Artigo da seção pessoas Paulo César Pinheiro

Paulo César Pinheiro

Artigo da seção pessoas
Teatro / literatura / música  
Data de nascimento dePaulo César Pinheiro: 28-04-1949 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Paulo César Francisco Pinheiro (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1949). Compositor, teatrólogo, escritor e poeta. Na infância, mora em Angra dos Reis, produz seus primeiros versos e conhece João de Aquino (1945), parceiro na canção “Viagem”, gravada pelo violonista Baden Powell (1937-2000) e pela cantora Márcia (1943), ambas lançadas em 1969. Com Baden Powell, compõe “Lapinha”, que vence a 1ª Bienal do Samba de 1968, da TV Record, gravada nesse mesmo ano por vários intérpretes, entre eles Elis Regina (1945-1982) e Elza Soares (1937).

No final dos anos 1960, participa de outros festivais e compõe trilhas para teatro, cinema e televisão. Em 1968, faz, com Francis Hime (1939), “A Grande Ausente”, defendida por Taiguara no 3o Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record. Participa do 3o Festival Internacional da Canção (FIC), da TV Globo, do Rio de Janeiro, com duas músicas: “Sagarana” e “Anunciação”. Concorre ao 4o FIC em 1969, com “Sermão”, parceria com Baden Powell, com quem, no ano seguinte, realiza temporada em Paris. 

Em 1971, o samba,  “E lá se Vão Meus Anéis”, com Eduardo Gudin (1950), defendida por Os Originais do Samba, vence o 4o Festival Universitário da Música Popular, da TV Tupi, do Rio de Janeiro. Participa, em 1972, do 7o FIC, com “Diálogo”, parceria com Baden Powell.

No início dos anos 1970,  destaca-se por sucessos gravados na voz de Elis Regina: “Samba do Perdão”, “Vou Deitar e Rolar”, “Quaquaraquaquá” e  “Aviso aos Navegantes”, todos parcerias com Baden Powell. Em 1970, é lançado o songbook As Músicas de Baden Powell e Paulo César Pinheiro – Os Cantores da Lapinha.  Outras intérpretes de suas canções são Elizeth Cardoso (1920-1990), Simone (1949) e Clara Nunes (1943-1983). Em 1975, grava  o disco O Importante É que Nossa Emoção Sobreviva com a cantora Márcia e Eduardo Gudin, derivado do show de mesmo nome, que tem um volume 2, lançado no ano seguinte, com Tudo o que Mais Nos Uniu (1996). 

Em 1983, lança o LP Poemas Escolhidos, registrando 33 poemas de sua autoria. Tem três livros publicados: Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984) e  Atabaques, Violas e Bambus (2000). Compositor de trilhas musicais para filmes, peças de teatro e novelas, em 2002 é premiado, juntamente com Dori Caymmi (1943), com um Grammy Latino na categoria de Melhor Canção Brasileira, por  “Saudade de Amar”.  No ano seguinte, recebe o Prêmio Shell pelo conjunto da obra.

Em 2003, lança o Lamento do Samba, um manifesto pelo retorno ao samba dolente e dolorido, com letras e músicas assinadas por ele. Em 2010, lança Capoeira Besouro, trilha musical da peça de teatro escrita por ele, e, no ano seguinte, as antologias Arco do Tempo, na voz de Soraya Ravenle (1962), e Poesia Musicada, comemorando 30 anos de parcerias com Dori Caymmi.

A obra de Paulo César Pinheiro, consagra-o como um dos mais importantes letristas da música popular brasileira, sobretudo no samba. O compositor costuma se apresentar como “filho de Nelson Cavaquinho” pelo tom de voz,  pela forma no trato com as palavras ou pelo sentimento entre a melancolia e o ceticismo. 

