Artigo da seção pessoas Hans Günter Flieg

Hans Günter Flieg

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Artes visuais  
Data de nascimento deHans Günter Flieg: 1923 Local de nascimento: (Alemanha / Sachsen / Chemnitz)
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Demolição do Trianon , 1951 , Hans Günter Flieg

Biografia

Hans Günter Flieg (Cheminitz, Alemanha, 1923). Fotógrafo. Em 1939 freqüenta durante quatro meses aulas de fotografia de Grete Karplus (1898 - 19--), em Berlim. No mesmo ano, em virtude do anti-semitismo na Alemanha, imigra com a família para São Paulo. Atua, em 1940, como assistente do fotógrafo alemão Peter Scheier (1908 - 1979). De 1943 a 1945, trabalha na Indústria Gráfica Niccolini S. A. e começa a fotografar os produtos. Após esse período, abre um estúdio onde realiza, sobretudo, retratos de particulares. Fotografa para o catálogo da Indústria Cristais Prado em 1947, e no ano seguinte, pautado em livros do fotógrafo alemão Paul Wolff (1887 - 1951), faz o calendário anual da Pirelli. Em 1951, registra a 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Participa da exposição do IV Centenário da Cidade de São Paulo, em 1954, nos estandes das empresas Clark, Rhodia e Villares. Em seguida, produz as primeiras reportagens industriais para Willys-Overland, Mercedes-Benz e Cia. Brasileira de Alumínio. No fim da década de 1950, consolida sua clientela na área de publicidade e passa a se dedicar, principalmente, à fotografia de indústrias e produtos, além de fazer registros de arquitetura e reproduzir obras de arte para museus e artistas. Entre 1945 e 1988, quando se aposenta, produz cerca de 35 mil fotos documentando o desenvolvimento industrial e urbano da capital paulista. Em 1981, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS/SP) promove a exposição Hans Günter Flieg: 40 Anos de Fotografia e, a partir daí, seu trabalho integra diversas mostras coletivas.

Análise

Como um dos pioneiros da fotografia publicitária no Brasil, Hans Günter Flieg registra, entre as décadas de 1940 e 1980, o crescimento urbano e industrial de São Paulo. Denotando noções de precisão, elegância, disciplina e ordem, seus trabalhos representam imagens ideais do processo de industrialização do país. Ele inicia suas atividades profissionais no momento em que o campo de atuação dos fotógrafos é impulsionado pelo aumento do número de publicações e de tiragens de periódicos ilustrados como a revista O Cruzeiro, que, em 1952, chegou a 550 mil exemplares. Além disso, os programas governamentais de incentivo à indústria colocados em prática entre o fim dos anos 1930 e a década de 1950 expandem o mercado publicitário.

Após estudar técnica fotográfica durante poucos meses na Alemanha, a formação de Flieg se completa pelo contato com imigrantes europeus que chegam ao Brasil com experiência profissional na área. Ele é assinante da revista Life e tem acesso a livros do fotógrafo alemão Paul Wolff, um divulgador das potencialidades estéticas e técnicas das câmeras 35mm, especialmente da Leica. Esses livros ensinam como aplicar as características formais da fotografia moderna a imagens industriais e de produtos.

Nas reportagens realizadas em fábricas, o fotógrafo tem cuidado rigoroso em relação à limpeza e à organização das cenas, trabalhando com pouca produção e evitando grandes recursos técnicos. Em retratos de operários, mostra-os nos ambientes de trabalho junto às máquinas. Tem preocupação especial com a aparência dos modelos e ilumina-os de maneira a conferir naturalidade aos registros. As fotos de fachadas e espaços internos de indústrias e estabelecimentos comerciais chamam a atenção pela nitidez dos planos e pela clareza com que são mostrados os desenhos dos objetos e ambientes.

