Artigo da seção pessoas Mercedes Baptista

Mercedes Baptista

Artigo da seção pessoas
Dança / teatro  
Data de nascimento deMercedes Baptista: 20-05-1921 Local de nascimento: (Brasil / Rio de Janeiro / Campos dos Goytacazes) | Data de morte 18-08-2014 Local de morte: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)

Biografia

Mercedes Ignácia da Silva Krieger (Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, 1921 – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014)1. Coreógrafa, bailarina, divulgadora da dança afro-brasileira e carnavalesca. Jovem, muda-se para a capital carioca. Em 1944, frequenta o Curso de Danças oferecido pelo Serviço Nacional de Teatro do Rio de Janeiro e ministrado por Eros Volúsia (1914-2004), de quem recebe as primeiras lições de balé clássico e dança folclórica. Nos anos 1940, ingressa na Escola de Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e estuda com o estoniano Yuco Lindberg (1908-1948) e o tcheco Vaslav Veltchek (1897-1968). Em 1948, é admitida como bailarina profissional no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em fins da década de 1940, é selecionada pela coreógrafa e antropóloga estadunidense Katherine Dunham (1909-2006) para estudar na Dunham School of Dance, em Nova York. Em 1953, no Brasil, funda o Ballet Folclórico Mercedes Baptista. 

Em 1955, o grupo é convidado pelo coreógrafo russo Léonide Massine (1896-1979) para participar de Hino à Beleza, peça elaborada para o Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A companhia também atua no teatro de revista com Agora a Coisa Vai (1956), Rumo a Brasília (1957) e Juju-Fru-Fru (1958), realizadas pela Companhia Silva Filho no Teatro João Caetano, com repercussão na época. 

O primeiro espetáculo exclusivo do grupo no Brasil é África, no Teatro de Arena da Guanabara, em 1962. A companhia faz turnês na Argentina (1955, 1958 e 1962) e no Uruguai (1955 e 1962). Em 1965, participa do Festival de Arte Folclórica na França e sai em turnê por seis meses, apresentando-se em 150 cidades europeias. Em 1966, a companhia faz turnê pelo Chile e, em 1969, segue para Portugal.

Em 1960, Mercedes Baptista atua como carnavalesca na Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, com tema sobre Quilombo dos Palmares. Em 2008, recebe homenagem da Escola de Samba Cubango (grupo de acesso). Ministra cursos fora do Brasil e introduz a disciplina dança afro-brasileira na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2005, recebe homenagem com a exposição Mercedes Baptista – A Criação da Identidade Negra na Dança. Em 2007, como desdobramento da mostra, Paulo Melgaço da Silva Júnior lança a biografia da dançarina.

Análise

Mercedes Baptista é figura-chave no âmbito da dança, ao fomentar o processo de inserção étnica e cultural em curso no Brasil. Sua trajetória é realizada apesar dos poucos recursos e do tratamento diferenciado que é lhe dado no início da carreira. Nasce em uma família que vive do trabalho da mãe, a costureira Maria Ignácia da Silva, e exerce diversas atividades profissionais antes de se firmar na dança. No Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é escalada poucas vezes para atuar nas apresentações.

Seu trabalho é construído com base em experiências vividas durante sua formação: as aulas com a coreógrafa Eros Volúsia; a atuação no Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado pelo político e ativista social Abdias do Nascimento (1914-2011), a participação no Conselho de Mulheres Negras e os estudos na Dunham School of Dance, em Nova York. Reunindo essas influências, Mercedes Baptista funda um grupo de dança dedicado à cultura afro-brasileira e transforma-se em ícone da reafirmação do artista negro da dança no Brasil. 

Este status é conquistado, inicialmente, por ser a primeira bailarina negra a atuar profissionalmente no Corpo de Baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Também contribuem para sua representatividade a criação de um grupo de dança formado exclusivamente por bailarinos negros e o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa com as matizes da dança afro-brasileira, inserindo a presença do artista negro no teatro, no cinema e na televisão. Além disso, a coreógrafa introduz a disciplina dança afro-brasileira na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com isso, cria uma imagem da cultura negra brasileira dentro e fora do país e torna-se referência no assunto. Ela também inova os desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro, inserindo, em seu conjunto, alas coreografadas.

No cenário desigual e desfavorável para os negros no Brasil, Mercedes Baptista dribla as dificuldades e constrói uma história que deixa seu nome marcado com destaque na história da dança no país, assim como outros negros o fazem em diferentes campos de atuação social. Em 1963, ela quebra tabus quando realiza um espetáculo com seu grupo de bailarinos negros no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o templo sagrado da cena artística de seu tempo.

Outras informações de Mercedes Baptista:

  • Outros nomes
    • Mercedes Ignácia da Silva Krieger
    • Mercedes Batista
  • Habilidades
    • coreógrafa
    • bailarina
    • atriz

Espetáculos (1)

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (1)

  • Morre Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio. Portal Geledés. Disponivel em: http://www.geledes.org.br/morre-mercedes-baptista-primeira-bailarina-negra-theatro-municipal-rio/#axzz3E4vqghbo. Acesso em: 19 ago. 2014

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MERCEDES Baptista. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa106837/mercedes-baptista>. Acesso em: 16 de Ago. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7