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Eva Furnari

Outros Nomes: Eva Furnari
  • Análise
  • Biografia
    Eva Furnari (Roma, Itália 1948). Autora de histórias infantis, ilustradora, professora e arquiteta. Vive no Brasil desde os três anos de idade, após a família radicar-se em São Paulo em 1950. Desde criança é atraída pelas imagens e pela pintura. Fruto dessa afinidade e de sua formação, seus desenhos são apresentados pela primeira vez em 1971, em uma mostra individual na Associação Amigos do Museu de Arte Moderna. Forma-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, e segue participando de diversas exposições de desenhos e pinturas. Participa da idealização e da montagem do Ateliê Permanente do Museu Lasar Segall, onde trabalha de 1976 a 1979. Estreia em livro em 1980, com a coleção Peixe Vivo, narrativas visuais para crianças não alfabetizadas. Nessa mesma época, inicia colaboração como ilustradora para diversas publicações - entre elas, o jornal Folha de S.Paulo, em cujo suplemento infantil publica histórias da personagem Bruxinha. Alguns de seus títulos são adaptados para o teatro, como A Bruxa Zelda, Os 80 docinhos e Truks - que ganha o Prêmio Mambembe em 1994. Em 2000, desenvolve a caracterização dos personagens de Sítio do Pica Pau Amarelo, criação de Monteiro Lobato (1882 - 1948) refilmada pela Rede Globo de Televisão, e, em 2002, é escolhida para ilustrar a reedição de seis livros infantis de Érico Veríssimo (1905 - 1975).

    Comentário Crítico
    A obra de Eva Furnari, composta por cerca de 60 títulos, concentra-se inicialmente no desenho, aos poucos se abre para a presença do texto e em seguida atinge o equilíbrio entre imagem e palavra.

    A série Peixe vivo, com a qual estreia em livro, destina-se a pré-leitores. Cada par de páginas de Todo dia (1980), o primeiro título, apresenta uma situação familiar às crianças de 2 a 4 anos: a sensação de fome ("Ai, que fome!"), a chegada da avó à casa ("Olha quem chegou"), entre outros - sempre em quadros não narrativos. Já Cabra-cega (1980), destinado à criança de 3 a 5 anos, traz quadros compondo sequência narrativa. Embora o texto se limite ainda à legenda, pares de páginas como os de "As almofadas" ou "A rasteira" apresentam certa evolução na elaboração literária das composições que descrevem as brincadeiras realizadas pelas personagens.

    As obras que apresentam a personagem Bruxinha são frequentemente jocosas e efetuam jogos com as limitações do suporte livro, explorando, por exemplo, o limite das páginas. È o caso de Bruxinha 2, onde um cachorro escala o topo do quadro, chegando a ficar de ponta-cabeça para o leitor, ou se livra de uma nuvem chuvosa que o persegue fazendo-a se chocar contra a margem direita. Em A Bruxinha Encantadora e Seu Secreto Admirador, Gregório (1983) o procedimento metalinguístico é ainda desenvolvido: o protagonista Gregório "assiste" às histórias da Bruxinha, por quem se apaixona, ao mesmo tempo em que tenta estabelecer contato com Eva, a autora, por meio de recados escritos, para que ela o apresente a Bruxinha.

    Nós (1999), em que há equilíbrio entre texto e ilustração, tem como protagonista Mel, uma garota que "estava sempre rodeada de borboletas". Devido à zombaria de colegas, começa a ganhar nós por todo o seu corpo. A exploração do chiste - texto e desenho concretizam o que em linguagem corrente é metáfora - torna-se clara quando Mel, diante da solidão, desenvolve um nó na garganta. Ao se apaixonar por um semelhante, a garota estará livre do sofrimento.

    Situação análoga é retratada em Felpo Filva (2006), em que um coelho poeta vence seu pessimismo após conhecer Charlô, que critica seus poemas. Nesse livro, além de retornar ao tema do respeito pelas diferenças (Felpo tem uma orelha mais curta que a outra), a autora novamente joga com os limites do gênero. Aqui haverá diferentes tipos de texto: autobiografia, carta, manual, receitas, provérbios e fábulas - outro traço característico das obras da autora.

Primeiras edições

Obra publicada no Brasil

Infantil
Cabra-Cega - 1980
De Vez em Quando - 1980
Esconde-Esconde - 1980
Todo Dia - 1980
Traquinagens e Estripulias - 1982
Bruxinha Atrapalhada - 1982
Amendoim - 1983
Filó e Marieta - 1983
Zuza e Arquimedes - 1983
A Bruxinha Encantadora e Seu Secreto Admirador, Gregório - 1983
Violeta e Roxo - 1984
Quer Brincar? - 1986
Quem Espia se Arrepia - 1986
Quem Cochicha o Rabo Espicha - 1986
Quem Embaralha se Atrapalha - 1986
Bruxinha 1 - 1987
Bruxinha 2 - 1987
A Menina e o Dragão - 1990
Catarina e Josefina - 1990
Ritinha Bonitinha - 1990
Assim Aassado - 1991
Não Confunda - 1991
Você troca? - 1991
O Problema do Clóvis - 1992
Caça-Fumaça - 1992
Por um Fio - 1992
O Amigo da Bruxinha - 1993
A Bruxinha e o Godofredo - 1993
A Menina da Árvore - 1994
Adivinhe se Puder - 1994
Travadinhas - 1994
Operação Risoto - 1999
Mundrackz - 1996
O Feitiço do Sapo - 1995
A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos - 1994
Bruxinha e as Maldades da Sorumbática - 1997
Trucks - 1997
O Segredo do Violinista - 1998
Cocô de Passarinho - 1998
Anjinho - 1998
Bruxinha e Frederico - 1998
Nós - 1999
Abaixo das Canelas - 2000
Loló Barnabé - 2000
Pandolfo Bereba - 2000
Umbigo Indiscreto - 2000
Os Problemas da Família Gorgonzola - 2001
Bililico - 2001 - com Denize Carvalho
Marilu  -  2001
Dauzinho - 2002
Rumboldo - 2002
Tartufo - 2002
Luas - 2002
O Circo da Lua - 2003
Cacoete - 2005
Zig Zag - 2006
Felpo Filva - 2006

Traduções e edições estrangeiras

Traduções e edições estrangeiras

Espanhol

Angelito [Anjinho]. Tradução Graciela Foglia. São Paulo: Ática, 1997

Italiano
Zelda la strega e gli 80 pasticcini [A bruxa Zelda e os 80 docinhos]. Tradução Patrizia Di Malta. Milano: Mondadori, 2006

Exposições

Eventos