Artigo da seção pessoas Roberto Corrêa

Roberto Corrêa

Artigo da seção pessoas
Música  
Data de nascimento deRoberto Corrêa: 11-03-1957 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Campina Verde)

Biografia

Roberto Nunes Corrêa (Campina Verde, Minas Gerais, 1957). Violeiro, compositor, pesquisador, professor. Aprende a tocar violão “de ouvido” com o mestre José da Conceição, em sua cidade natal. Conclui o Ensino Médio em Belo Horizonte em 1974, mudando-se no ano seguinte para Brasília. Estuda violão clássico com Eustáquio Grilo e Marco Pereira. Em 1976, ingressa no curso de Física da UnB, formando-se em 1981.

Em 1977 forma conjunto Olho D’Água, atuando como pesquisador, arranjador e instrumentista. Nessa época, interessa-se pela viola caipira, deparando-se com a semiausência de métodos para seu aprendizado, o que o instiga a viajar pelo interior atrás das técnicas dos violeiros. Com apoio do CNPq, desenvolve o projeto de pesquisa Viola Brasileira, entre 1980 e 1982.
Entre 1982 e 1985, cursa Licenciatura em Música na UnB. Em 1983, passa a se apresentar também fora do circuito universitário e lança o livro Viola Caipira. Inicia estudo sobre a viola de cocho mato-grossense. No ano seguinte, participa do Projeto Pixinguinha (Funarte), ao lado de Nonato Luiz e Quinteto Violado, e dos programas de televisão Som Brasil (Globo) e Viola, Minha Viola (TV Cultura).

Em 1985 é contratado como professor pela Escola de Música de Brasília (EMB), participando da criação do primeiro curso oficial de Viola Caipira do Brasil. Pela Funarte, grava o vinil Marvada Viola (1987), junto com Rolando Boldrin, Sivuca e outros. Na Alemanha, grava o CD Viola Caipira – Brazil (1989), na série Traditional Music of the World, organizada pela Unesco. Cria a empresa Viola Corrêa, pela qual edita suas produções.

Com Inezita Barroso, grava os CDs Voz e Viola (1996) e Caipira de Fato - Voz e Viola (1997). Produz o disco Meu Céu, de Zé Mulato e Cassiano, ganhador do Prêmio Sharp 1997 na categoria regional/dupla. Atua como compositor e diretor musical em diversos espetáculos, como Cara-de-bronze (1999) e Rosanegra – Uma saga sertaneja (2002).

Faz a curadoria regional do projeto Rumos Musicais do Itaú Cultural, no biênio 2000-2001 e em 2005, e participa de diversas edições do projeto Violeiros do Brasil, promovido pelo Sesc. Ao longo de sua carreira se apresenta em várias cidades brasileiras e em mais de 20 países. É autor de A arte de pontear viola (2000), trabalho pioneiro na formalização de técnicas para o instrumento.

Análise

Considerado um dos principais violeiros da atualidade, Roberto Corrêa contribui para que o instrumento adquira uma visibilidade maior no cenário musical. Apesar de descendente de uma família de violeiros, o modo de transmissão de conhecimentos mais usual, de pai para filho, é rompido em sua trajetória pela morte prematura do avô, assassinado quando seu pai tinha apenas nove anos. Esta fatalidade, no entanto, permite a Corrêa experimentar certa liberdade criativa, apostando na viola caipira e na viola de cocho como instrumentos solistas.

O compositor se interessa pela viola de cocho pantaneira no final dos anos 70, quando esta ainda era restrita ao acompanhamento do cururu, e usada de maneira mais percussiva que melódica. Ao desenvolver um repertório instrumental próprio para o instrumento, ele explora suas potencialidades harmônicas e rítmicas. Da mesma forma, escreve arranjos especialmente para a viola caipira, com as afinações características da região que vai do Centro-Oeste do Brasil ao norte do estado do Paraná. Um de seus principais trabalhos nesse sentido é o CD Uróboro (1994), com composições exclusivas para viola caipira e viola de cocho solo, através do qual ele passa a ser reconhecido como o “Guimarães Rosa das cordas”.

