Artigo da seção pessoas Myrian Muniz

Myrian Muniz

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Teatro  
Data de nascimento deMyrian Muniz: 28-10-1931 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de morte 18-12-2004 Local de morte: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Myrian Muniz de Mello (São Paulo SP 1931 - idem 2004). Atriz e diretora. De incontáveis recursos, quer dramáticos, quer humorísticos, presente no Teatro de Arena nos anos 60, posteriormente desenvolvendo profícua carreira como intérprete, professora de teatro e diretora.

Ao concluir sua formação na Escola de Arte Dramática, EAD, estréia no infantil A Bruxinha Que Era Boa, de Maria Clara Machado, em 1961. No teatro adulto, no mesmo ano, integra o elenco de José, do Parto à Sepultura, de Augusto Boal, encenação de Antônio Abujamra para o Teatro Oficina. Após ter participado de Tia Mame, de Jerome Lawrence e Robert E. Lee, e Chuva, de John Colton e Clemence Randolph, dois carros-chefes do repertório de Dulcina de Moraes, em 1962, Myriam inicia sua incursão no Teatro de Arena na montagem de O Noviço, de Martins Pena, em 1963.

Destacando-se como atriz cômica, explora esse veio nas montagens subseqüentes da companhia, todas sob a direção de Augusto Boal: a mãe, em A Mandrágora, de Maquiavel; a criada Dorina de O Tartufo, de Molière, em 1964; a mulher do Governador em O Inspetor Geral, de Nikolai Gogol, em 1966; uma camponesa desbocada em La Moschetta, de Angelo Beolco, em 1967.

No ano seguinte está em Primeira Feira Paulista de Opinião, espetáculo-colagem de Boal, sua última participação em montagens do Arena. Em 1968, compõe o elenco de Marta Saré, texto de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, encabeçado por Fernanda Montenegro. Tom Paine, um musical de Paul Foster, dirigido por Ademar Guerra, conta com sua presença, em 1970.

A partir de então Myriam começa a diversificar suas atividades, ora intervindo como intérprete, ora como diretora de shows musicais, ocupando-se também de ministrar aulas de interpretação para elencos.

Em 1975, ao lado de seu marido Sílvio Zilber, do psicanalista Roberto Freire e do cenógrafo Flávio Império abre a Teatro-Escola Macunaíma, centro experimental de formação teatral que irá conhecer grande sucesso nos anos subsequentes.

Ao longo dos anos 70, brilha nos palcos em Só Porque Você Quer..., de Luigi Pirandello, e As Sabichonas, de Molière, ambas ao lado de Paulo Autran, em 1971. Participa, ainda, de Fala Baixo, Senão eu Grito, de Leilah Assumpção, em 1973, e em Eva Perón, de Copi, em 1979.

A década seguinte é quase que totalmente dedicada à direção e participação no cinema e na TV. Pegando Fogo...Lá Fora, um espetáculo sem repercussão de Gianfrancesco Guarnieri em 1988, conta com sua presença.

Inicia os anos 90 no elenco de A História Acabou, texto e direção de Fauzi Arap, em 1991, e dois anos após está em Porca Miséria, comédia de Marcos Caruso e Jandira Martini.

Entre os shows por ela dirigidos temos, em 1975, Falso Brilhante, espetáculo que propicia uma guinada na carreira da cantora Elis Regina. Para Célia cria Por um Beijo, em 1978; e para Itamar Assumpção e a Banda Isca de Polícia dirige Fugaz, em 1984. No ano seguinte dirige o grupo Raíces de America; retornando ao campo musical em 1994, para encenar a ópera O Empresário, de Mozart, no Centro de Convivência de Campinas.

Alguns espetáculos teatrais nasceram de seu trabalho, com destaque para Dorotéia Vai à Guerra, de Carlos Alberto Ratton, em 1976; como preparadora de elenco de Torre de Babel, espetáculo de Fernando Arrabal montado por Ruth Escobar em 1977; e Boca Molhada de Paixão Calada, de Leilah Assumpção, em 1984.

No cinema sua carreira registra alguns momentos de grande brilho, como em Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, em 1969; Cléo e Daniel, de Roberto Freire, em 1970; um filme experimental de Flávio Império, Renina Katz e Marlene Milan, denominado Pequena Ilha da Sicília, em 1975, onde ela desempenha a narração; Mar de Rosas, inovadora realização de Ana Carolina em 1977; O Homem do Pau Brasil, mais uma vez com Joaquim Pedro de Andrade em 1988; e Das Tripas Coração, realização de Ana Carolina em 1982. Com Roberto Santos participa de Nasce uma Mulher, no ano seguinte.

Na televisão integra elencos de muitas telenovelas, seriados e casos especiais, obtendo grande rendimento em Gente como A Gente, direção de Ademar Guerra, em 1962; Nino, o Italianinho, de Geraldo Vietri, em 1969; e, do mesmo autor, A Fábrica, em 1971.

