Artigo da seção pessoas Felippe Crescenti

Felippe Crescenti

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / teatro  
Data de nascimento deFelippe Crescenti: 18-04-1953 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Felippe Crescenti. (São Paulo SP 1953). Cenógrafo. Prestigiado cenógrafo da cena paulistana, tem como parceiro constante do diretor José Possi Neto.

Forma-se como arquiteto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, FAU/USP, em 1979. Já neste ano, trabalha como cenógrafo para o diretor José Possi Neto, nos espetáculos de dança-teatro Sonho de Valsa, a partir de texto de Roberto Carvalhaes, e em Um Sopro de Vida, concepção e roteiro de Marilena Ansaldi, inspirado no livro de Clarice Lispector (1925 - 1977). Por ambas as realizações, recebe o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, como revelação de cenógrafo.

Sobre a cenografia do espetáculo de Marilena, escreve o crítico Sábato Magaldi: "(...) Não lhe fica atrás o cenógrafo Felippe Crescenti, que combina muito bem o plástico preto do chão com espelhos e galhos esparsos, numa atmosfera muito feliz de irrealidade".1

Volta a colaborar com a dupla Possi Neto e Marilena Ansaldi, em Geni, roteiro de Marilena a partir de música de Chico Buarque, em 1980. No ano seguinte, faz a cenografia do musical Presença de Vinicius, com textos e músicas de Vinicius de Moraes, numa direção de Celso Nunes. Ainda em 1981 participa de O Anti-Nelson Rodrigues, de Nelson Rodrigues, dirigido por Paulo Betti. Em 1982, numa produção de Irene Ravache, está em Filhos do Silêncio, de Mark Medoff, pelo qual recebe o Prêmio Mambembe de melhor cenografia e, no mesmo ano, cenografa novamente para Marilena Ansaldi, em Picasso e Eu, roteiro dela, as duas encenações de José Possi Neto.

Sobre o trabalho de Crescenti em Picasso e Eu, escreve novamente Sábato Magaldi: "Fator fundamental para a harmonia do conjunto são os cenários de Felippe Crescenti. Ele se eximiu, inteligentemente, de reproduzir os traços de Picasso. Sobretudo com molduras incompletas, criou pedaço próprio em que bem pintados evocam o interior do teatro em que Olga dança. Jogos de espelhos valorizam o recurso de metade do corpo usar vestido e a outra metade malha, inspirando-se na ampliação da imagem proposta na pintura picassiana".2

Em 1984, é o cenógrafo de De Braços Abertos, de Maria Adelaide Amaral. Colabora com Paulo Autran, diretor de Quando o Coração Floresce, de Aleksey Arbuzov, em 1985. No ano seguinte, desenha o espaço cênico de O Corpo Estrangeiro, baseado em A Doença da Morte, de Marguerite Duras, adaptação de Patrícia Melo e Marcia Abujamra, direção de Marcia Abujamra. No pequeno palco do Espaço OFF, a cenografia constitui-se apenas de cama, cadeira, persiana e recortes de azulejo no chão. Elementos que, juntos, trazem o intenso e amplo leque de emoções presente no texto de Duras; estabelecem a relação "dentro" e "fora" tão importante para opor o ambiente de sufocamento emocional da personagem vivida por Elias Andreato à sensualidade da misteriosa mulher interpretada por Tânia Bondezan; opondo a fria impessoalidade da figura masculina ao calor e à vida trazidos pela presença feminina.

Em 1987, trabalha no Rio de Janeiro em Lúcia McCartney, baseado em conto de Rubem Fonseca, adaptação de Geraldo Carneiro, direção de Miguel Falabella. Escreve Alessandro Porro: "O cenário de Felipe Crescenti, modulado com estruturas metálicas, é a solução mais inteligente para emoldurar esse belo espetáculo, que vale a pena ver e aplaudir".3

Colabora com o encenador Antônio Abujamra, em À Margem da Vida, de Tennessee Williams, 1988. No ano seguinte, é a vez de ser parceiro de criação de Marcio Aurelio, em Esta Valsa é Minha, de William Luce, um monólogo de Tônia Carrero. É cenógrafo do espetáculo Big Loira, de Dorothy Parker, direção de Naum Alves de Souza, em 1990. Volta a colaborar com Marcia Abujamra em Sra. Lenin, de Vielimir Khlébnikov, 1991, em que cria todo um espaço cenográfico dentro de um galpão no Tendal da Lapa, grande complexo de salas, frigorífico inativo na região. Um ano depois, é a vez de A Morte e a Donzela, de Ariel Dorfman, uma direção de José Wilker.

