Artigo da seção instituições Escola Profissional Masculina do Brás (São Paulo, SP)

Escola Profissional Masculina do Brás (São Paulo, SP)

Artigo da seção instituições
 

Outros Nomes

Instituto Profissional Masculino

Escola Técnica de São Paulo

Escola Técnica Getúlio Vargas

Colégio Industrial Estadual Getúlio Vargas

Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas

Histórico

As Escolas Profissionais Masculina e Feminina do Brás, em São Paulo, são criadas pelo Decreto nº 2118-B, de 28 de novembro de 1911, destinadas ao público infantil (a partir de 12 anos) e adulto. Trata-se de escolas especializadas no ensino das artes e ofícios, que visam à formação e à qualificação das camadas populares para o mercado de trabalho, na indústria e no comércio. Para os rapazes, as artes industriais: marcenaria, serralheria, pintura, mecânica e outras. Para as moças, a economia doméstica e prendas manuais: rendas e bordados, flores e chapéus. A Escola Profissional Masculina do Brás (atual Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas), especificamente, tem papel importante na formação de artesãos e artistas que se tornam, posteriormente, nomes destacados nas artes visuais brasileiras. Pelos cursos de pintura, desenho e estudos artísticos da escola passam os membros do Grupo Santa Helena - Alfredo Volpi (1896 - 1988), Bonadei (1906 - 1974), Rizzotti (1909 - 1972), Mario Zanini (1907 - 1971), Francisco Rebolo (1902 - 1980) e Manoel Martins (1911 - 1979), que muitas vezes freqüentam também as aulas do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo - Laosp. Num período em que poucas são as escolas primárias e em menor número ainda as secundárias e de ensino superior, a instituição oferece cursos noturnos gratuitos para a população de baixa renda.

O ensino profissionalizante, desde o império, está voltado para o trabalhador e sua família. Concentradas na instrução básica - aulas de caligrafia, gramática e aritmética - e na aprendizagem de ofícios diversos, que capacitem para o mercado de trabalho, as escolas profissionais e técnicas, com forte caráter assistencial, fornecem material didático e assistência médica aos alunos e mantém um biblioteca pública. Com o advento da república, observa-se a propagação do ensino primário e profissionalizante por todo o Brasil. Em 1906, por exemplo, o presidente Nilo Peçanha cria uma rede de 19 escolas de aprendizes-artífices em diferentes capitais. No Estado de São Paulo, nesse período, os grupos escolares se irradiam para os bairros operários da Luz, Bom Retiro, Brás e Mooca. No campo da formação profissional, nota-se do mesmo modo a proliferação de instituições: a Escola Prática de Comércio de São Paulo, em 1902; o Liceu de Artes e Ofícios dos Padres Salesianos, além do Liceu de Artes e Ofícios; a Escola Profissional Mecânica, instituição privada, criada em 1924. Às iniciativas do Estado somam-se as realizações das organizações de trabalhadores, que promovem uma série de atividades relacionadas à educação profissional, entre 1902 e 1920. Em São Paulo, a difusão dos ideais anarquistas nos meios operários está na base da criação de duas escolas, uma no bairro do Belenzinho, em 1912 e outra no Brás, em 1918, que têm como modelo a Escola Moderna, fundada em 1901 pelo educador espanhol Francisco Ferrer y Guardia (1859 - 1909). Nesses bairros - com grande concentração operária e imigrante, e um número significativo de fábricas e oficinas - funcionam, desde o fim do século XIX, algumas escolas modelos, pensadas como laboratórios para formação de professores. Como, por exemplo, a Escola Modelo do Brás, inaugurada em 1898, em edifício projetado por Ramos de Azevedo (1851 - 1928).

As Escolas Profissionais Feminina e Masculina do Brás são fundadas no interior desse processo de difusão de estabelecimentos de ensino para os trabalhadores e seus filhos na Primeira República. Além da capacitação técnica e profissional, afinadas com o ideário modernizador de uma sociedade que assiste aos primeiros passos de seu processo industrial, essas escolas apostam também na função moralizadora da educação voltada para o trabalho. Além de bons trabalhadores, e da valorização do trabalho manual em um país recém-saído da escravidão, deve-se formar "bons cidadãos". Os cursos, que duram cerca de três anos, são elaborados com base em aulas teóricas - português, geografia, aritmética etc. - e práticas, realizadas nas oficinas e ateliês. O desenho constitui o núcleo central do currículo, habilitando o artesão e operário para à execução de projetos e planos. As aulas de desenhos garantem ainda a "educação pela correção da visão e firmeza da observação", articulando de modo exemplar habilitação técnica-especializada e formação moral.

Outras informações da instituição Escola Profissional Masculina do Brás (São Paulo, SP):

  • Outros nomes
    • Centro Estadual Interescolar Getúlio Vargas
    • Colégio Industrial Estadual Getúlio Vargas
    • Escola Técnica de São Paulo
    • Escola Técnica Estadual Getúlio Vargas
    • Escola Técnica Getúlio Vargas
    • Instituto Profissional Masculino (São Paulo, SP)
  • Atuação
    • Instituição de Ensino

Fontes de pesquisa (3)

  • BONTEMPI Jr., Bruno. Do vazio à forma escolar moderna: a história da educação como um fardo na cidade de São Paulo. In: PORTA, Paula (org). História da cidade de São Paulo. A cidade no Império, 1823 - 1889. São Paulo: Paz e Terra, 2004. 627 pp., il p&b. color. v.2
  • CUNHA, Luiz Antonio. O ensino industrial - manufatureiro no Brasil: origem e desenvolvimento. Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais - FLACSO. Disponível em: [http://www.flacso.org.br/data/biblioteca/392.pdf]. Acesso em: ago. 2006.
  • NOVELLI, Giseli. Ensino Profissionalizante na cidade de São Paulo: um estudo sobre o currículo da Escola Profissional Feminina nas décadas de 1910, 1920 e 1930. Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação - ANPED. Disponível em: [http://www.anped.org.br/27/gt09/t0910.pdf]. Acesso em: ago. 2006.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • ESCOLA Profissional Masculina do Brás (São Paulo, SP). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao480226/escola-profissional-masculina-do-bras-sao-paulo-sp>. Acesso em: 15 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7