Artigo da seção pessoas Analivia Cordeiro

Analivia Cordeiro

Artigo da seção pessoas
Artes visuais / dança  
Data de nascimento deAnalivia Cordeiro: 22-02-1954 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia
Analivia Cordeiro (São Paulo, São Paulo, 1954). Bailarina, coreógrafa, videoartista, arquiteta e pesquisadora corporal. Filha do artista Waldemar Cordeiro (1925-1973) e da geógrafa e pianista Helena Kohn Cordeiro (1928-1994), inicia sua formação em artes dentro de casa. Em 1962, começa seus estudos de dança com Maria Duschenes (1922-2014), com quem se forma no método Laban, dez anos depois. Em 1971, tem aulas com Albert Reid sobre a técnica de Merce Cunningham (1919-2009). Em 1973, concebe M 3x3, coreografia para vídeo, para um festival em Edimburgo, gravado com os recursos tecnológicos da TV Cultura de São Paulo. A obra é tida como inaugural da videoarte e videodança no Brasil.

Em 1976, tem aulas com Kelly Hogan sobre a técnica de Martha Graham (1894-1991), e gradua-se em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP). Entre 1977 e 1998, reside em Nova York, onde frequenta aulas nos estúdios de Alvin Nikolais (1910/1912?-1993) e Merce Cunningham, formando-se em dança moderna norte-americana. Em 1980, cria um software de notação de movimento (Nota-Anna), tema de sua dissertação de mestrado em multimeios, defendida em 1996, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).1

Em 2001, cria o CD-ROM Waldemar Cordeiro, que traz biografia, fortuna crítica e cerca de 200 obras do artista, além de textos produzidos pelo próprio Waldemar Cordeiro. Forma-se em Eutonia, no mesmo ano, pela Associação Brasileira de Eutonia.  Em 2004, conclui o doutorado em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), com a tese Buscando a Ciber-harmonia: Um Diálogo entre a Consciência Corporal e os Meios Eletrônicos. No mesmo ano, cria o Método para Treino e Consciência Corporal por Mídia Eletrônica. Entre 2005 e 2008, desenvolve trabalhos cinético-digitais e videodanças. Em 2009, realiza Alegria de ler, uma proposta de alfabetização por meio de celular. Em 2011, participa do projeto Zona de Contato, que trata de diálogos possíveis entre linguagens da arte contemporânea.

Análise da trajetória
O trabalho de Analívia Cordeiro insere-se nas relações entre dança, mídias eletrônicas (computer dance) e videoarte. É uma das pioneiras mundiais na expressão dessas relações, e precursora da videoarte no Brasil.

A obra da artista, segundo o crítico Arlindo Machado (1949), é pautada por duas investigações: “a relação do corpo com seu entorno e o gesto como forma expressiva primordial do homem, [...] o que resume na idéia de embodiment”.2 Embodiment é o entendimento do corpo em seu aspecto fisiológico, e como “interface entre o sujeito, a cultura e a natureza”. Assim, sua pesquisa está orientada para os possíveis significados do binômio orgânico/artificial, no que concerne à expressão do corpo.

A própria artista identifica3 três fases em sua obra. A primeira, de 1973 a 1976, inicia com M-3X3, em que aponta a automatização dos gestos, a relação mecânica entre as pessoas, a prioridade da mídia sobre a expressão pessoal e a artificialidade da representação das cores na televisão em preto e branco. Nessa coreografia para vídeo, nove dançarinos executam movimentos geométricos, pautados por diretrizes dadas no computer dance, ao som de batidas constantes em um espaço bidimensional em branco e preto. As coordenadas dos dançarinos no espaço e posições dos membros no corpo, tronco e cabeça são lançadas no computador. Esse último define os ritmos da música selecionada pela artista. A escolha dos movimentos pelo computador é aleatória e executada pelo grupo. Com a obra 0=45 (1974), o corpo é visto por partes, em closes, para mostrar a fragmentação da imagem corporal, composta como um todo somente pelo espectador. Já com Cambiantes (1976) o corpo, com movimentos em ângulos retos e de 45 graus, forma triângulos que interferem no espaço retangular estabelecido por uma projeção.

