Artigo da seção pessoas Arthur Bispo do Rosário

Arthur Bispo do Rosário

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Artes visuais  
Data de nascimento deArthur Bispo do Rosário: 16-03-1911 Local de nascimento: (Brasil / Sergipe / Japaratuba) | Data de morte 05-07-1989 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Vinte e Um Veleiros , s.d. , Arthur Bispo do Rosário
Reprodução Fotográfica Vicente de Mello

Arthur Bispo do Rosário (Japaratuba, Sergipe, 19111 - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989). Artista visual. Destaca-se por ter desenvolvido, com objetos cotidianos da instituição em que viveu internado, uma produção em artes visuais reconhecida nacional e internacionalmente.

Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha na Marinha Brasileira e na companhia de eletricidade Light. Após um delírio místico, apresenta-se a um mosteiro, em 1938, que o envia para o Hospital dos Alienados, na Praia Vermelha. Diagnosticado como esquizofrênico-paranoico, é internado na Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá. 

De 1940 a 1960, alterna momentos de internação com períodos em que exerce ofícios em residências cariocas. No começo da década de 1960, trabalha na Clínica Pediátrica AMIU, onde vive em um quartinho, no sótão. Ali, inicia seus trabalhos, criando, com materiais rudimentares, diversas miniaturas, como navios de guerra e automóveis, além de vários bordados. Em 1964, regressa à Colônia, onde consolida por volta de 1.000 peças com elementos do dia a dia.

Os trabalhos de Bispo variam entre justaposições de objetos e bordados. Nas obras do primeiro tipo, geralmente usa itens de seu cotidiano na Colônia, como canecas de alumínio, botões, colheres, madeira de caixas de fruta, garrafas de plástico, calçados e materiais comprados por ele ou pessoas amigas. Para os bordados, usa tecidos disponíveis, como lençóis ou roupas, e obtém os fios ao desfiar o uniforme azul de interno.

Prepara com seus trabalhos uma espécie de inventário do mundo para o dia do Juízo Final. Nesse dia, ele se apresentaria a Deus com um manto especial, enquanto representante dos homens e das coisas existentes. O manto bordado traz o nome das pessoas conhecidas, para não se esquecer de interceder junto a Deus por elas. Também faz estandartes, fardões, faixas de miss, fichários, entre outros, nos quais borda desenhos, nomes de pessoas e lugares, além de frases referentes a notícias de jornal ou episódios bíblicos, reunindo-os em uma espécie de cartografia. A criação das peças, para ele, é uma tarefa imposta por vozes que diz ouvir.

No início da década de 1980, com as questões levantadas pela arte contemporânea, a antipsiquiatria e as novas teorias sobre a loucura, os trabalhos de Bispo começam a ser valorizados e integrados ao circuito das artes. Em 1980, uma matéria de Samuel Wainer Filho (1955-1984) para o programa Fantástico, da TV Globo, revela a produção de Bispo ao mostrar a situação da Colônia Juliano Moreira. A reportagem exibe as obras que o artista agrupa em seu quartinho. No mesmo ano, o psicanalista e fotógrafo Hugo Denizart (1946) dirige o filme O Prisioneiro da Passagem Arthur Bispo do Rosário.

Com a divulgação, surge o reconhecimento artístico das obras. O crítico Frederico Morais (1936) inclui seus trabalhos na exposição À Margem da Vida, realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1982, com obras de presidiários, menores infratores, idosos e internos da Colônia. Posteriormente, realiza-se a primeira exposição individual do artista, também no MAM/RJ. Morais, ao escrever sobre o trabalho de Bispo, relaciona-o à arte de vanguarda, à arte pop, ao novo realismo e especialmente à obra de Marcel Duchamp (1887-1968).

O artista recebe foco em filmes de curta e média-metragens; em livros, como Arthur Bispo do Rosário: o Senhor do Labirinto (1996), de Luciana Hidalgo (1965); e em peças teatrais. Em 1989, é fundada a Associação dos Artistas da Colônia Juliano Moreira, que visa à preservação de sua obra, tombada em 1992 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac). Sua produção está reunida no Museu Bispo do Rosário, denominado anteriormente Museu Nise da Silveira, localizado na antiga Colônia Juliano Moreira. Em 1995, com uma vasta seleção de peças, Bispo representa o Brasil na Bienal de Veneza e obtém reconhecimento internacional.