Em sua trajetória, as atividades de compositor, intérprete, pesquisador e professor se entrelaçam. Corrêa soma seu denso conhecimento das práticas culturais e técnicas dos violeiros populares aos estudos eruditos. Ao mesmo tempo em que deseja ser solista de viola, aos moldes dos violonistas clássicos, a necessidade de conhecer melhor o instrumento o leva a se tornar um grande pesquisador, interessando-se não apenas na relação entre viola e violeiro mas também pelo imaginário e pelas tradições a eles ligadas.

Até a publicação de seu primeiro livro, Viola Caipira (1983), a transmissão do conhecimento neste instrumento deve-se à oralidade e às festas folclóricas. O pouco que existia em termos de padronização era o álbum de acordes da afinação “cebolão”, de Tonico e Tinoco. Sua atuação como professor do primeiro curso público de viola caipira, o qual ele ajuda a criar, lhe dá base para consolidar seu método de ensino, formatado no livro A arte de pontear viola, obra que sistematiza as técnicas aprendidas com violeiros antigos e adapta técnicas do violão clássico à viola. Através do ensino, mantém viva a tradição de compartilhar os conhecimentos com outras gerações.

O aprendizado de Roberto Corrêa está ligado à escuta das próprias duplas caipiras, como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho e principalmente Zé Mulato e Cassiano. Outra referência em sua formação é o Quinteto Violado, além de violonistas eruditos. Entre eles, Ascendino Theodoro Nogueira, do qual Corrêa grava uma série de prelúdios compostos de forma pioneira para a viola brasileira, no álbum Viola de Arame (2012), inteiramente dedicado à viola como instrumento solista.

Seja como compositor ou intérprete, Corrêa transita entre a tradição e a contemporaneidade, entre o erudito e o popular. Seu primeiro álbum homenageia Capitão Furtado – responsável por trazer, nos anos 30, o repertório caipira para o disco. O CD Sertão Ponteado (1998), fruto de seu trabalho de campo, traz as cantorias de devoção, trabalho e as danças de São Gonçalo, de origem mineira, garimpados nas cidades da região do Distrito Federal. Em Crisálida (1996), aparece o virtuose da viola, interpretando um repertório que passa por Villa-Lobos (1887-1959), Teddy Vieira (1922-165) e Lourival dos Santos (1917-1997). Assim, além de contribuir para a memória dos violeiros do passado, Roberto Corrêa dá alento a novas produções, e cria um público urbano interessado pela viola caipira.

Outras informações de Roberto Corrêa:

  • Outros nomes
    • Roberto Nunes Corrêa
    • Roberto Correa
  • Habilidades
    • Curador
    • Violeiro
    • Compositor
    • escritor
    • Pesquisador
    • Arranjador
    • empresário
    • músico
    • professor de música
    • físico
  • Relações de Roberto Corrêa com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Roberto Corrêa: (4) obras disponíveis:

Espetáculos (3)

Eventos relacionados (8)

Fontes de pesquisa (6)

  • CORRÊA, R. N. Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte. 2014. 283 f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Música, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.
  • NEPOMUCENO, Rosa. Música caipira. Da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
  • Planilha enviada pela pesquisadora Julia Alves Carvalhal Não Catalogado
  • ROBERTO Corrêa. Depoimento do artista para o projeto Um Brasil de Viola – Tradições e Modernidades da Viola Caipira. Disponível em: http://umbrasildeviola.blogspot.com.br/2011/10/roberto-correa-brasilia-df.html. Acesso em 31 de jul. de 2017.
  • ROBERTO Corrêa. Site oficial do artista. Disponível em: http://robertocorrea.com.br/. Acesso em 31 de jul. de 2017.
  • VILELA, Ivan. Cantando a própria história: música caipira e enraizamento. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. 328p.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ROBERTO Corrêa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12159/roberto-correa>. Acesso em: 15 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7