De 1981 a 1994, segunda fase, elabora a notação de movimentos do corpo humano. Pretende visualizar o rastro ou a trajetória do movimento para mostrar “a essência de sua expressão”.4 Em uma arte em que o registro é sempre um desafio, Nota-Anna é uma resposta. Como assinala Helena Katz: “Analívia Cordeiro atua exatamente neste segmento. Especialista no método Laban, vem dedicando sua vida profissional a criar um instrumento eficiente o suficiente para ajudar tanto a registrar a dança como coreografá-la”.5

De 2001 a 2004, a artista denomina sua terceira fase como a busca da ciber-harmonia, que trata do diálogo entre a consciência corporal e os meios eletrônicos. Une a experiência prática à reflexão teórica – sua tese de doutorado – sobre a “influência dos meios eletrônicos em todos os aspectos da vida cotidiana”.6

Em 2007, o Unsquare Dance, uma experiência entre arte digital interativa e dança contemporânea é realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O trabalho une a dança em tempo real da artista e o software X-Motion, desenvolvido pelo pesquisador do Impa professor Luiz Velho e o professor visitante Lucio Julio Marins, do Laboratório Visgraf-Impa.

Destacam-se ainda Alegria de Ler (2009), trabalho composto por 242 vídeos com uma proposta de alfabetização por meio de celulares e outros dispositivos móveis; e a série Zonas de Contato (2011), realizada em parceria com o designer João Penoni. Ambos ministram a oficina Registros Digitais do Corpo em Movimento. A oficina inclui a criação de obras e a análise de resultados com apresentações e conversas sobre a utilização de sistemas de captura de movimento do corpo humano.

Notas
1 Publicada em 1998 pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e Editora Annablume, com o título Nota-Anna – uma notação eletrônica dos movimentos do corpo humano baseada no Método Laban.
2 MACHADO, Arlindo. O corpo como uma concepção de mundo. 2011.  Disponível em: < http://analivia.com.br/arlindo-machado-body-as-a-concept-of-the-world/ >. Acesso em: 26 mar. 2016.
3 CORDEIRO, Analívia. Expressão & tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em: < http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf >. Acesso em: 23 mai. 2012. 
4 Idem
5 KATZ, Helena. Autoras exploram as mil faces da arte. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 nov. 1988. Caderno 2, p. 47.
6 CORDEIRO, Analívia. Expressão & Tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf Acesso em: 23/5/2012.

Outras informações de Analivia Cordeiro:

  • Outros nomes
    • Analívia Cordeiro
  • Habilidades
    • artista visual
    • bailarina
    • coreógrafo
    • arquiteto
    • performer
    • videoartista
  • Relações de Analivia Cordeiro com outros artigos da enciclopédia:

Exposições (18)

Artigo sobre Arte e Tecnologia (1985 : São Paulo, SP)

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArte e Tecnologia (1985 : São Paulo, SP): 02-09-1985  |  Data de término | 09-09-1985
Resumo do artigo Arte e Tecnologia (1985 : São Paulo, SP):

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (Ibirapuera, São Paulo, SP)

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Fontes de pesquisa (10)

  • CORDEIRO, Analívia [currículo]. Plataforma Lattes. Disponível em: < http://lattes.cnpq.br/6473778075945888 >.  Acesso em: 22 mar. 2016.
  • CORDEIRO, Analívia. Expressão & Tecnologia na linguagem corporal. 2008. Disponível em < http://arte.unb.br/7art/textos/Analivia.pdf >. Acesso em: 23 mai. 2012.
  • CORDEIRO, Analívia. Nota-Anna: uma notação eletrônica dos movimentos humanos baseada no método Laban. São Paulo: Annablume/FAPESP, 1998.
  • CORDEIRO, Analívia. O coreógrafo programador: dados e Idéias. Rio de Janeiro, v.1, nº 4, fev./mar. 1976, p.48-54. Disponível em: < http://www.analivia.com.br/wp-content/uploads/2012/10/1976-o-coreografo-programador.pdf >. Acesso em: 25 mai. 2012.
  • CORDEIRO, Analívia; CAVALCANTI, Cibele; HAMBURGER, Claudia. Método Laban: nível básico. São Paulo: Publicação LabanArt, 1989.
  • DANÇA coreografada por computador em exibição no Goethe. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 1975. p. 14.
  • GONÇALO JÚNIOR. Dança da máquina, do corpo e da mente. Pesquisa online FAPESP. Edição online. Dezembro de 2006. Disponível em: <  http://revistapesquisa.fapesp.br/2006/12/01/danca-da-maquina-do-corpo-e-da-mente/ >. Acesso em: 22 mar. 2016.
  • KATZ, Helena. Autoras exploram as mil faces da arte. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 24 nov. 1988. Caderno 2, p. 47.
  • MACHADO, Arlindo. O corpo como uma concepção de mundo. 2011.  Disponível em: < http://analivia.com.br/arlindo-machado-body-as-a-concept-of-the-world/ >. Acesso em: 26 mar. 2016.
  • MORAES, Angélica de. Paço reúne obras nacionais de arte eletrônica. O Estado de S. Paulo, São Paulo,  22 out. 1997. Caderno 2, p. 61.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ANALIVIA Cordeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa100025/analivia-cordeiro>. Acesso em: 24 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7