Além de ter se tornado uma das referências para as gerações de artistas brasileiros dos anos 1980 e 1990, a obra de Bispo lega ao Brasil um fazer artístico que retrata e ressignifica, com uma estética e temática particulares, os objetos e experiências do mundo e da vida cotidiana.

Notas

1. Segundo registros da Light, onde Bispo trabalhou entre 1933 e 1937, sua data de nascimento é 16 de março de 1911. Nos registros da Marinha de Guerra do Brasil, onde serviu entre 1925 e 1933, consta 14 de maio de 1909.

Outras informações de Arthur Bispo do Rosário:

  • Outros nomes
    • Arthur Bispo do Rosario
    • Bispo do Rosário
  • Habilidades
    • militar
    • Artista visual
    • Borracheiro

Obras de Arthur Bispo do Rosário: (8) obras disponíveis:

Exposições (46)

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioViva Brasil Viva : 04-1991  |  Data de término | 06-1991
Resumo do artigo Viva Brasil Viva :

Konstavdelningen och Liljevalchs Konsthall (Estocolmo, Suécia)

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Fontes de pesquisa (13)

  • BRASIL em Veneza: Arthur Bispo do Rosário, Nuno Ramos. Curadoria Nelson Aguilar; texto Lorenzo Mammì;  São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1995. [26] p., il. color.
  • BURROWES, Patrícia. O Universo segundo Arthur Bispo do Rosário. Apresentação Janice Caiafa. Rio de Janeiro: FGV, 1999. 94 p., il. color.
  • GULLAR, Ferreira. Relâmpagos: dizer o ver. São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 176 p., il. p&b color.
  • HIDALGO, Luciana. Arthur Bispo do Rosário: o senhor do labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. 204 p., il. color.
  • LAGNADO, Lisette. Arthur Bispo do Rosário e a instituição. In: POR que Duchamp? Leituras duchampianas por artistas e críticos brasileiros. Texto Vitória Daniela Bousso, Tadeu Chiarelli, Maria Alice Milliet, Agnaldo Farias, Maria Izabel Branco Ribeiro, Paulo Herkenhoff, Celso Favaretto, Stella Teixeira de Barros, Lisette Lagnado, Angélica de Moraes; tradução Izabel Murat Burbridge. São Paulo: Itaú Cultural : Paço das Artes, 1999. 194 p., il. p&b. color.
  • LEITE, José Roberto Teixeira. 500 anos da pintura brasileira. Produção Raul Luis Mendes Silva, Eduardo Mace. [S.l.]: Log On Informática, 1999. 1 CD-ROM.
  • MESQUITA, Ivo. Arthur Bispo do Rosário. Galeria: revista de arte, São Paulo, n. 17, p. 122, 1989.
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Imagens do inconsciente. Curadoria Nise da Silveira, Luiz Carlos Mello; tradução John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • ROSARIO, Arthur Bispo do. Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). Curadoria Waldir Barreto; texto Nasr Fayad Chaul, Gilmar Camilo Pereira. Goiânia: MAC, 1999. [28] p., il. color.
  • ROSARIO, Arthur Bispo do. Arthur Bispo do Rosario: registros de minha passagem pela terra. Apresentação Ana Mae Barbosa. Belo Horizonte: Museu de Arte, 1990. 28 p., il. p&b.
  • ROSARIO, Arthur Bispo do. Arthur Bispo do Rosario: registros de minha passagem pela terra. Curadoria e texto Frederico Morais. São Paulo: MAC/USP, 1990. 32 p., il. p&b.
  • ROSARIO, Arthur Bispo do. O Inventário do universo. Texto Marcus de Lontra Costa, Helena Martinho da Rocha, Denise Mattar, Denise de Almeida Corrêa, Miguel Przewodowski. Rio de Janeiro: MAM, 1993. 2 fs. dobradas, il. p&b color.
  • SILVA, Jorge Anthonio da. Arte e loucura: Arthur Bispo do Rosário. São Paulo: Educ, 1998. 120 p., il. p&b.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARTHUR Bispo do Rosário. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10811/arthur-bispo-do-rosario>. Acesso em: 01 de Dez. 2020. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7