Artigo da seção obras Edifício Martinelli

Edifício Martinelli

Artigo da seção obras
Artes visuais  
Data de criaçãoEdifício Martinelli: 1929 | Vilmos Fillinger
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Vista do Edifício Martinelli a partir da Praça do Patriarca (São Paulo, SP) , ca. 1925 , Conrado Wessel

Histórico
O Edifício Martinelli é idealizado pelo empresário italiano Giuseppe Martinelli (1870-1946). O projeto original é de autoria do arquiteto húngaro William (Vilmos) Fillinger (1888-1968), formado na Academia de Belas-Artes de Viena. Entretanto, as ampliações feitas durante a obra são propostas por Giuseppe Martinelli, que, antes da imigração para o Brasil, na última década do século XIX, faz um curso de construção na Escola Popular de Belas Artes de Lucca, na Itália.

O projeto é iniciado em 1922. Os primeiros desenhos preveem a construção de 14 pavimentos. Durante a obra, o proprietário demanda o acréscimo de seis andares à torre, ambicionando construir o primeiro arranha-céu de São Paulo. Na década de 1920, a cidade tem poucos prédios altos. A maioria dos edifícios não ultrapassa três pavimentos, e a construção mais elevada é o prédio Sampaio Moreira, com 12 andares, também na rua Líbero Badaró. Com o auxílio do sobrinho Ítalo Martinelli como engenheiro-calculista, o empresário amplia para 24 o número de andares. Esse aumento  faz com que a construção seja embargada, sob denúncias de que o prédio apresenta riscos de ruir. Registros da época informam que populares mudam de calçada ao passar pela construção, temendo pelo desabamento iminente noticiado nos jornais da época. Depois que a obra é liberada e operários retornam ao canteiro de construção, Giuseppe Martinelli determina o erguimento de mais cinco andares (perfazendo os 30 pavimentos atuais). Para comprovar a segurança de seu empreendimento, esses últimos andares são transformados na residência do empresário, apelidada de Casa do Comendador. O Edifício Martinelli é inaugurado em 1929, com 105,65 metros de altura.

Torna-se o prédio mais alto da América Latina, ultrapassando o Edifício A Noite, no Rio de Janeiro. O Edifício Martinelli perde o título quando é inaugurado o Edifício Kavanagh, em Buenos Aires, em 1936. Permanece como o mais alto edifício de São Paulo, até a inauguração do Edifício Altino Arantes, popularmente conhecido como “Banespão”.

Com cerca de 50 mil metros quadrados de área construída, o Edifício Martinelli tem fachadas voltadas para as ruas Líbero Badaró, São João e São Bento, no centro antigo de São Paulo. Em sua origem, o Martinelli é um edifício de uso misto: a entrada da rua Líbero Badaró é destinada aos apartamentos residenciais de alto padrão; no lado oposto, na rua São Bento, estão o antigo Cine Rosário e os acessos para as áreas comerciais, com restaurantes, confeitarias, a escola de dança e sedes de partidos políticos e clubes de futebol; na rua São João, encontra-se a fachada mais larga, onde está o saguão do Hotel São Bento, com acesso aos aposentos e aos salões Verde e Mourisco, conhecidos por abrigar eventos da alta sociedade.

A inauguração do Edifício Martinelli coincide com a Crise de 1929. A quebra da Bolsa de Nova York afeta diretamente a empresa de transporte marítimo de Giuseppe Martinelli. A procura menor que a esperada por unidades no edifício não saldam as dívidas contraídas no período da construção. Com isso, em 1934, o proprietário vende o Edifício Martinelli para o Istituto Nazionale di Credito per il Lavoro Italiano All'Estero, ligado ao governo da Itália. Quando o Brasil entra na Segunda Guerra Mundial contra o eixo formado por Alemanha, Japão e Itália, o edifício é confiscado pelo governo brasileiro. Por meio de leilão, transforma-se em um condomínio de apartamentos.

Entra em um longo período de degradação e passa a ser mais conhecido pela presença nas páginas policiais do que pela monumentalidade. Depois de décadas de abandono, o prédio é reformado pela prefeitura de São Paulo entre 1975 e 1979. Reabre com a ocupação majoritária de secretarias municipais –  uso que permanece hoje.

A forma do Edifício Martinelli tem como matriz a composição tripartite clássica, com embasamento, corpo principal e coroamento.O projeto segue o estilo eclético, com ornamentos de características neoclássicas, em voga na década de 1920. É possível encontrar similitudes com as configurações formais de grandes hotéis construídos na mesma época na região central de Manhattan, em Nova York – principalmente no que diz respeito à divisão do corpo principal em quatro partes, por meio de reentrâncias na fachada.

A construção é uma das primeiras no Brasil a ter estrutura em concreto armado. Grande parte dos materiais empregados vem do exterior: cimento proveniente da Escandinávia, escadas revestidas em mármore de Carrara, portas feitas em pinho-de-riga, louça sanitária da Inglaterra, elevadores da Suíça e papéis de parede, vidros e espelhos de origem belga. A partir do vigésimo pavimento, as paredes das salas são ornamentadas por pinturas a óleo, eliminadas em reformas posteriores.

As fachadas contêm um tom rosado que singulariza o Edifício Martinelli. Seu embasamento é recoberto com granito levemente avermelhado. O corpo principal é revestido de massa cor-de-rosa, composta por cristal de rocha, vidro moído, areia e pó-de-mica. O coroamento é similar a uma mansarda, com telhas de ardósia.

O Edifício Martinelli é o primeiro arranha-céu construído na cidade de São Paulo e representa o ensejo coletivo de desenvolvimento e de modelo urbano de expansão que os paulistanos prosseguem adotando: a verticalização da metrópole.

Ficha Técnica da obra Edifício Martinelli:

Representação (2)

Fontes de pesquisa (6)

  • BENS CULTURAIS arquitetônicos no município e região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Prefeitura Municipal de São Paulo, 1984.
  • GUIA DE bens culturais da cidade de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial, 2012.
  • CAVALCANTI, Pedro; DELION, Luciano. São Paulo, a juventude do centro. São Paulo: Conex, 2004.
  • HOMEM, Maria Cecília Naclério. O Prédio Martinelli: a ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo: Projeto Editores, 1984.
  • ÖSTLUND, Fernando; PAVAN, Rafael (Orgs.). Triângulo São Paulo: um guia para se perder no centro. São Paulo: Estação Cultura, 2014.
  • PERRONE, Carlos. São Paulo por dentro: um guia panorâmico de arquitetura. São Paulo: Senac, 2000.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • EDIFÍCIO Martinelli. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69058/edificio-martinelli>. Acesso em: 16 de Jan. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7