Artigo da seção pessoas Eva Furnari

Eva Furnari

Artigo da seção pessoas
Literatura / artes visuais  
Data de nascimento deEva Furnari: 15-11-1948 Local de nascimento: (Itália / Lazio / Roma)

Biografia

Eva Furnari (Roma, Itália 1948). Autora de histórias infantis, ilustradora, professora e arquiteta. Vive no Brasil desde os dois anos de idade, após a família radicar-se em São Paulo em 1950. Desde criança é atraída pelas imagens e pela pintura. Fruto dessa afinidade e de sua formação, seus desenhos são apresentados pela primeira vez em 1971, em uma mostra individual na Associação Amigos do Museu de Arte Moderna. Forma-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), e segue participando de diversas exposições de desenhos e pinturas. Participa da idealização e da montagem do Ateliê Permanente do Museu Lasar Segall, onde trabalha de 1976 a 1979. Estreia em livro em 1980, com a coleção Peixe Vivo, narrativas visuais para crianças não alfabetizadas. Nessa mesma época, inicia colaboração como ilustradora para diversas publicações - entre elas, o jornal Folha de S.Paulo, em cujo suplemento infantil publica histórias da personagem Bruxinha. Alguns de seus títulos são adaptados para o teatro, como A Bruxa Zelda, Os 80 docinhos e Truks - que ganha o Prêmio Mambembe em 1994. Em 2000, desenvolve a caracterização dos personagens de Sítio do Pica Pau Amarelo, criação de Monteiro Lobato (1882-1948) refilmada pela Rede Globo de Televisão, e, em 2002, é escolhida para ilustrar a reedição de seis livros infantis de Érico Veríssimo (1905-1975).

Análise

A obra de Eva Furnari, composta por cerca de 60 títulos, concentra-se inicialmente no desenho, aos poucos se abre para a presença do texto e em seguida atinge o equilíbrio entre imagem e palavra.

A série Peixe vivo, com a qual estreia em livro, destina-se a pré-leitores. Cada par de páginas de Todo dia (1980), o primeiro título, apresenta uma situação familiar às crianças de 2 a 4 anos: a sensação de fome ("Ai, que fome!"), a chegada da avó à casa ("Olha quem chegou"), entre outros - sempre em quadros não narrativos. Já Cabra-cega (1980), destinado à criança de 3 a 5 anos, traz quadros compondo sequência narrativa. Embora o texto se limite ainda à legenda, pares de páginas como os de "As almofadas" ou "A rasteira" apresentam certa evolução na elaboração literária das composições que descrevem as brincadeiras realizadas pelas personagens.

As obras que apresentam a personagem Bruxinha são frequentemente jocosas e efetuam jogos com as limitações do suporte livro, explorando, por exemplo, o limite das páginas. È o caso de Bruxinha 2, onde um cachorro escala o topo do quadro, chegando a ficar de ponta-cabeça para o leitor, ou se livra de uma nuvem chuvosa que o persegue fazendo-a se chocar contra a margem direita. Em A Bruxinha Encantadora e Seu Secreto Admirador, Gregório (1983) o procedimento metalinguístico é ainda desenvolvido: o protagonista Gregório "assiste" às histórias da Bruxinha, por quem se apaixona, ao mesmo tempo em que tenta estabelecer contato com Eva, a autora, por meio de recados escritos, para que ela o apresente a Bruxinha.

Nós (1999), em que há equilíbrio entre texto e ilustração, tem como protagonista Mel, uma garota que "estava sempre rodeada de borboletas". Devido à zombaria de colegas, começa a ganhar nós por todo o seu corpo. A exploração do chiste - texto e desenho concretizam o que em linguagem corrente é metáfora - torna-se clara quando Mel, diante da solidão, desenvolve um nó na garganta. Ao se apaixonar por um semelhante, a garota estará livre do sofrimento.

Situação análoga é retratada em Felpo Filva (2006), em que um coelho poeta vence seu pessimismo após conhecer Charlô, que critica seus poemas. Nesse livro, além de retornar ao tema do respeito pelas diferenças (Felpo tem uma orelha mais curta que a outra), a autora novamente joga com os limites do gênero. Aqui haverá diferentes tipos de texto: autobiografia, carta, manual, receitas, provérbios e fábulas - outro traço característico das obras da autora.

Outras informações de Eva Furnari:

  • Outros nomes
    • Eva Furnari
  • Habilidades
    • ilustradora
    • Arquiteta-urbanista
    • escritora

Midias (1)

Eva Furnari - Enciclopédia Itaú Cultural
Autora e ilustradora de livros, Eva Furnari integra uma geração que começou a fazer literatura para crianças na década de 1970 e viveu o crescimento do gênero nos anos 80. “Foi um grupo muito especial que amadureceu e, hoje, a produção de livros infantis é muito mais desenvolvida do que há 15, 20 anos”, acredita. A escritora chama a atenção para uma leva de autores que começou a produzir no início do século 21, cujo trabalho com ilustração se caracteriza pelo uso do computador. “É um instrumento novo e também uma maneira diferente de ilustrar”, diz ela, que os compara aos criadores de desenhos animados. Eva destaca, no entanto, a necessidade de a criatividade desses jovens vir acompanhada de “estruturação”. “Mas isso vem com a maturidade. Falta construir uma boa história, um bom enredo, fazer uma ilustração que esteja amarrada ao texto. Mas as coisas positivas ainda são mais presentes do que as negativas.”

Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (7)

Artigo sobre 6ª Jovem Arte Contemporânea

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de início6ª Jovem Arte Contemporânea : 14-10-1972  |  Data de término | 28-10-1972
Resumo do artigo 6ª Jovem Arte Contemporânea :

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (9)

  • COELHO, Nelly Novaes. Dicionário crítico da literatura infantil e juvenil brasileira: séculos XIX e XX. 4. ed. São Paulo: Edusp, 1995.
  • COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. 7 ed. São Paulo: Moderna, 2002.
  • ARROYO, Leonardo. Literatura infantil brasileira. São Paulo: Melhoramentos, 1988.
  • BREVES, Tereza. O livro-de-imagem: um (pre)texto para contar histórias. Imperatriz, MA: Breves Palavras, 2000.
  • COELHO, Nelly Novaes. Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil: das origens indo-europeias do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ática, 1991.
  • FUNARI, Eva. Eva Furnari: literatura infantojuvenil. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1999. (Série O escritor por ele mesmo).
  • GÓES, Lúcia Pimentel. Introdução à literatura infantil e juvenil. São Paulo: Thomson Pioneira, 1991.
  • GÓES, Lúcia Pimentel. O olhar de descoberta. São Paulo: Mercuryo, 1996.
  • LAJOLO, Marisa; ZILBERMAN, Regina. Literatura infantil brasileira. São Paulo: Ática, 1984.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • EVA Furnari. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11914/eva-furnari>. Acesso em: 18 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7