIS, Diego. "Karnak chega ao fim com 2 shows em São Paulo". Entrevista com André Abujamra. Folha de S. Paulo, São Paulo, 20.12.2002, Caderno Ilustrada, p. E12.
  • CENAPAULISTANA. São Paulo.Disponível em: < http://www.cenapaulistana.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1758:a-tempestade>. Acesso em : 30 de maio de 2011 Não catalogado
  • Planilha enviada pelo pesquisador Márcio Freitas Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Começa a Terminar - 2008. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - As Bruxas de Salem - 2003. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Carícias - 2006. Não Catalogado
  • Programa do espetáculo - Estrelas do Orinoco, 2003. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Escrivão - 2006. Não Catalogado
  • TEATRO EVA HERZ. São Paulo. Disponível em : < http://www.livrariacultura.com.br/teatro/index.asp?l=resenha&npeca=13 >. Acesso em : 5 de maio de 2011 Não catalogado

Como citar?

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  • ANDRÉ Abujamra. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12408/andre-abujamra>. Acesso em: 20 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7