Artigo da seção pessoas Guerra-Peixe

Guerra-Peixe

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Música  
Data de nascimento deGuerra-Peixe: 18-03-1914 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Petrópolis) | Data de morte 26-11-1993 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Petrópolis)

Biografia
César Guerra-Peixe (Petrópolis, RJ, 1914 - idem 1993). Compositor, arranjador, regente, violinista, professor, pesquisador. Com sete anos, toca "de ouvido" violino, violão e piano e participa de grupos de choro na cidade natal. Aos nove, começa a estudar teoria musical e solfejo, com Paulo Carneiro. Em 1925, ingressa na Escola de Música Santa Cecília, e se forma em violino com apenas 16 anos, tornando-se em seguida professor na mesma instituição. Faz curso completo de violino com o professor tcheco Gao Omacht. Nessa época, toca no Cine Glória, compõe sua primeira peça - o tango Otília, nome da primeira namorada - e passa a escrever arranjos.

Ingressa no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, em 1932, a fim de estudar violino com Paulina d'Ambrosio, com quem tem aulas desde 1929, em suas viagens semanais ao Rio de Janeiro. Em 1934, muda-se para a capital fluminense e integra orquestras de salão. Tem aulas particulares de composição e instrumentação com Newton de Pádua, no período de 1936 a 1943, e se forma em composição no Conservatório Brasileiro de Música, em 1943. Nesse período, trabalha como orquestrador na Rádio Tupi e tem marchas e sambas de sua autoria gravados pela dupla Jararaca e Ratinho, como Com um Dedo Só, parceria com Jararaca e Humberto Cunha, e por Silvio Caldas, Fibra de Herói, com Teófilo Barros Filho (pai de Theo de Barros).

Em 1944, apresenta na Rádio Tupi sua primeira composição sinfônica, de coloração nacionalista, e passa a ter aulas com Hans-Joachim Koellreutter. Ingressa no grupo Música Viva1 em 1945, compõe então obras dodecafônicas, como a Sinfonia nº 1, de 1946, estreada em 1947 na rádio BBC de Londres. De sua autoria, Noneto, 1945, é executada pela orquestra da Rádio de Zurique, em 1948, regida pelo alemão Hermann Scherchen (ex-professor de Koellreutter), que o convida a estudar regência e composição na Suíça. Guerra-Peixe, decepcionado com o dodecafonismo, declina do convite e parte para o Recife, assinando contrato com uma rádio local. Lá realiza um importante trabalho de coleta de músicas folclóricas, maracatus, xangôs e catimbós, usados em criações como a Suíte para Cordas, 1949, e publica uma série de artigos no Diário de Pernambuco, com a rubrica "Um século de música no Recife". Compõe as primeiras trilhas para filmes, como Terra É Sempre Terra (1951), de Tom Payne, Canto do Mar (1953), de Alberto Cavalcanti e O Craque (1954), de José Carlos Burle.

Muda-se para São Paulo em 1953, e frequenta o curso de folclore musical do Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade, com patrocínio da Comissão Paulista de Folclore. Realiza pesquisas nas cidades paulistas de Taubaté, São José do Rio Pardo e Carapicuíba e faz uma coleta de jongos, sambas rurais, cateretês, cururus, folias de reis, congadas, modas de viola. Em 1955, publica o livro Maracatus do Recife e, em 1959, é nomeado chefe do setor de folclore da Comissão Paulista de Folclore.

Retorna ao Rio de Janeiro em 1962. Passa a atuar como violinista na Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC (na qual se mantém até quase os 70 anos) e a lecionar nos Seminários de Música da Pró-Arte.2 Faz importante trabalho como arranjador de discos de música popular e cria, em 1968, a Escola de Música Popular do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS/RJ). Entre 1972 e 1980, leciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de São Paulo (USP), no Centro de Estudos Musicais do Rio de Janeiro, na Pró-Arte e na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Muitos de seus alunos se destacam no cenário musical brasileiro, erudito ou popular, a exemplo de Jorge Antunes, José Maria Neves, Paulo Moura, Chiquinho de Moraes, Juca Chaves, Rildo Hora, Capiba, Sivuca, Baden Powell, Formiga e Roberto Menescal.

Guerra-Peixe recebe diversos prêmios e títulos em toda a carreira, destacando-se o Prêmio Shell, em 1986, pelo conjunto de sua obra; e o Prêmio Nacional de Música do Ministério da Cultura, como "maior compositor brasileiro vivo", em 1993.

 

Comentário Crítico
César Guerra-Peixe compõe uma obra variada, que passa por diferentes fases criativas e reflete os debates acerca da música brasileira. A fase neoclássica, anterior a 1944, tem coloração nacionalista e espelha o cenário musical brasileiro então dominado pela figura de Heitor Villa-Lobos. As composições dessa época (peças de câmara e para piano solo, duas suítes para orquestra de cordas, um divertimento para orquestra e uma sinfonia) unem a técnica tradicional europeia (tonal) a materiais melódicos e rítmicos inspirados no folclore nacional. Guerra-Peixe publica ainda várias peças de salão, assinando como Bob Morel, Célio Rocha (homenagem à primeira esposa, Célia Rocha) e Jean Kelson (com o qual grava dois discos na década de 1960), pseudônimos que adota para não manchar a reputação de "compositor sério" que almeja ser.

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Outras informações de Guerra-Peixe:

  • Outros nomes
    • César Guerra-Peixe
    • César Guerra Peixe
    • Guerra Peixe
  • Habilidades
    • Arranjador
    • Regente/maestro
    • Pesquisador
    • professor de música
    • Compositor
    • Violinista
    • professor de música

Obras de Guerra-Peixe: (7) obras disponíveis:

Espetáculos (3)

Fontes de pesquisa (10)

  • ALBIN, Ricardo Cravo. In: DICIONÁRIO Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Rio de Janeiro: Instituo Cravo Albin, Disponível em: <www.dicionariompb.com.br/guerra-peixe>. Acesso em 15 set. 2010.
  • CACCIATORE, Olga. Dicionário biográfico de música erudita brasileira. Rio: Forense Universitária, 2005. p. 178-180.
  • EGG, Andre. O debate no campo do nacionalismo musical no Brasil dos anos 1940 e 1950: o compositor Guerra-Peixe. Dissertação de mestrado em História. Curitiba, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPR, 2004.
  • MARIZ, Vasco. Figuras da música brasileira contemporânea. Brasília: UnB, 1970. p. 79-84.
  • Enciclopédia da música brasileira: erudita, folclórica, popular. Organização Marcos Antônio Marcondes. 2. ed., rev. ampl. São Paulo: Art Editora : Itaú Cultural, 1998.
  • FARIA, A. G.; SERRÃO, R.; BARROS, L. O. C. (Org.). Guerra-Peixe: um músico brasileiro. Rio de Janeiro: Lumiar, 2007.
  • GUERRA-PEIXE, Cesar. Maracatus do Recife. São Paulo: Ricordi Brasileira, 1956.
  • NEPOMUCENO, Rosa. Cesar Guerra-Peixe: a música sem fronteiras. Rio de Janeiro: Funarte, 2001.
  • NEVES, José Maria. Música contemporânea brasileira. 2. ed. Rio de Janeiro: Contracapa, 2008.
  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004]. CDR792A681

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • GUERRA-PEIXE . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa12029/guerra-peixe>. Acesso em: 23 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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