Artigo da seção pessoas Angel Vianna

Angel Vianna

Artigo da seção pessoas
Teatro / dança  
Data de nascimento deAngel Vianna: 17-06-1928 Local de nascimento: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Biografia
Maria Ângela Abras Vianna (Belo Horizonte, MG, 1928), bailarina, professora, coreógrafa, pesquisadora e artista plástica. Descende de imigrantes libaneses estabelecidos no século XIX,  no Arraial de Curral Del Rey, futura Belo Horizonte. Estuda piano na infância, balé com Carlos Leite (1916-1995), em 1948, e cursa artes plásticas na Escola Guignard, em 1952. Integra o Ballet de Minas Gerais, definindo-se profissionalmente como bailarina. Cria os figurinos da coreografia Cobra Grande (1955), de Klauss Vianna (1928-1992), casando-se com ele nesse ano. Juntos dirigem a Escola de Dança Klauss Vianna, na qual Angel inicia seu trabalho pedagógico com a dança aprofundando estudos de anatomia, fisiologia e cinesiologia1.

Estreita contato com artistas e intelectuais da geração complemento2 e integra o recém-criado Ballet Klauss Vianna (1959), em que atua como solista em Neblina de Ouro (1959) e Caso do Vestido (1955/1959), ambos de Klauss. Em 1958, nasce seu único filho, o bailarino Rainer Vianna (1958-1995). Em 1962, trabalha pela primeira vez com atores na peça O Pagador de Promessas a convite do Teatro Universitário (TU), em Belo Horizonte. Nesse mesmo ano, participa do 1º Encontro de Escolas de Dança do Brasil, em Curitiba, onde estreia o pas-de-deux Marília de Dirceu, de Klauss Vianna, e apresenta o trabalho desenvolvido na escola de dança em Belo Horizonte.

Entre 1963 e 1964, vive em Salvador onde inaugura, com o marido, o setor de Dança Clássica da Graduação em Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atua no Grupo Juventude Dança, da mesma universidade. Passa a residir no Rio de Janeiro, trabalhando na televisão e na escola da bailarina Tatiana Leskova (1922), entre os anos de 1966 e 1975, na qual ensina expressão corporal para adultos. Assessora Klauss Vianna em montagens teatrais, que associa aos trabalhos de expressão e consciência corporal. Em 1966, dança o balé Giselle no corpo de baile da Companhia de Dalal Achcar (1937), que acompanha os bailarinos Margot Fonteyn (1919-1991) e Rudolf Nureyev (1938-1993).

Seguidamente monta coreografias e faz preparações corporais para espetáculos de dança e teatro, como As Relações Naturais (1969) e Terreno Baldio (1981), entre outros. Direciona seu trabalho em espaços especialmente voltados para uma pesquisa corporal aprofundada. São criados o Centro de Pesquisa Corporal Arte e Educação (1975) e o Centro de Estudo do Movimento e Artes – Espaço Novo (1983), que mais tarde se torna a Escola Angel Vianna. Em 1999, recebe a Comenda da Ordem ao Mérito Cultural, da Presidência da República do Brasil. Em 2001, funda a Faculdade Angel Vianna.

 

Comentário crítico
Angel Vianna é uma das formadoras de dança mais importantes do país, com papel particularmente significativo no Rio de Janeiro. Mesmo em períodos difíceis, como do regime militar3, o trabalho de Angel é incessante, criando pontes entre o teatro, a dança e a vida cotidiana.

Aproximando-se também do campo terapêutico, Angel colabora com o psiquiatra Roberto Freire (1927-2008), interpretando pacientes por meio de seus movimentos, orientados por exercícios e improvisações. Segundo Angel, “o corpo nunca mente, ao contrário da palavra, que pode escamotear as verdadeiras sensações”4.

Embora trabalhando continuamente na criação de espetáculos, a sala de aula é um lugar de excelência do trabalho pedagógico de Angel, como ela mesma diz:(...) a escola realmente me dá muito prazer, me fascina cada vez mais. É um caminho vital para transmitir o que sinto. Eu acredito no que faço e dar aula só me traz satisfação. Às vezes dou oito horas de aulas seguidas. Cada coisa que falo para o aluno, falo para mim também. Me gratifica demais saber que esse tipo de trabalho ajuda as pessoas, e à medida que ajuda a elas me ajuda também a me encontrar mais5.

Seus alunos são pessoas de profissões e faixas etárias as mais diversas. Em geral, utilizam a prática corporal para se aproximar de si mesmos. Buscam o autoconhecimento por meio da consciência corporal e psíquica. Na contramão da mecanização cotidiana e da imposição de um ritmo acelerado pela vida nas grandes cidades, o trabalho de Angel, desde o ensino livre, passando pelo técnico, a graduação e a pós-graduação na Escola Angel Vianna, procura pelo lugar possível de uma integridade física, emocional e espiritual que se constrói sobre as bases da atenção sobre si mesmo, numa comunicação através da linguagem corporal que existe desde o nascimento até a morte. Porém, como diz Angel:

Muitas vezes, morremos e nem sabemos que existimos. Nosso corpo vaga pesado, desmembrando-se da mente e do espírito. Não somos apenas um monte de ossos, músculos e órgãos. Pensamos, sentimos e há os que vão em busca de uma integridade.

