Artigo da seção pessoas Aracy Amaral

Aracy Amaral

Artigo da seção pessoas
Artes visuais  
Data de nascimento deAracy Amaral: 22-02-1930 Local de nascimento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Biografia

Aracy Abreu Amaral (São Paulo, São Paulo, 1930). Crítica de arte, curadora, historiadora de arte e arquitetura, jornalista e professora. Gradua-se na Escola de Jornalismo Cásper Líbero da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) em 1959. Antes de concluir os estudos, trabalha no jornal A Gazeta como redatora responsável pela página feminina.

Em 1969, obtém título de mestre em História da Arte na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL/USP) com o trabalho As Artes Plásticas na Semana de 22, publicado em 1970. Nas décadas seguintes, lança outros títulos, como Blaise Cendrars no Brasil e os Modernistas (1970) e Tarsila – Sua Obra e Seu Tempo (1975). O último é resultado da pesquisa para o doutorado, concluído no mesmo ano na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Recebe bolsa de fomento à pesquisa da Fundação Calouste Gulbenkian, de Lisboa, e da Fundação John Simon Guggenheim, de Nova York.

Inicia-se na área de museologia como assistente de direção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP) na década de 1960. Entre 1975 e 1979, assume a direção técnica da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 1982, torna-se diretora técnica do MAC/USP, posição que ocupa até 1986. Durante os anos 1980, obtém os títulos de livre docente (1983) e professor titular (1988) na Universidade de São Paulo, e aposenta-se anos depois. Também na década de 1980, publica A Hispanidade em São Paulo (1981), pelo qual recebe o prêmio Jabuti (1982) Arte e Meio Artístico: entre a Feijoada e o X-Burger (1982), Arte para quê? A Preocupação Social na Arte Brasileira, 1930-1950 (1984).

Ainda no campo editorial, organiza antologias, compila volumes, redige textos para catálogos de arte e arquitetura, escreve ensaios. Também colabora para diversos órgãos de imprensa no Brasil e no exterior, como O Estado de S. Paulo, Correio da Manhã (Rio de Janeiro), Folha de S.Paulo, AUT AUT (Milão) e Arts Magazine (Nova York).        

Ao longo da trajetória profissional, realiza importantes curadorias de exposições, como Tarsila – 50 Anos de Pintura, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1969); Alfredo Volpi 1914-1972 (1972); Projeto Construtivo Brasileiro na Arte, no MAM-RJ (1977); Modernidade: Arte Brasileira do Século XX (1987-1988), no Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris (França); Panorama, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, edições de 1999 e de 2015. Também é a curadora da 1ª Trienal do Chile, em Santiago (2009), e da 8ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2011).
Análise

Aracy Amaral inicia-se nas artes plásticas em 1951, aos 21 anos, quando visita a 1ª Bienal de São Paulo como estudante de jornalismo. A partir de então, orienta a carreira para pesquisa e divulgação da história da arte e de artistas brasileiros, como crítica de arte, professora universitária, curadora ou dirigente de instituições culturais. Atua também como membro do Comitê Internacional de Premiação do Prince Claus Fund em Haia, na Holanda (2003-2005), e participa da comissão julgadora de salões e bienais de arte. Em 1973, é premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria Pesquisa. Dois anos depois, recebe o prêmio na categoria Comunicação, na área de artes visuais, pela publicação de livros de arte.

Sua pesquisa sobre o modernismo brasileiro é referência pelo ineditismo e dedicação. Os trabalhos sobre esse movimento cultural costuma privilegiar o núcleo literário, com poucos estudos a respeito de artes visuais. Há mais de 40 anos, Aracy dedica-se à pesquisa sobre o tema e é a maior especialista em Tarsila do Amaral (1886-1973) e a entrevista diversas vezes durante a pesquisa na década 1960 e 1970. É consultora para a pesquisa que origina o website e catálogo raisonné, com cerca de mil obras da artista, publicado em 2008.

O Modernismo de 22 é outro livro importante. Publicado em 1970, torna-se referência para estudantes e pesquisadores, com sucesso comprovado pelas várias reedições. O movimento modernista, de acordo com Aracy, constitui um grito de renovação emitido pela elite cultural da década de 1920 e 1930, uma vontade de atualização da inteligência e das linguagens. A autora observa que tal mobilização não retorna mais com a mesma força depois, com a internacionalização do Brasil nos anos 1940.        

Seus livros aliam fluência jornalística e rigorosa dedicação de pesquisadora, rastreando documentos dispersos em arquivos particulares e bibliotecas. A autora identifica e distingue personagens cuja atuação histórica revela-se importante. É o caso de Blaise Cendrars no Brasil e os Modernistas, que demonstra a influência do escritor e poeta suíço (1887-1961) na formação do pensamento modernista brasileiro.    

Outro exemplo de como sua pesquisa historiográfica contribui para a formação da identidade brasileira é A Hispanidade em São Paulo. A obra demonstra, com documentação iconográfica, como a arte e a arquitetura brasileira recebem influência espanhola, até então nunca percebida e catalogada. O livro também assinala a importância da historiografia artística brasileira ser mais vinculada à América Latina.        

Além das aulas de história e estética do projeto na FAU/USP, a pesquisadora leciona historiografia artística na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP/SP), em 1968, e na Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP) entre 1972 e 1974. Nos cursos de mestrado e doutorado da Universidade de São Paulo, orienta trabalhos do arquiteto Decio Tozzi (1936), da curadora Ana Maria Beluzzo e do gravador Evandro Carlos Jardim (1935), entre outro

Nos anos 1970, durante sua gestão na Pinacoteca, conduz política de renovação das atividades do museu ao propor maior vínculo com instituições e profissionais da América Latina. Observa no acervo quais são as lacunas a suprir e desenvolve um programa para aquisição sistemática de obras de arte. Também monta cursos de história da arte e de desenho com modelo vivo, além de formar um coral com funcionários e moradores da região. Confere importância do registro das performances que acontecem no museu para que tenham “perenidade e que possam permanecer como registro estável”1.    

