Artigo da seção pessoas Clara Pinto

Clara Pinto

Artigo da seção pessoas
Dança  
Data de nascimento deClara Pinto: 1946 Local de nascimento: (Brasil / Pará / Belém)

Biografia

Clara Pinto Nardi (Belém PA 1946). Professora de dança, diretora artística, bailarina e coreógrafa. Em 1957, ingressa no balé clássico na Academia de Acordeon Professor Alencar Terra, onde faz aulas com Augusto Rodrigues (1928). Estuda com ele até 1967 e se torna bailarina de seu conjunto coreográfico. Paralelamente, se apresenta no auditório da Rádio Marajoara e no Programa Pierre Show, da TV Marajoara, em meados de 1965.

Em 1966, o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro se apresenta em Belém, e Clara Pinto conhece Aldo Lotufo (1925), Eleonora Oliosi (1939) e Helba Nogueira (1930-1997). Entre 1966 e 1970, viaja anualmente para o Rio de Janeiro e faz aulas de balé clássico, jazz e dança moderna com professores como Eleonora Oliosi, Helba Nogueira, Leda Iuqui (1922), Eugênia Feodorova (1923-2007), Nino Giovanetti (1933-2008), Tatiana Leskova (1922), Dalal Achar (1937) e Nina Verchinina (1910-1995).

Gradua-se em direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA), onde leciona entre 1972 e 1975. Por volta de 1977, viaja para Londres e submete-se ao exame da Royal Academy of Dance (RAD), recebendo o diploma desse programa de ensino. Em 1979, funda a Escola de Danças Clara Pinto, onde trabalhar especificamente com os fundamentos da RAD. É a responsável pela implantação deste sistema de ensino da dança em Belém.

Clara Pinto é delegada da Região Norte no Conselho Brasileiro da Dança (CBDD), e em 1989, recebe deste conselho a Medalha de Mérito Artístico da Dança. Como professora de balé clássico é convidada a ministrar cursos em festivais de dança e instituições, inclusive no exterior. Por volta de 1990, ministra um curso de balé clássico na Universidade Zulia na Venezuela, e no mesmo período nos festivais de Bento Em Dança, Porto Alegre em Dança etc. 

A Cia. de Danças Clara Pinto surge no cenário paraense por volta de  1982, e no mesmo período, estreia o espetáculo Vitória Régia, com coreografia de Emilio Martins e direção de Clara Pinto. Em 1994, Clara Pinto idealiza e coordena o Festival Internacional de Dança do Pará (Fida), que apresenta artistas locais e de fora, como: Marcya Haydée (Alemanha), Raul Candal (Argentina) Karl Singleterre (Estados Unidos), Ana Botafogo (Brasil) e Nora Esteves (Brasil).

Em 1997, Clara Pinto assina a direção artística do balé de repertório O Quebra Nozes e torna-se a primeira professora paraense a realizar uma montagem completa de um balé com um elenco, na sua maioria, formado por bailarinos paraenses.

Entre 1989 a 1992, participa das edições do Festival Nacional de Uberlândia e sua coreografia Balé Nós da Terra obtém o primeiro lugar. Nesse trabalho, novamente Clara Pinto fala sobre os problemas das comunidades ribeirinhas. Altino Pimenta assina a trilha sonora.

 

Comentário Crítico

Clara Pinto é uma das grandes expoentes do ensino, criação e difusão da dança clássica no estado do Pará, além de ser a primeira a obter o teacher certificate, da Royal Academy of Dance, na região. Durante a sua formação artística, tem a oportunidade de experimentar e vivenciar distintas formas de dança, como jazz, dança moderna, sapateado e balé clássico. A paixão e a dedicação ao balé clássico a colocam como uma das referências do gênero na região Norte do Brasil. É responsável pela formação de muitas bailarinas e professoras de dança com o método RAD na cidade de Belém.

As obras coreográficas de Clara Pinto apresentam a cultura amazônica. Segundo ela, o interesse por lendas, mitos e pela população ribeirinha e os índios vem do trabalho de Marika Gidali (1937), de quem é grande admiradora. Dentre os vários espetáculos que produz, destacam-se Homenagem a Waldemar Henrique (1986), Paraçaiporai (1988) e Realidade Amazônica (1997). Todos apresentam narrativas que permeiam o imaginário da cultura popular, seja pela utilização de músicas de compositores paraenses - como os maestros Waldemar Henrique (1905-1995) e Altino Pimenta (1921-2003) -, seja pelo uso de objetos cênicos e cenários ligados à vida amazônica. Nesses trabalhos, os movimentos e gestos coreografados apresentam características de nativos da Amazônia.

Muitas das coreografias de Clara Pinto, sobretudo de temas regionais, apresentam uma fusão entre o balé clássico e a dança moderna, em que há significativa liberdade de movimentação do tronco e do uso do chão. É uma das responsáveis pela difusão da técnica do balé clássico no Estado do Pará.

Outras informações

  • Outros nomes
    • Clara Pinto Nardi
  • Habilidades
    • bailarino
    • coreógrafo
    • diretor artístico
    • professor de dança
    • Direito
    • Dança

Fontes de pesquisa (3)

  • MOREIRA. Giselle da Cruz. Sinapses rizomáticas: a história da dança em Belém do Pará de 1950 a 1990. Tese. Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas. Salvador: UFBA, 2009.
  • NARDI, Clara Pinto. Entrevista concedida pela professora, bailarina e coreógrafa em Belém, 26 set. 2011.
  • PORTINARI, Maribel. Eugenia Feodorova: a dança da alma russa. Rio de Janeiro: Funarte: Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 2001.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CLARA Pinto. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa108961/clara-pinto>. Acesso em: 25 de Mar. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7