Artigo da seção instituições Madame Satã

Madame Satã

Artigo da seção instituições
Música / teatro / dança / artes visuais  
Data de aberturaMadame Satã: 21-10-1983 Local de abertura: (Brasil / São Paulo / São Paulo) | Data de fechamento 06-1992 Local de fechamento: (Brasil / São Paulo / São Paulo)

Histórico

O Madame Satã é, no período de 1983 a 1986, local central de produção e divulgação da cultura underground da cidade de São Paulo. Localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 873, no bairro da Bela Vista, é fundado por Miriam Dutra (1953) e Márcia Dutra (1959), funcionárias públicas e atrizes amadoras; e Wilson José (1954-1992) e Williams Jorge (1956), ex-seminaristas e atores amadores. Wilson José forma-se em teatro no CPT (Centro de Pesquisa Teatral no Sesc Consolação) e Miriam e Márcia Dutra no curso da Escola de Teatro Macunaíma.

Os quatro se conhecem em 1982 e abrem, em 21 de outubro de 1983, o Restaurante Cultural Madame Satã. A entrada de um novo sócio, José Claudio Mendes (1940-2012), promoter e agitador cultural, em 1 de março de 1984, introduz o conceito de casa noturna com pista de dança e pequeno palco para apresentações, tendo o espaço superior voltado para performances de artistas plásticos, atores e dançarinos. O lugar torna-se referência para artistas de teatro, dança, música e várias correntes de comportamento derivadas de estilos musicais de rock que existiam no período: new wave, dark, punk rock e pós-punk.

Entre 1984 e 1986, recebe 79 bandas, tais como: RPM, Fellini, Inocentes, Ira, Ultraje a Rigor, Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude, Engenheiros do Havaí, Biquini Cavadão e Jardim das Delícias. Esta última, liderada pela transexual Cláudia Wonder (1955-2010), soma rock e performance no show Vômito do Mito. No final do show, Wonder apresentava-se nua com uma máscara animalesca e se banhava numa banheira cheia de groselha imitando sangue.

A casa também lançou os DJs Marquinhos MS (1963-1994), Magal (1965), Renato Lopes (1962), Kid Vinil (1955) e Mau Mau (1968). Por lá também passaram vários grupos de teatro e dança, entre os quais Marzipan, Luni, Harpias e Ogros, Ornitorrinco e XPTO.

Em 1985, realiza-se um projeto mais amplo, o Conexão Urbana, abrangendo várias linguagens: artes plásticas - com seleção de feita por César Augusto Sartorelli (1961) -, música e teatro, entre outras. Ele ocorre entre 8 a 13 de julho, em São Paulo, no Madame Satã, e entre 15 e 20 de julho no Rio de Janeiro. Com coordenação de Ana Luisa Taunay Graça Couto (1965), as apresentações do Rio de Janeiro acontecem na Funarte, no Centro Cultural Cândido Mendes e no Circo Delírio. O projeto tem como princípio a ideia de que a arte produzida nos centros das duas maiores cidades do país traduziria uma urbanidade comum a ambas. Participaram em São Paulo, entre outros, os artistas plásticos: Dora Longo Bahia (1961), Nina Moraes (1960), Oscar Oiwa (1965) e Ricardo Woo (1964).

O Madame Satã é um fenômeno dos primeiros anos após o fim da ditadura militar no Brasil, período em que ocorre uma atmosfera de liberdade de manifestação aliada a resquícios da contracultura e do movimento hippie das décadas de 1960 e 1970 e às influências dos movimento punk inglês e new wave americano. Por isso, torna-se um local de troca de informações e marco do início de carreira de boa parte dos artistas e profissionais do meio cultural da cidade de São Paulo.

Em 1986, perde três sócios: Miriam Dutra, Márcia Dutra e Zé Claudio Mendes. As atividades continuam até 1991 sob direção de Williams Jorge e  Wilson José, quando, após o falecimento do último, fecha em junho de 1992. No mesmo local surge, no ano seguinte, sob outra direção, a casa noturna Morcegévia. Retoma-se o nome Madame Satã em 1999. A casa fecha e reabre com o nome Madame em 2013.

Outras informações da instituição Madame Satã:

  • Outros nomes
    • Restaurante Cultural Madame Satã
    • Morcegóvia
    • The The
    • Madame

Fontes de pesquisa (9)

  • As artes do Rio e SP agora em Conexão Urbana. Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 jul. 1985. Ilustrada. 
  • BARRA, Guto. Noite paulista perde DJ Marquinho MS. Folha de S.Paulo, São Paulo, 13 mai. 1994. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/13/ilustrada/21.html. Acesso em: 12 jul. 2014.
  • COUTINHO, Wilson. Urbano, muito urbano. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, Caderno B, 19 jul. 1985.
  • LEITE, Manoel. Urge. Blog Painel do Rock Brasileiro. Disponível em: http://paineldorockbrasil80.blogspot.com.br/2009/02/urge-abanda-entra-em-casa.html. Acesso em: 11 jul. 2014.
  • MADAME Satã: o importante é ser eu não o outro. Direção: Gabriela Prosdocimi, documentário, 2012.
  • MORAES, Marcelo Leite de. Madame Satã: o templo do underground dos anos 80. São Paulo: Lira Editora Ltda., 2006.
  • ROCHA, Camilo. Morre idealizador do Madame Satã. O Esquema. Disponível em: http://www.oesquema.com.br/bateestaca/2012/06/04/morre-idealizador-do-madame-sata-veja-doc-sobre-a-casa/. Acesso em: 10 jul. 2014.
  • SEMPRE Livre. Site oficial da banda. Disponível em: http://www.bandasemprelivre.com/pdf/REVISTA%20ISTO%20%C3%89%2029_08_1984.pdf. Acesso em: 12 jul. 2014.
  • SPRESSOSP. Site. Disponível em: http://www.spressosp.com.br/2012/07/13/sob-nova-administracao-o-madame-sata-quer-se-reinventar/. Acesso em: 13 jul. 2014.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MADAME Satã. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao2998/madame-sata>. Acesso em: 23 de Mai. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7