Realiza quatro cenografias consecutivas para seu parceiro José Possi Neto: Gilda, Um Projeto de Vida, de Noel Coward, 1993; Três Mulheres Altas, de Edward Albee, 1995; Inseparáveis, mais um texto de Maria Adelaide Amaral - pelo qual recebe Prêmio da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo, Apetesp de melhor cenografia de 1997 - e, no ano seguinte, Salomé, de Oscar Wilde, com a atriz Christiane Torloni, agora arrebatando os prêmios Sharp e Shell de melhor cenógrafo do ano. Em 2003, desenha mais uma cenografia para Marcia Abujamra, em Artaud, Atleta do Coração, numa atuação de Elias Andreato. A cenografia é composta de um enorme banco preto em que o ator percorre as laterais e o fundo do palco, em contraponto ao vazio do centro, que abriga, vindas do teto, muitas cadeiras quebradas. O resultado é um espaço paradoxalmente duro e mágico, intoleravelmente real e obrigado a conviver com a invasão de elementos do universo surreal, parábola da situação mental e psíquica da personagem.

Felippe Crescenti é também cenógrafo assíduo de espetáculos de dança, shows e óperas. É responsável pela cenografia dos espetáculos de dança Muito Romântico, 1999, coreografia de Suzana Yamauchi e João Maurício e direção de Naum Alves de Souza, e de O Cubo, 2005, espetáculo infanto-juvenil que mistura dança, cinema e música, em que os atores interagem com as imagens desenvolvidas pelo cineasta Fernando Meirelles, co-diretor ao lado dos coreógrafos Suzana Yamauchi e João Maurício. Colabora também em cinema, tendo participado de filmes como Asa Branca - um Sonho Brasileiro, de Djalma Batista (prêmio de cenografia no Rio/Cine Festival); O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco, Fogo e Paixão, de Isay Weinfeld e Márcio Kogan, e O Corpo, de José Antônio Garcia.

Segunda a diretora Marcia Abujamra, com quem o cenógrafo colabora assiduamente: "Felippe Crescenti tem um estilo bastante pessoal em suas cenografias. Ele não apenas traduz as intenções da direção mas acrescenta a elas a sua visão pessoal do espetáculo. É um 'mago do espaço' sempre alcançando uma combinação de grande inventividade e limpeza cênica que se impõe como elemento de diálogo para a encenação, ao mesmo tempo que oferece informações sobre o universo do espetáculo".4

Notas

1. MAGALDI, Sábato. Um mergulho permanente no sonho e na vida. São Paulo, Jornal da Tarde, julho de1979.

2. MAGALDI, Sábato. O Gênio Catalão de Picasso e a sensibilidade brasileira: um encontro feliz. São Paulo, Jornal da Tarde, maio de 1982.

3. PORRO, Alessandro. Dama do Rio. Rio de janeiro, Revista Veja, 27 de maio de 1987.

4. ABUJAMRA, Marcia. Perfil do cenógrafo elaborado especialmente para a Enciclopédia. São Paulo, 6 de setembro de 2005.

Outras informações de Felippe Crescenti:

  • Outros nomes
    • Felipe Crescenti
    • Fellippe Crescenti
  • Habilidades
    • figurinista
    • cenógrafo

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Fontes de pesquisa (12)

  • ABUJAMRA, Marcia. Considerações sobre a cenografia de Felippe Crescenti nos espetáculos dirigidos por ela, escritas especialmente para a Enciclopédia. São Paulo, 6 de setembro de 2005.
  • ANUÁRIO de teatro 1994. São Paulo: Centro Cultural São Paulo, 1996. 415 p. R792.0981 A636t 1994
  • CRESCENTI, Felippe (curriculum vitae). Cronologia das atividades como cenógrafo em espetáculos de teatro, dança, ópera e show musicais, realizadas ao longo da carreira profissional . São Paulo, 2005.
  • Feliz Páscoa e Tartufo o Projeto "Exercício de Comédia" de Paulo Autran. Palco e Platéia, São Paulo, ano 0, julho de 1985. Não catalogado
  • GUERINI, Elaine. Nicette Bruno & Paulo Goulart: tudo em família. São Paulo: Cultura - Fundação Padre Anchieta: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 256 p. (Aplauso Perfil). 792.092 G932n
  • MAGALDI, Sábato. Um mergulho permanente no sonho e na vida. São Paulo, Jornal da Tarde, julho de 1979.
  • MAGALDI, Sábato. O Gênio Catalão de Picasso e a sensibilidade brasileira: um encontro feliz. São Paulo, Jornal da Tarde, maio de 1982.
  • PORRO, Alessandro. Dama do Rio. Rio de Janeiro, Revista Veja, 27 de maio de 1987.
  • Programa do Espetáculo - De Braços Abertos - 1984 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - O Anti-Nelson Rodrigues - 1981 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Quando o Coração Floresce - 1984 Não catalogado
  • Programa do Espetáculo - Um Dia Muito Especial - 1986. Não Catalogado

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • FELIPPE Crescenti. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa103179/felippe-crescenti>. Acesso em: 21 de Out. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7