Escrevendo sobre a atriz na ocasião de sua morte, o crítico Jefferson del Rios sintetiza sua especificidade como artista: " 'O que ?!!!...' Quando Myrian Muniz grita assim, a pergunta revela a chave da sua interpretação. Poucos como ela ? talvez mesmo só ela ? conseguem bradar de um jeito em que o cômico e o dramático estão em proporções iguais. Dependendo das circunstâncias, Myriam tira partido do efeito da pergunta e conduz o papel para um viés mais engraçado ou mais tenso. É uma química só dela, fruto de temperamento e memória ancestral das famílias italianas e portuguesas das quais descende.

Myrian Muniz, no palco ou fora dele, oscila como quer, e até sem querer, da extroversão itálica com raízes em Bari à contenção dos Açores. Tem a voz e o sentimento das grandes mães e avós desde os tempos da Escola de Arte Dramática, onde dirigida por Alberto D'Aversa, fez Bodas de Sangue, de García Lorca

Dessa energia cultural espontânea, surgiu a atriz que encarna a Suma do popular ítalo-brasileiro. A mágica é que essa figura de Juó Bananére (1892 - 1933) e Alcântara Machado tem densidade para os clássicos. Mirian, se não se cuidar, pode até desequilibrar o espetáculo com uma personalidade cênica onde se confunde bonomia e, curiosamente, certo ar de mau humor.

Sim, ela tem cara de brava como também um jeito camponês do sul europeu, (é parecida com a atriz grega Katina Paxinou). Essa persona e esse estilo se impuseram numa seqüência de comédias. Depois de passar pelo Oficina, Cia Nydia Lícia (ao lado de Conchita e Dulcina de Moraes) e o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), viveu uma grande fase no Teatro de Arena: A Mandrágora, de Maquiavel (1962), O Noviço, de Martins Pena (1963) Tartufo, de Molière (1964). O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol e La Moschetta, de Ruzzante, (1967) e Desde então, Myriam Muniz é Myriam Muniz no cinema, tevê (Nino, o Italianinho) bastante teatro (Pegando Fogo...lá fora, de Gianfrancesco Guarnieri e Porca Miséria, de Marcos Caruso e Jandira Martini são os espetáculos mais recentes).Dirigiu Elis Regina em Falso Brilhante e formou muita gente em cursos de interpretação. Uma carreira digna de estudo. Maria Thereza Vargas, a biógrafa de Cacilda Becker, coordenou a edição de Giramundo- o Percurso de uma Atriz. Está tudo lá....... gritando: O que ?!!!...".1

Notas

1 . RIOS, Jefferson del. O que ?!!!... (texto em homenagem póstuma a Myriam Muniz). São Paulo, 20 de dezembro de 2004.

Outras informações de Myrian Muniz:

  • Outros nomes
    • Myriam Muniz de Mello
    • Miriam Muniz
    • Mirian Muniz
  • Habilidades
    • ator
    • professor
    • diretor de teatro

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Eventos relacionados (2)

Fontes de pesquisa (19)

  • Programa do Espetáculo - Arena Conta Zumbi - 1965 Não catalogado
  • TEIXEIRA, Isabel (Coord.). Arena conta arena 50 anos. Texto Vadim Nikitin, Isabel Teixeira; pesquisa Anna Setton, Felipe Gonçalves Schermann, Isabel Teixeira, Newton Moreno. São Paulo: Cia. Livre da Cooperativa Paulista de Teatro, [2004]. CDR792A681
  • ALBUQUERQUE, Johana. Myrian Muniz (ficha curricular). In: _______. ENCICLOPÉDIA do Teatro Brasileiro Contemporâneo. Material elaborado em projeto de pesquisa para Fundação VITAE. São Paulo, 2000.
  • BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1977.
  • CENTRO CULTURAL SÃO PAULO. Divisão de Pesquisas. Cronologia das artes em São Paulo 1975-1995: Artes cênicas - Teatro. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. , il. p&b. (Cronologia das artes em São Paulo, 3).
  • http://busca.estadao.com.br/divirtase/cinema/noticias/2004/dez/19/57.htm O Estado de S. Paulo
  • MAGALDI, Sábato. Um palco brasileiro: o Arena em São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1984. 100 p., il. p&b. (Tudo é história, 85).
  • MICHALSKI, Yan. O palco amordaçado: 15 anos de censura teatral no Brasil. Rio de Janeiro: Avenir, 1979. 95 p. (Depoimentos, 13). 
  • MICHALSKI, Yan. O teatro sob pressão: uma frente de resistência. Coordenação editorial Ana Cristina Zahar. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989. 95 p. (Brasil, os anos de autoritarismo: análise, balanço, perspectivas).
  • Programa do Espetáculo - A Vida Impressa em Dolar - 1961 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Arena Conta Tiradentes - 1967 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Boca Molhada de Paixão Calada - 1984. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Eva Perón - 1979. Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Inspetor Geral - 1966 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Noviço - 1963 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Os Inimigos - 1966 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Torre de Babel - 1977 Não catalogado
  • TEATRO de Arena. Dyonisos, Rio de Janeiro, n. 24, out. 1978.
  • VARGAS, M. Thereza. Giramundo: Myrian Muniz: o percurso de uma atriz. São Paulo. Editora Hucitec: 1998.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MYRIAN Muniz. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa109259/myrian-muniz>. Acesso em: 25 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7