Artigo da seção pessoas Ernesto Neto

Ernesto Neto

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deErnesto Neto: 1964 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Colônia [Aglomeração de "Pesos" e "Passos"] , 1989 , Ernesto Neto

Biografia

Ernesto Saboia de Albuquerque Neto (Rio de Janeiro RJ 1964). Artista multimídia. Na década de 1980, estuda escultura com Jaime Sampaio e com João Carlos Goldberg na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV/Parque Lage). Realiza ainda cursos de intervenção urbana e escultura com Cleber Machado e com Roberto Moriconi, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). Sua produção situa-se entre a escultura e a instalação. No início da carreira, sua trajetória é marcada pelas obras dos artistas José Resende (1945) e Tunga (1952), na exploração da articulação formal e simbólica entre matérias diversas. Mais tarde, passa a utilizar predominantemente meias de poliamida e outros materiais mais flexíveis e cotidianos. Na segunda metade dos anos 1990, Ernesto Neto realiza esculturas nas quais emprega tubos de malha fina e translúcida, preenchidos com especiarias de variadas cores e aromas, como açafrão ou cravo da índia em pó. As esculturas apresentam alusões ao corpo humano no tecido que se assemelha à epiderme e nas formas sinuosas que se estabelecem no espaço. No final da década de 1990, Ernesto Neto passa a elaborar as "naves", estruturas de tecido transparente e flexível, que podem ser penetradas pelo público.

Análise

Os trabalhos de Ernesto Neto situam-se entre a escultura e a instalação. No início da carreira, sua trajetória é marcada pelas obras dos artistas José Resende (1945) e Tunga (1952), na exploração da articulação formal e simbólica entre matérias diversas. Na obra A-B-A (chapa-corda-chapa), de 1987, explora a tensão estabelecida entre chapas retangulares de ferro, unidas por uma corda de nylon. Opta por procedimentos construtivos simples, que envolvem a articulação desses materiais também em relação ao ambiente circundante.

Na instalação Copulônia (1989), insere pequenas esferas de chumbo em meias de poliamida, que pendem do teto ou se apresentam dispostas no chão. Explora assim o peso do metal, a plasticidade proporcionada pelas pequenas esferas e a aparente fragilidade do tecido. A utilização de meias de poliamida marca a trajetória do artista em relação ao abandono gradual de elementos construtivos mais rígidos e a busca de materiais mais flexíveis e cotidianos.

Na segunda metade da década de 1990, Ernesto Neto passa a realizar esculturas nas quais emprega tubos de malha fina e translúcida, preenchidos com especiarias, de variadas cores e aromas: açafrão, urucum, cominho, pimenta-do-reino moída ou cravo em pó. Em algumas obras, os amontoados de temperos são dispostos no chão enquanto as extremidades dos tubos de tecido são amarradas no teto, gerando a verticalidade das esculturas e também uma interação com o espaço expositivo. As esculturas apresentam alusões ao corpo humano, no tecido que se assemelha à epiderme e nas formas sinuosas que se estabelecem no espaço. Os títulos dos trabalhos reiteram a intenção do artista de situar o corpo humano na centralidade de sua obra: O Céu É a Anatomia do Meu Corpo ou Acontece na Fricção dos Corpos (ambas de 1998).

No fim da década de 1990, Ernesto Neto passa a elaborar estruturas de tecido transparente e flexível, que podem ser penetradas pelo público. Algumas dessas esculturas são denominadas "naves". Na opinião do crítico de arte Moacir dos Anjos, nas "naves" pode ser percebida a inspiração em trabalhos de Hélio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988).

Ernesto Neto realiza ainda um outro grupo de trabalhos nos quais revela a vontade de capturar o corpo humano no interior das esculturas, como ocorre com Humanóides (2001), nas quais o espectador "veste" a escultura, o que transmite uma sensação de conforto e aconchego. Em trabalhos apresentados entre 2002 e 2003, ele utiliza basicamente luz e tecidos. Cria superfícies de lycra, dentro das quais o espectador pode caminhar, ficando imerso em campos de cor. O tecido deixa de ser o recipiente para os pigmentos e tornar-se, simultaneamente, matéria e cor.