Na década de 1970, em viagens de pesquisa, percebe que o uso da câmera Super-8 propaga-se como meio de expressão. Em 1973, organiza a primeira grande exposição de obras dos precursores da videoarte. Com indicações de Hélio Oiticica (1937-1980) e Antonio Dias (1944), seleciona cem artistas. A exposição tem sucesso de público e segue para Buenos Aires. Em 2013, o Sesc São Paulo reedita essa mostra, atualizando as obras para o contexto contemporâneo. Nos anos 1990, Aracy realiza outra curadoria de cunho extensivo: a retrospectiva BR/80: Pintura Brasil Década de 80 acontece no Itaú Galeria, em São Paulo, e apresenta pinturas de artistas brasileiros proeminentes daquela geração, como Leda Catunda (1961) e Nuno Ramos (1960).    

Como crítica de arte, além da sólida formação teórica, Aracy é uma profissional atuante. Polêmica, acompanha e questiona a produção de arte contemporânea brasileira, com críticas contundentes à espetacularização das exposições de arte no fim do século 20 e à alienação dos artistas jovens do século 21. Para ela, o trabalho do curador é vinculado à pesquisa histórica e à crítica, o que permite objetivar determinado enfoque com seleção de obras e de tema específico. Também acredita que o papel do curador é o de acompanhar ativamente, do início ao fim, a realização da exposição.

Notas

1  AMARAL, Aracy A. Depoimento para Pinacoteca gravado em 16 de junho de 2011. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=9PYCVt3UClc >. Acesso em: jun. 2017

 

Outras informações de Aracy Amaral:

  • Outros nomes
    • Aracy Abreu Amaral
    • Araci Amaral
    • Araci Abreu Amaral
    • Aracy A. Amaral
  • Habilidades
    • professora universitária
    • crítica de artes visuais
    • Curadora
  • Relações de Aracy Amaral com outros artigos da enciclopédia:

Exposições (47)

Artigo sobre Arte na Rua

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioArte na Rua: 1983  |  Data de término | 1983
Resumo do artigo Arte na Rua:

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

Artigo sobre A Nova Dimensão do Objeto

Artigo da seção eventos
Temas do artigo: Artes visuais  
Data de inícioA Nova Dimensão do Objeto : 09-1986  |  Data de término | 10-1986
Resumo do artigo A Nova Dimensão do Objeto :

Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP)

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Eventos relacionados (3)

Fontes de pesquisa (11)

  • AMARAL, Aracy A. Entrevista. Revista Patrimônio Cultural Paulistano, São Paulo, n. 212, abril 2014.
    Disponível em: < https://www.sescsp.org.br/online/artigo/7445_ARACY+AMARAL >. Acesso em: jun. 2017.

  • AMARAL, Aracy. Tarsila: sua obra e seu tempo. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: Edusp: Editora 34, 2003. 512 p., il. p&b..
  • AMARAL, Aracy. Textos do Trópico de Capricórnio artigos e ensaios (1980-2005): Modernismo, arte moderna e o compromisso com o lugar. São Paulo: Editora 34, 2006. v.1, 352 p.
  • AMARAL, Aracy A. Cena artística: arte contemporânea. Fórum Permanente, São Paulo, v. 1, n. 1, 2012. Disponivel em: < http://www.forumpermanente.org/revista/edicao-0/textos/cena-artistica-arte-contemporanea >. Acesso em: jun. 2017.
  • AMARAL, Aracy. Arte e meio artístico: entre a feijoada e o x-burguer: 1961-1981. São Paulo: Nobel, 1983.
  • AMARAL, Aracy. Arte para quê?: a preocupação social na Arte brasileira 1930-1970: subsídio para uma história social da Arte no Brasil. São Paulo: Nobel, 1984.
  • AMARAL, Aracy. Artes plásticas na Semana de 22. 5. ed. São Paulo, SP: Editora 34, 1998.
  • FONSECA, Rafael. Entrevista Aracy Amaral. Dasartes, n. 42, 5 nov. 2015. Disponível em: < http://dasartes.com.br/materias/entrevista-aracy-amaral/ >. Acesso em: jun. 2017.
  • FORTUNA, Maria. ‘Artistas plásticos brasileiros são alienados’ diz historiadora. O Globo, Rio de Janeiro, 13 ago. 2014. Disponível em: < http://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/post/artistas-plasticos-brasileiros-sao-alienados-diz-historiadora-545785.html >. Acesso em: jun. 2017.
  • MARTÍ, Silas. Aracy Amaral será curadora do próximo Panorama da Arte Brasileira. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 jan. 2015. Disponível em: < http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/01/1578430-aracy-amaral-sera-curadora-do-proximo-panorama-da-arte-brasileira.shtml >. Acesso em: jun. 2017.
  • OLIVEIRA, Mariana. Aracy Amaral: a ênfase em ‘artistas jovens’ está excessiva. Revista Continente, Recife, 29 nov. 1999. Disponível em: < http://www.revistacontinente.com.br/conteudo/933-a-contenente/revista/conversa/16725-aracy-amaral-a-enfase-em-artistas-jovens-esta-excessiva.html >. Acesso em: jun. 2017.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ARACY Amaral. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10/aracy-amaral>. Acesso em: 20 de Nov. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7