Artigo da seção pessoas Francisco Mignone

Francisco Mignone

Artigo da seção pessoas
Música / artes visuais / teatro  
Data de nascimento deFrancisco Mignone: 03-09-1897 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 18-02-1986 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Francisco Paulo Mignone (São Paulo SP 1897 - Rio de Janeiro RJ 1986). Compositor, pianista, regente, professor, flautista. Inicia os estudos musicais com o pai, o imigrante italiano Alfério Mignone, professor de flauta do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo (CDMSP), músico de orquestra e regente. Com cerca de 10 anos, começa a estudar piano com Silvio Motto. Aos 13, passa a atuar como flautista e pianista condutor em orquestras de cinema. Também integra grupos de choro e compõe canções populares, assinando como Chico Bororó, pseudônimo que abandona após 1914.

Ingressa no CDMSP em 1912, e cinco anos mais tarde obtém os diplomas de flauta, piano e composição, tendo sido aluno de Savino de Benedictis (harmonia) e Agostino Cantu (harmonia, composição e contraponto). Ao longo do curso, exibe-se frequentemente como solista ao teclado. Em 1918, apresenta suas primeiras obras sinfônicas, cujo êxito lhe rende a bolsa de estudos com a qual parte em 1920 para a Europa, onde permanece por nove anos.

Em Milão, estuda compositor italiano Vincenzo Ferroni (1858 - 1934), ex-aluno do compositor francês Jules Massenet (1842 - 1912) no Conservatório de Paris, que o introduz nas técnicas composicionais francesas bem como na tradição operística italiana. Com orientação do mestre italiano, compõe a ópera em três atos O Contratador de Diamantes, 1921, cujo libreto, de Gerolamo Bottoni, inspira-se no drama homônimo de Afonso Arinos. Estreia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1924, e é bem recebida pelo público e pela crítica, especialmente a cena que mostra uma congada. Isso o encoraja a escrever sua segunda ópera, L'Innocente, concluída em 1927 e apresentada no Brasil no ano seguinte. Entre 1927 e 1928, realiza andanças pela Espanha, cujas sonoridades lhe inspiram algumas composições, como Suíte Asturiana.

De volta a São Paulo, em 1929, torna-se professor do CDMSP e se aproxima das propostas nacionalistas do ex-colega de conservatório Mário de Andrade, de quem se torna grande amigo. Um ano depois, grava em solo de flauta suas peças Num Vorto a Pé, Cantiga de Ninar e Contratador de Diamantes. Em 1932, casa-se com Liddy, filha do professor de piano Luigi Chiaffarelli. No fim do ano, muda-se para o Rio de Janeiro, e passa a lecionar no Instituto Nacional de Música.¹ Ali desenvolve importante carreira docente, formando regentes e compositores que se destacam no meio musical brasileiro, como Roberto Duarte e Ricardo Tacuchian. Registra ao piano dois tangos brasileiros de Ernesto Nazareth, Duvidoso e Brejeiro, em 1939. Em 1951, assume a direção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, em 1965, integra a Academia Brasileira de Música, que preside entre 1980 e 1985.

Na década de 1950, escreve para cinema, compondo as trilhas de Caiçara, 1950, e Menina Moça, 1951, ambos de Alberto Cavalcanti. Em 1959, recebe o Prêmio Saci de melhor composição por Sob o Céu da Bahia, 1957, de Ernesto Remani.

Um ano após a morte de Liddy, casa-se, em 1963, com a pianista paraense Maria Josephina, com quem desenvolve frutífera parceria em recitais a quatro mãos, incluindo um duo pianístico sobre a obra de Ernesto Nazareth, lançado em 1978. Segue atuando como regente e pianista até pouco antes de sua morte, que ocorre em 1986.

Nota
1. Atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Comentário crítico

A obra de Francisco Mignone pode ser agrupada em duas fases, que têm como marco divisor seu retorno ao Brasil após nove anos na Europa. As composições de juventude refletem ainda o ambiente musical paulistano das primeiras décadas do século XX, marcado por forte influência italiana e pela estética romântica. Não por acaso, o jovem compositor tem na ópera seus primeiros trabalhos relevantes. Por outro lado, suas obras orquestrais já apontam o rico colorido instrumental que marcam suas composições, nas quais também se nota grande facilidade inventiva. Características provavelmente derivadas de sua precoce experiência como músico de orquestra, bem como de sua proximidade com a música popular urbana, que faz dele excelente melodista e improvisador.

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Outras informações de Francisco Mignone:

  • Outros nomes
    • Francisco Paulo Mignone
    • Chico Bororó
    • Francisco Paula Mignone
  • Habilidades
    • Compositor
    • músico
    • flautista
    • Pianista
    • Regente/maestro
    • professor de música

Espetáculos (7)

Exposições (3)

Fontes de pesquisa (4)

  • KIEFFER, Bruno. Francisco Mignone: vida e obra. Porto Alegre: Movimento, 1983.
  • MARIZ, Vasco (org.). Francisco Mignone - o homem e a obra. Rio de Janeiro: Funarte, Ed. da UFRJ, 1997.
  • Mariz, Vasco. História da música no Brasil. 6.ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2005.
  • MIGNONE, Francisco. A parte do anjo (autocrítica de um cinquentenário). Estudo, crítica e biografia por Luiz Heitor Correa de Azevedo, Mário de Andrade e Liddy Chiaffarelli. São Paulo: E. S. Mangione, 1947.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FRANCISCO Mignone. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11951/francisco-mignone>. Acesso em: 15 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7