Paulo César Pinheiro encontra na boemia carioca dos anos 1960 e 1970, sua formação como letrista de samba. Poeta da solidão, arauto do samba, ele se confessa paladino da paixão eterna e do amor desencontrado. Ao longo de mais de 40 anos de carreira,iniciada com a gravação de Lapinha, é parceiro e convive com músicos, intérpretes e arranjadores da música popular brasileira. Como compositor, frequenta os festivais da década de 1960, acompanha a bossa nova, a evolução das escolas de samba, a censura sistemática à música e o esforço, para superá-la. Esse é o caso do samba “Mordaça” (1974), com Eduardo Gudin, e de “Tô Voltando”(1979), com Maurício Tapajós, que celebra a volta  dos exilados pela ditadura militar ao país. Mesmo driblando o autoritarismo, Paulo César Pinheiro não escapa aos cortes dos censores, numa época em que a obsessão pela vigilância e a “lógica da suspeita” orientam a ação dos censores. Estes, preocupam-se em prevenir a nação contra a “propaganda subversiva” e a “guerra psicológica” contra as instituições “democráticas e cristãs”. “Cordilheiras”, parceria com Sueli Costa (1943), por exemplo, fica cinco anos na gaveta. Em outras composições, burla a censura com metáforas. Faz parte dessa época o samba “Pesadelo”, feito com a intenção de ser um protesto explícito, já que o letrista se diz cansado das metáforas compulsórias: 

                Você corta um verso, eu escrevo outro 

                Você me prende vivo, eu escapo morto  

                De repente olha eu de novo  

                Perturbando a paz, exigindo troco.

Segundo Paulo César Pinheiro, desde o início da carreira, recebe influência do que ouve em casa e nas rádios. Em sua música, pode-se identificar a presença de autores como Noel Rosa (1910-1937), Dorival Caymmi (1914-2008), Ataulfo Alves (1909-1969), Ary Barroso (1903-1964), Pixinguinha (1897-1973), João da Baiana (1887-1974), além dos chorões, paixão particular do compositor. Como lembra em uma de suas entrevistas:

Comecei a conhecer a noite, os compositores, os cantores, sempre ao lado do Baden. Mas nunca tinha imaginado ser parceiro dele. Eu ia fazendo as minhas músicas com o João de Aquino. Até que, aos 16 anos, o Baden me disse: Tá na hora da gente compor alguma coisa juntos. Surgiu assim a parceria que além de Lapinha, deu o Samba do perdão, Quaquaraquaquá, Aviso aos navegantes e Refém da solidão. 

Íntimo conhecedor dos redutos do samba e da boemia carioca, sua poética revela a maneira singular como traduz esse universo. Prolixo, escreve centenas de letras, que nas mãos de seus parceiros, transformam-se em sucessos. Mesmo identificado com o samba em grande medida, compõe o baião “Leão do Norte” (1993) em parceria  com Lenine (1959)

Recluso à mídia, ele se diz um tipo de artista que pode caminhar pelas ruas sem ser notado. Talvez seja o anonimato o principal combustível para a poesia e se autodefine como um homem comum, das esquinas e dos bares.

Outras informações de Paulo César Pinheiro:

  • Outros nomes
    • Paulo César Francisco Pinheiro
  • Habilidades
    • Produtor musical
    • dramaturgo
    • Poeta
    • letrista
    • Compositor
    • Cantor/Intérprete
  • Relações de Paulo César Pinheiro com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Paulo César Pinheiro: (27) obras disponíveis:

Todas as obras de Paulo César Pinheiro:

Espetáculos (6)

Fontes de pesquisa (4)

  • AMARAL, Euclides. Alguns Aspectos da MPB. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2008. 2ª ed. Esteio Editora, 2010.
  • CAMPOS, Conceição. A letra brasileira de Paulo César Pinheiro: uma jornada musical. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2009. 
  • ECHEVERRIA, Regina Lico. Furacão Elis. São Paulo: Editora Globo, 1994.
  • Programa do Espetáculo - Besouro Cordão de Ouro - 2006.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PAULO César Pinheiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12203/paulo-cesar-pinheiro>. Acesso em: 16 de Dez. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7