Artigo da seção pessoas Marcio Kogan

Marcio Kogan

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / cinema  
Data de nascimento deMarcio Kogan: 06-03-1952 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Marcio Kogan (São Paulo, SP, 1952). Arquiteto e cineasta. Filho do engenheiro e arquiteto Aron Kogan, dono da construtora Zarzur & Kogan, responsável pelos edifícios Mirante do Vale, São Vito e Mercúrio, no centro da cidade de São Paulo. Em 1977, Marcio Kogan forma-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Em parceria com o arquiteto Isay Weinfeld (1952), realiza 14 filmes de curta-metragem, entre 1973 e 1983, recebendo prêmios no Festival de Gramado, na Bienal de São Paulo e no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva (Espanha). A trajetória cinematográfica da dupla completa-se com o longa-metragem Fogo e Paixão (1988). A parceria com Weinfeld é reeditada em cinco exposições concebidas entre 1995 e 2004, destacando-se Arquitetura e Humor (1995) e HappyLand (2002).

Em 1980, funda seu próprio escritório de arquitetura, que recebe, em 2001, o nome de StudioMK27. Nessa época, a empresa de Kogan ganha uma estrutura organizacional que conta com a colaboração de arquitetos na posição de coautores dos projetos. Parte considerável de seus projetos é de residências unifamiliares de alto padrão – como as casas Osler (Brasília), Cobogó (São Paulo), Toblerone (São Paulo) e de Punta del Este, no Uruguai –, tendo também em seu portfólio construções comerciais (lojas), de serviços (estúdios, escritórios) e de hotelaria.

Kogan se alça ao estatuto de um dos principais arquitetos contemporâneos brasileiros, com sua obra vastamente publicada em todo mundo e dezenas de premiações no país e no exterior, a exemplo dos prêmios concedidos pelos Instituto de Arquitetos do Brasil (premiações anuais de 2002, 2004, 2008), Leading European Architect Forum Award (2009) e World Architecture Festival (2008 e 2010). O projeto Casa Paraty (Paraty) ganha o prêmio de Melhor Casa do Ano de 2010, concedido pela revista internacional Wallpaper. Em 2011, recebe o título de membro honorário do American Institute of Architects (AIA), reconhecimento máximo conferido a arquitetos de fora dos Estados Unidos. Na 13ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza (2012), Lucio Costa (1902-1998) e Marcio Kogan representam o Brasil na mostra ConvivênciaConvivenza, do curador Lauro Cavalcanti (1954), com o filme-instalação Peep, dirigido por Kogan e Lea van Steen (1965).

Comentário crítico
O trabalho de Marcio Kogan como cineasta lhe confere um caráter experimental e interdisciplinar, presente em todo seu portfólio de projetos. Em entrevista, Kogan afirma que “em todos os momentos da faculdade, nunca tive um arquiteto, um ídolo, alguém em quem me espelhar, de quem gostasse. Minha formação dentro da arquitetura era totalmente cinematográfica”.1

A Casa Goldfarb (1988), em São Paulo, é o projeto em que se verifica de modo mais literal tal relação. Elaborada em parceria com Isay Weinfeld, existe na concepção uma clara referência à Villa Arpel, do filme Mon Oncle [Meu Tio], do cineasta francês Jacques Tati (1907-1982). Absorve em parte a sátira contida na película. Observam-se semelhanças na volumetria externa com elementos pitorescos como a varanda em curva e as janelas circulares, além da elaboração de percurso interno por meio de uma sequência – roteiro – de ambientes concebidos quase como cenários.