Colocando otimismo e generosidade na dança, Angel deseja que essa filosofia sirva “para o crescimento do ser” e, fundamentalmente, “para a vida”6.

 

Notas
1 Cinesiologia é definida como uma área de conhecimento que estuda a estrutura, os mecanismos e as funções do organismo humano relacionadas ao movimento, assim como os processos e mudanças que o mesmo manifesta ao longo da vida. http://www.ufrgs.br/esef/especializacao/cinesiologia.php. Acessado em: 19 maio 2014.

2 Grupo de intelectuais mineiros que criou uma revista literária na década de 1950, de poucos números, e congregou artistas de várias áreas.

3 A ditadura militar se instaura em 1º de abril de 1964 e permanece até 15 de março de 1985. Os direitos políticos dos cidadãos são cassados e os dissidentes perseguidos.

4 PORTINARI, Maribel. A expressão corporal, a moda que não passou. Em busca da emoção o corpo Rio de Janeiro. O Globo, 10 de abril de 1977. In: POLO, Juliana (org.). Angel Vianna através da história: a trajetória da dança da vida, p. 306, 2005.

5 VIANNA, Angel. Apud FERNANDES, Valéria. Angel Vianna: “as pessoas precisam amar o seu corpo”. Jornal Ipanema. 30 dez. 1977. In: POLO, Juliana (org.). Angel Vianna através da história: a trajetória da dança da vida. Rio de Janeiro, p. 309, 2005.

6 VIANNA, Angel. Apud LENARD, Magda. A herança de Klauss Vianna. Diário da Tarde, 16 jul. 1992. In: POLO, Juliana (org.). Angel Vianna através da história: a trajetória da dança da vida. Rio de Janeiro, p. 410, 2005.

Outras informações de Angel Vianna:

  • Outros nomes
    • Maria Angela Abras Vianna
    • Angel A. Vianna
    • Angela A. Vianna
    • Angel Abras
    • Angela Abras
    • Maria Ângela Abras
    • Maria Ângela Vianna
    • Maria Ângela Abras Vianna
    • Angel Viana
  • Habilidades
    • coreógrafo
    • professor de dança
    • pesquisador
    • dançarino
    • curador
    • diretor
    • diretor artístico
    • produtor cultural
    • professor universitário
  • Relações de Angel Vianna com outros artigos da enciclopédia:

Espetáculos (10)

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (18)

  • CARDOSO, Antonio Carlos. Disponívem em: http://www.accfotodanca.com.br/diretor.htm. Acesso em: 05 jan. 2012.
  • KATZ, Helena. “Aquarela do Brasil” e alguns tropeços. Jornal da Tarde. 02 abr. 1979.
  • KATZ, Helena. O Brasil descobre a dança descobre o Brasil. São Paulo: Doréa Books and Art, 1994.
  • KATZ, Helena. Belas Coreografias sem sotaque. Folha S.Paulo. 7 jun. 1983.
  • KATZ, Helena. Castro Alves celebra 25 anos de seu corpo de baile. O Estado de S. Paulo, Caderno 2. 13 dez. 2006.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile abre hoje temporada. Folha S.Paulo. 12 mar. 1979.
  • KATZ, Helena. Corpo de Baile faz cinco anos outra vez. Folha de S.Paulo. 12 out. 1979.
  • KATZ, Helena. O que há com o nosso Corpo de Baile? Jornal da Tarde. 1º out. 1979.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Saem os baianos. Visão. 12 out. 1981.
  • BRAGATO, Marcos. Antonio Carlos Cardoso. Dançar. São Paulo: Dançar Editorial, Ano II, no 7, 1984. p. 12-13.
  • COELHO, Maria Cristina Barbosa Lopes; XAVIER, Renata Ferreira (org.). Memória da Dança em São Paulo. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 2007. 92 p. (cadernos de pesquisa, v. 4)
  • COURI, Norma. Dançar São Paulo. Balé da Cidade de São Paulo. São Paulo: Formarte, 2003. p. 17-18.
  • DIOGO, Carolina Duarte. Os homens entram na dança. Trabalho de conclusão de curso, Faculdade de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2010.
  • FARO, Antonio José; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de balé e dança. Rio de Janeiro: Zahar, 1989. p.405 R792.8 F237d
  • KATZ, Helena. Quatro décadas de puro bailado. O Estado de S. Paulo, Caderno 2, 2 mar. 2008.
  • LOPEZ, Rui Fontana. Balé da Cidade de São Paulo - 35 anos. Versão ligeiramente modificada de um texto escrito no verão de 2003 para as comemorações dos 35 anos do Balé da Cidade de São Paulo. Enviado pelo autor.
  • Programa do Espetáculo - Tango - 1972 Não catalogado
  • VALLIM, Acácio. Balé na Cidade de São Paulo: Sua História Inicial. Balé da Cidade de São Paulo, Cássia Navas (curadora) e Norma Couri (texto). São Paulo: Formarte, 2003.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANGEL Vianna. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa108953/angel-vianna>. Acesso em: 27 de Mai. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7