Artigo da seção pessoas Cacá Carvalho

Cacá Carvalho

Artigo da seção pessoas
Teatro  
Data de nascimento deCacá Carvalho: 24-04-1953 Local de nascimento: (Brasil / Pará / Belém)

Biografia
Carlos Augusto Carvalho Pereira (Belém PA 1953). Ator e diretor. Intérprete com uma linha de trabalho muito própria e coerente, que lhe permite transitar tanto nas manifestações artísticas experimentais, como também no teatro tradicional.

Inicia suas atividades teatrais junto à Universidade de Belém do Pará, entre 1968 e 1969, participando dos grupos Teatro Experiência e Barca da Cultura da Amazônia. Em São Paulo faz dois anos de formação no Piccolo Teatro. Novamente em Belém, com Aderbal Freire-Filho, participa de um espetáculo com textos de Qorpo-Santo.

Em 1976, na capital paulista participa de uma produção de Morte e Vida Severina, no Teatro Popular do Sesi (TPS), até integrar o grupo de pesquisa selecionado por Antunes Filho para encenar Macunaíma, em 1978. Reconhecido como brilhante revelação de intérprete, se mantém no papel título até desligar-se do grupo em Nuremberg, 1980, onde estagia com Arianne Mnouchkine.

Ao voltar ao Brasil decide abandonar o teatro e torna-se artesão, no Embu. Em 1982, volta aos palcos, sob a direção de Paulo Yutaka, para a realização de Teatro Maluco de Zé Fidelis, baseado em crônicas do humorista paulistano. No mesmo ano, com direção de Juca de Oliveira, atua em Otelo, de William Shakespeare. Participa de A Ley de Linch, de Walter Quaglia, ao lado de Cleyde Yáconis, e integra o elenco de Hamlet, de William Shakespeare, direção de Marcio Aurelio, ambas em 1984.

Em 1986 protagoniza Meu Tio, o Iauaretê, espetáculo dirigido por Roberto Lage, inspirado no conto de Guimarães Rosa, que projeta o trabalho de Cacá Carvalho como intérprete. Na opinião do crítico Alberto Guzik a criação do artista no espetáculo revela que "o ator se entregou à composição de Berô com minúcia e paixão. Sua criação apóia-se menos no desempenho físico que na captura do universo sonoro do homem-onça. Desfia com voz sedutora os causos que na longa noite das Gerais dão conta de seu crescente desgosto dos homens e amor pelas onças. São momentos extraordinários de Carlos Augusto: a beatitude com que descreve o processo de raciocínio de um felino satisfeito, a lírica evocação do amor quase carnal de Berô pela onça Maria-Maria, a ferocidade com que o onceiro possuído pelo espírito do animal, investe contra a família desamparada de um vizinho, chacinando mulheres e crianças".1

O sucesso da realização leva-o a apresentar-se no Centro per la Sperimentazioni e la Ricerca Teatrale, Pontedera, Itália, onde é assistido por Grotowski. A partir de então, torna-se colaborador do Centro como ator, pedagogo ou assistente de direção. Em 1988, se apresenta no Festival de Volterra com Inútil Canto, Inutil Pranto Pelos Anjos Caídos, de Plínio Marcos, renomeado para 25 Homens, sob a direção de François Kanh.

Realiza duas direções para a Escola Livre de Santo André: O Alienista, de Machado Assis, 1991 e Grande Sertão, adaptação de Luís Alberto de Abreu do romance de Guimarães Rosa, 1992.

Numa encenação de Roberto Bacci atua em O Homem de Flor na Boca, de Luigi Pirandello, 1994, com o qual realiza uma excursão internacional.

Em 1996, sob a direção de Moacir Chaves, interpreta o Sganarello de Don Juan, ao lado de Edson Celulari, outra oportunidade de reconhecimento. Alterna, a partir de então, atividades ligadas à formação de atores, cursos, espetáculos de formatura, no Brasil e na Itália.