O artista cria em suas obras espaços de intercâmbio, que solicitam do espectador a superação da experiência meramente visual, aguçando seus sentidos. O corpo prevalece como eixo de sua proposta. Emprega constantemente formas que se tocam no espaço, estabelecendo sugestões de sensualidade e de união física, presentes em grande parte de sua produção.

Outras informações de Ernesto Neto:

  • Outros nomes
    • Ernesto Saboia de Albuquerque Neto
  • Habilidades
    • artista multimídia
  • Relações de Ernesto Neto com outros artigos da enciclopédia:

Obras de Ernesto Neto: (4) obras disponíveis:

Midias (2)

Investigações: O Trabalho do Artista - Itaú Cultural

O carioca Ernesto Neto queria ser astronauta. Encontra na arte a melhor forma de se expressar no espaço social na década de 1980. “Eu não pensava em ser artista, queria fazer escultura e pronto”, conta. Interessa-se pela concretude da escultura como possibilidade de intervenção social, em obras de micro e macroformatos feitas de materiais diversos, como ferro, pedras, tecidos, cordas e líquidos. São relações binômias que brincam com a flexibilidade, o volume e o movimento na intenção de provocar a interatividade e o aspecto sensorial no público de suas exposições. “O mundo é feito do choque entre a fantasia e a realidade. A fantasia é o seu desejo, estão implícitas a utopia e a vontade, você quer aquilo, mas a realidade te segura. Vejo escultura em tudo. Nas relações sociais, no fluxo da cidade. Em tudo”, explica.

Produção: Documenta Vídeo Brasil
Captação, edição e legendagem: Sacisamba
Intérprete: Carolina Fomin (terceirizada)
Locução: Júlio de Paula (terceirizado)

Exposições (240)

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Fontes de pesquisa (15)

  • ARTE e artistas plásticos no Brasil 2000. Posfácio Luiz Armando Bagolin. São Paulo: Meta, 2000. 227 p.
  • BARROS, Regina Teixeira de. Ernesto Neto. Galeria: revista de arte, São Paulo, n. 31, p. 47, 1992.
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  • ERNESTO NETO. Ernesto Neto: o corpo, nu tempo. Santiago de Compostela, Centro Galego de Arte Contemporánea, 2002. 350p. ilus. color.
  • ERNESTO NETO. Ernesto Neto. Tradução Sarah Bailey. Recife: MAMAM, 2003. 40 p., il. color.
  • ERNESTO NETO. Ernesto Neto. Tradução Stephen Berg. São Paulo: Galeria Camargo Vilaça, 1994. [8] p., il. p&b. color.
  • ESCULTURA carioca. Apresentação Lauro Cavalcanti; tradução Paulo Andrade Lemos. Rio de Janeiro: Paço Imperial, 1994. s.p.
  • ESCULTURA plural. Salvador: MAM, 1996. 24 p., il., p&b.
  • MACUNAÍMA 89. Apresentação Iole de Freitas, Luíza Interlenghi, Lorenzo Mammì. Rio de Janeiro: Funarte. Instituto Nacional de Artes Plásticas, 1989. [108] p., il. p&b.
  • MATERIAL, immaterial.  Sydney: Art Gallery of New South Wales, 1994. 63 p. il.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte contemporânea. Curadoria geral e organização Nelson Aguilar; curadoria Franklin Espath Pedroso; tradução Arnaldo Marques, Ivone Castilho Benedetti, Izabel Murat Burbridge, Katica Szabó, John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo : Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • POÉTICAS da cor. Versão em inglês Stephen Berg; apresentação Ligia Canongia. Rio de Janeiro: Centro Cultural Light, 1998. 125 p., il. color.
  • SALÃO NACIONAL DE ARTES PLÁSTICAS, 11., 1989, Rio de Janeiro, RJ. 11º Salão Nacional de Artes Plásticas. Coordenação Leila Cristina Teles. Rio de Janeiro: Funarte, 1989. [112] p., il. color.
  • SÉCULO 20: arte do Brasil. Curadoria Nelson Aguilar, Franklin Espath Pedroso. Lisboa: Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, 2000.
  • TRANSPARÊNCIAS. Apresentação Helena Severo; versão em inglês Nicola Lopez. Rio de Janeiro: MAM, 1996. 68 lâms., il. p.b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ERNESTO Neto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa11848/ernesto-neto>. Acesso em: 28 de Jul. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7