Sua obra apresenta afinidades estéticas com a Nova Objetividade, movimento alemão ligado à pintura, que, no fim da década de 1920, passa a identificar trabalhos de fotógrafos como Albert Renger-Patzsch (1897 - 1966) e Karl Blossfeldt (1865 - 1932), entre outros. No período entre-guerras, a sociedade alemã acredita no conhecimento técnico como uma solução para os problemas socioeconômicos de seu país. Nesse contexto, a Nova Objetividade está associada ao entusiasmo pela indústria e à vontade dos artistas de verem a realidade com clareza e objetividade. O movimento reivindica uma estética própria para a fotografia e distancia-se do pictorialismo por meio de registros diretos, feitos com o máximo de definição.

No segundo pós-guerra, as propostas estéticas das vanguardas são, em diversos países, absorvidas pela indústria cultural. No Brasil, a retórica da precisão e da naturalidade presentes nas imagens de Flieg é adequada à noção de modernidade que, pela publicidade, pretende identificar a indústria dos anos 1950. Nessa época, a idéia de que o crescimento industrial levaria o país a se equiparar às nações desenvolvidas está presente em campos do conhecimento como a política, a economia, a sociologia e as artes.

Nessa época e nos anos seguintes, Flieg acompanha a expansão urbana de São Paulo produzindo, a pedido de clientes ou por interesse próprio, vistas que, por vezes, aproximam a capital paulista de imagens de Nova York. Quase sempre observando a cidade a distância, do alto de um edifício, mostra seqüências de prédios e enfatiza a verticalidade dos arranha-céus. Na década de 1970, cria imagens de usinas termoelétricas e hidrelétricas que correspondem à idéia de "milagre econômico" e do projeto de "Brasil Potência" propagado pelo governo militar, pois ressaltam a monumentalidade das obras.

Quando fotografa pessoas, Flieg tem uma postura diversa daquela assumida nas encomendas publicitárias, em que segue com rigor os layouts dos diretores de arte. Nos retratos, trabalha com improvisos e utiliza vários filmes até conseguir o máximo de espontaneidade. Tanto no estúdio quanto nas casas dos clientes, ele trabalha com iluminação suave e uma teleobjetiva que lhe permite manter-se distante da cena. As fotos, quase sempre posadas, mostram os modelos à vontade, como se houvesse uma cumplicidade entre eles e o fotógrafo.

Outras informações de Hans Günter Flieg:

  • Outros nomes
    • Hans Günter Flieg
    • Hans Gunter Flieg
    • Hans Günther Flieg
  • Habilidades
    • fotógrafo

Obras de Hans Günter Flieg: (19) obras disponíveis:

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Temas do artigo: Artes visuais  
Data de iníciosp-arte 2010: 29-04-2010  |  Data de término | 02-05-2010
Resumo do artigo sp-arte 2010:

Fundação Bienal de São Paulo

Fontes de pesquisa (21)

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  • CIDADELA da Liberdade. Apresentação Abram Szajman, Danilo Santos de Miranda, Graziella Bo Valentinetti et al.; texto Erivelto Busto Garcia; Fábio Malavoglia, Bruno Zevi et al. São Paulo: SESC SP, 1999. 132 p.
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  • RETRATOS do imaginário de São Paulo. Pesquisa e texto Ricardo Mendes. São Paulo: FormArte, 2001. 124 p., il. p&b color.
  • RETRATOS do imaginário de São Paulo. Projeto Rosana Delellis; pesquisa e texto Ricardo Mendes; direção de arte Artur Lescher; produção gráfica Horacio Sei; produção Ana Antoniazzi, Márcia Porto. São Paulo: FormArte, 2001. 124 p., il. p&b color. 770.9816 R438
  • SÃO Paulo: 450 anos. Texto Nicolau Sevcenko, Carlos Alberto Cerqueira Lemos, Benedito Lima de Toledo, Ricardo Mendes. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2004. 496 p., il. p&b. color. (Cadernos de fotografia brasileira, 2).
  • SÃO Paulo: 450 anos. Texto Nicolau Sevcenko, Carlos Alberto Cerqueira Lemos, Benedito Lima de Toledo, Ricardo Mendes. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2004. 496 p., il. p&b. color. (Cadernos de fotografia brasileira, 2). Não Cadastrado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • HANS Günter Flieg. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10624/hans-gunter-flieg>. Acesso em: 18 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7