Em 1999, está novamente ao lado de Edson Celulari, com quem alterna os papéis principais em Fim de Jogo, de Samuel Beckett, numa concepção de Francisco Medeiros. No mesmo ano, dirige Partido, baseado em texto de Ítalo Calvino, para o Grupo Galpão, de Belo Horizonte, com quem atua no espetáculo seguinte, Um Trem Chamado Desejo, de Luís Alberto de Abreu, numa direção de Chico Pelúcio. Em 2003, volta a chamar atenção com um monólogo de Luigi Pirandello, A Poltrona Escura, novamente dirigido por Roberto Bacci.

Este diretor italiano, com quem Cacá tem uma parceria constante, escreve sobre o trabalho do intérprete: "Se è ; vero che attori si nasce, Cacà Carvalho lo è nato certamente più di altri. Poi è anche diventato un "grande attore". Ma fra i grandi attori Cacà ricopre un ruolo particolare e questo grazie alla sua particolare inquietudine. Questa inquietudine nasce soprattutto dal conflitto tra rigore e generosità: un rigore che ricerca con autentica necessità territori della tecnica sempre nuovi e sconosciuti e una generosità che lo porta verso esperienze professionali sempre a rischio, spesso lontano dal mercato dello spettacolo che più volte ha rifiutato. Del resto, anche quando si è prestato alla televisione o al grande teatro commerciale è sempre stato lui a vincere la sfida, lavorando creativamente e imponendo le proprie regole artistiche senza mai subirle. Tra i grandi attori, Cacà è anche uno dei più vicini al teatro delle nuove generazioni e questo non solo per la fascinazione che esercita come artista, ma soprattutto per il rispetto che si è andato conquistando, collaborando per anni con esperienze nuove  e di gruppo (sia come regista, come pedagogo, attore o semplicemente offrendo buoni consigli). Infine, si può dire che Cacà è un attore o studioso che riflette attivamente sul senso e sul destino del teatro e del mestiere d'attore. Per questo, ogni volta che ha incontrato i grandi maestri viventi ha sempre ricevuto un grande rispetto: sono testimone diretto della stima che Jerzy Grotowski aveva per il lavoro e l'intelligenza di Cacà.

Cacà Carvalho è oggi un maestro (e non solo nell'ambito del teatro brasiliano) che sa essere anche un perpetuo allievo. Questo non è solo un complimento che gli si potrebbe fare, ma è soprattutto la verità".2

Notas
1. GUZIK, Alberto. A prosa de Guimarães Rosa: melódica, visual. E no palco. Jornal da Tarde, São Paulo, 5 ago. 1986, p. 18.

2. BACCI, Roberto. Perfil analítico de Cacá Carvalho. Pontedera, Itália, dez. 2002. Texto redigido especialmente para a Enciclopédia de Teatro do Itaú Cultural.

Outras informações de Cacá Carvalho:

  • Outros nomes
    • Carlos Augusto Carvalho Pereira
    • C.A. Carvalho
    • Caca Carvalho
    • Carlos Augusto Carvalho
  • Habilidades
    • Ator
    • diretor de teatro

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Fontes de pesquisa (8)

  • CARVALHO, Cacá. Entrevista concedida a Johana Albuquerque. São Paulo, set. 2002.
  • CARVALHO, Tania. Ney Latorraca: uma celebração. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 135 p. (Aplauso Especial). 792.092 L358c
  • EICHBAUER, Hélio. [Currículo]. Enviado pelo artista em 24 de abril de 2011. Espetáculo: O Percevejo (Klop) - 1981 Não catalogado
  • NÉSPOLI, Beth. Cacá Carvalho é disputado por diretores. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 jul. 1997. Caderno 2, p. D9.
  • Planilha enviada pelo pesquisador Edélcio Mostaço Não Catalogado
  • Programa do Espetáculo - Macunaima -1978. Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Homem Provisório - 2007 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Othello - 1982 Não catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CACÁ Carvalho. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa109126/caca-carvalho>. Acesso em: 25 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7