A dupla realiza cinco exposições entre 1995 e 2004, nas quais a análise urbano-arquitetônica é feita por um viés satírico. Esse é um período de transição para ambos, conforme esclarece o crítico Fernando Serapião (1971), em que se coloca a escolha de um caminho a partir de “o grande dilema dos dois: criticar o mundo edificado ou edificar? Seja como for, a arquitetura de Weinfeld e Kogan potencializou-se à medida que ambos se aproximaram mais da linguagem arquitetônica propriamente dita, deixando para trás o humor ácido”.2

Em 2001, o escritório de arquitetura de Marcio Kogan passa a ter o nome de StudioMK27 e começa a operar de modo colaborativo, com a equipe trabalhando em coautoria, desde a interface com clientes até o acompanhamento da execução da obra. Seus projetos passam a ser influenciados por obras modernistas brasileiras das décadas de 1940 e 1950. O curador Lauro Cavalcanti apresenta o modo como essa inspiração ocorre: “Uma vez descartadas as ilusões do papel de transformação social do país através da arquitetura, o moderno é tomado como linguagem e não mais como ideologia”3.

Em Kogan, a influência das obras de Oscar Niemeyer (1907-2012), Lucio Costa, Rino Levi (1901-1965) e Oswaldo Bratke (1907-1997) transparece de modo dessacralizado. Sem o compromisso com os cânones modernos, permanece a lógica do desenho com a racionalidade da modulação, orientando a estrutura e as subdivisões internas. Externamente, suas construções são constituídas por volumes prismáticos a partir de retângulos de proporção alongada. Essa horizontalidade é compreendida pela intenção de que as ambiências concebidas assemelhem-se a uma imagem cinematográfica: a proporção do widescreen. Tais dimensões também permitem uma integração entre exterior e interior do edifício por meio de grandes planos – portas ou janelas – que deslizam e se recolhem.

Mesmo que as formas sigam uma lógica modernista, Kogan tem grande liberdade na seleção dos materiais que revestem os planos, resultando na diversidade de soluções. Cavalcanti ressalta a “concisão e casamento de materiais novos e tradicionais”4. O detalhamento dos projetos contém um grau de sofisticação acima da média das obras executadas no Brasil, ocorrendo um empenho em desenvolver elementos construtivos mais refinados do que os disponíveis no mercado.

Seguindo a situação conjuntural brasileira, os projetos de Kogan são destinados a clientes da iniciativa privada – majoritariamente residências de alto padrão – e variam entre a pequena e a média escala.

Notas
1 GRUNOW, Evelise. Entrevista: Marcio Kogan. Projeto Design, São Paulo, 31 jul. 2008. Disponível em: http://arcoweb.com.br/projetodesign/entrevistas/marcio-kogan-nesta-entrevista-31-07-2008. Acesso em: 13 mai. 2014.
2 SERAPIÃO, Fernando. Kogan vs. Kogan. Monolito, São Paulo, n. 5-6, 2011. p. 36.
3 CAVALCANTI, Lauro. Os bons ventos de MK27. In: BIENAL DE SÃO PAULO (org.). ConvivênciaConvivenza. Lucio Costa e Marcio Kogan. São Paulo: [s.n.], 2012. p.78.
4 Ibid., p. 82.

Outras informações de Marcio Kogan:

  • Outros nomes
    • Márcio Kogan
  • Habilidades
    • arquiteto
    • cineasta

Exposições (4)

Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (5)

  • BIENAL DE SÃO PAULO (org.). ConvivênciaConvivenza. Lucio Costa e Marcio Kogan. São Paulo: [s.n.], 2012.
  • GRUNOW, Evelise. Entrevista com Marcio Kogan. Projeto Design, São Paulo, 31 jul. 2008. Disponível em: http://arcoweb.com.br/projetodesign/entrevistas/marcio-kogan-nesta-entrevista-31-07-2008. Acesso em: 13 mai. 2014.
  • MONOLITO. Marcio Kogan. São Paulo: Editora Monolito, n. 5-6, 2011.
  • STATHAKI, Ellie. An interview with architect Marcio Kogan. Wallpaper, London, 2010.
  • STATHAKI, Ellie. Marcio Kogan Report. Wallpaper, London, 2010. 

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MARCIO Kogan. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa105202/marcio-kogan>. Acesso em: 18 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7