Artigo da seção pessoas Celso Renato

Celso Renato

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Artes visuais  
Data de nascimento deCelso Renato: 23-07-1919 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro) | Data de morte 02-09-1992 Local de morte: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)
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Sem Título , s.d. , Celso Renato
Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Biografia

Celso Renato de Lima (Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1919 - Belo Horizonte, Minas Gerais, 1992). Pintor. Ainda criança, transfere-se com a família para Belo Horizonte, Minas Gerais. Recebe alguns ensinamentos de pintura de seu pai, o também pintor Renato de Lima (1893-1978). Forma-se em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, em 1944; trabalha como representante de empresas de produtos químicos e, de 1965 a cerca de 1985, como advogado da Telecomunicações de Minas Gerais S. A. - Telemig. Paralelamente, dedica-se à carreira artística e passa a expor suas obras a partir de 1962. Desde a década de 1970, realiza pinturas-assemblages com base em madeiras recolhidas em obras de construção civil. Nos fragmentos selecionados das madeiras, cria, com o uso de poucas cores, composições abstrato-geométricas orientadas pelas marcas neles existentes.

Análise

Celso Renato desempenha importante papel no âmbito da arte mineira de meados dos anos 1970 até a data de sua morte. Ao lado de Amilcar de Castro (1920-2002), é considerado um dos mais singulares artistas em diálogo com a tradição construtiva em Minas Gerais. De formação relativamente autodidata - recebe alguns ensinamentos do pai, o pintor Renato de Lima (1893 - 1978) -, Celso Renato inicia a carreira no começo dos anos 1960. Sua primeira produção é marcada pela influência da abstração informal. No entanto, são as pinturas abstrato-geométricas realizadas em pranchas de concretagem, tapumes e tábuas velhas de construção que conferem originalidade e importância ao trabalho desenvolvido por ele na arte brasileira.

Em 1967, Celso Renato vale-se pela primeira vez da madeira como suporte para pintura. No decorrer dos anos 1970 alterna a pintura sobre tela, de teor expressionista abstrato de cores sombrias, com obras sobre madeira. Pouco a pouco, as manchas e os grafismos gestuais dão lugar a registros formais geométricos que despontam como índice de outra concepção espacial. Nos anos 1980, dedica-se exclusivamente ao trabalho sobre madeira de cunho construtivo, que lhe proporciona um convite para integrar a 17ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1983.

A singularidade de suas pinturas-assemblages sobre madeira encontra-se no uso criativo dos formatos e texturas do material aliado a uma intervenção enxuta, restrita ao uso de linhas e formas geométricas, e das cores branca, vermelha e preta. Em suas mãos, a madeira velha torna-se mediadora de novos significados. Em geral, Celso Renato coleta o material em canteiros de obras, faz a limpeza das superfícies, retirando os detritos (pregos, cimento etc) desnecessários à composição. Muitas vezes, as intervenções com tinta à óleo são mínimas, procurando realçar os acidentes (frestas, rachaduras, vincos), formato e textura da madeira. Nesse sentido, o trabalho sobressai pela capacidade de transformar o suporte em elemento eminentemente plástico.

Como observaram diversos críticos, a pintura de Celso Renato alia-se a uma espécie de "geometria sensível", que se desenvolve no Brasil a partir dos anos 1950 como uma vertente da arte abstrata geométrica. Sem o caráter racionalista e projetivo da arte concreta, alguns artistas se utilizam de forma intuitiva da geometria como componente estruturador do espaço pictórico. O crítico de arte Luiz Camillo Osório nota que a partir dos anos 1970 há no trabalho de Celso Renato uma vontade de enfrentar a cidade, presente na obra como "destroço, resultado de uma apropriação caótica de materiais pobres que aos poucos vão se ordenando e conquistando uma geometria irregular". Importante salientar que nesses trabalhos uma aproximação ao universo da arte popular, principalmente ao decorativismo geométrico da arte indígena e africana.

Apesar de relativamente desconhecido no resto do país, Celso Renato é referência para alguns artistas mineiros contemporâneos. Figura em diversas exposições ao lado de artistas como Marco Tulio Resende (1950), Marcos Coelho Benjamim (1952), Manfredo de Souzanetto (1947) e outros. Suas pinturas-assemblages com restos de madeira - nas quais matéria e intuição construtiva atingem um equilíbrio expressivo -, a influência que desempenharam na constituição de uma linguagem contemporânea em Minas Gerais e como exemplares de um desdobramento singular da arte construtiva no Brasil, aguardam mais atenção dos historiadores da arte brasileira.

Outras informações de Celso Renato:

  • Outros nomes
    • Celso Renato de Lima
  • Habilidades
    • Pintor
    • Advogado

Obras de Celso Renato: (12) obras disponíveis:

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Fontes de pesquisa (21)

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  • MANFREDO de Souzaneto, Amilcar de Castro, Marcos Coelho Benjamim e Celso Renato. Tradução Maurício Fernandes. Rio de Janeiro: MAM, 1993. il. p.b. color., fot.
  • NEMER, José Alberto. Icones da utopia. Texto Olívio Tavares de Araújo. Belo Horizonte: Fundação Palácio das Artes, 1992. 87p. il. color.
  • PONTUAL, Roberto. Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969.
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Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • CELSO Renato. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10777/celso-renato>. Acesso em: 13 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7