Artigo da seção instituições Museu de Imagens do Inconsciente

Museu de Imagens do Inconsciente

Artigo da seção instituições
Artes visuais  
Data de aberturaMuseu de Imagens do Inconsciente: 20-05-1952 Local de abertura: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
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Sem Título , 1968 , Emygdio de Barros

Histórico
Inaugurado em 20 de maio de 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente é uma criação da psiquiatra Nise da Silveira (1906 - 1999), fruto de seu trabalho no Centro Psiquiátrico Pedro II (atual Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira), no bairro do Engenho de Dentro, Rio de Janeiro, no qual passa a trabalhar em 1944. Um "centro vivo de estudo e pesquisa", na definição da médica, que reúne acervo das pinturas, desenhos e esculturas dos freqüentadores do Setor de Terapia Ocupacional e Reabilitação - STOR, por ela dirigido entre 1946 e 1974. Recusando os tratamentos psiquiátricos tradicionais, Nise da Silveira lança mão das teorias da antipsiquiatria, da psicologia de Carl Gustav Jung (1875-1961) e dos desenvolvimentos na área específica da teoria ocupacional para a recuperação dos doentes mentais. Enfatizando a importância do contato afetivo e da expressão criativa no processo de cura, ela abre uma série de ateliês no interior do STOR - encadernação, música, modelagem, pintura, teatro etc. -, orientando os monitores a não interferirem na produção dos pacientes. Em 9 de setembro de 1946, precisamente, começa a funcionar o ateliê de pintura - embrião do museu - supervisionado pela própria médica e pelo pintor Almir Mavignier (1925). O Museu de Imagens do Inconsciente continua existindo até hoje graças à "Sociedade dos Amigos do Museu do Inconsciente", à sua fama internacional e ao sucesso artístico de muitas obras e artistas.

Nascida em Maceió e formada pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1926, Nise da Silveira começa sua carreira como psiquiatra no Hospital da Praia Vermelha, hoje Pinel, no Rio de Janeiro, em 1933. Durante a Revolta Comunista de 1935, é presa por ser simpatizante do movimento. Por um ano e quatro meses, permanece na Casa de Detenção, onde conhece o escritor Graciliano Ramos (1892 - 1953), que faz referências a ela em seu livro Memórias do Cárcere. Em 1944, volta à ativa como psiquiatra, no Centro Pedro II, no Engenho de Dentro. O êxito de seu trabalho com os doentes e a criação de uma equipe, levam-na a projetar a Casa das Palmeiras, inaugurada em 1956, para dar suporte aos egressos do hospital psiquiátrico. Nessa instituição independente de convênios, espécie de "território livre", a doutora Nise amplia seu método de trabalho, ancorado na atividade criadora, na articulação entre razão e sentimento, corpo e psique. Se a arte ocupa lugar central na prática terapêutica empregada, a intenção não é, nem nunca foi, segundo ela, produzir obras de arte nem artistas, mas oferecer caminhos para que os doentes exprimam seus conflitos internos por meio de uma linguagem simbólica. Com portas e janelas abertas, sem enfermeiros nem profissionais de jalecos, repleta de bichos - seus "co-terapeutas" -, a Casa das Palmeiras representa uma experiência inédita no campo da psiquiatria. A instituição funciona em sua terceira sede - hoje na rua Sorocaba, no bairro de Botafogo. Dos pacientes que por ali passam, a maior parte não retorna ao hospital psiquiátrico.

Apesar do cuidado da doutora Nise em não emitir juízos artísticos sobre as obras produzidas, mas em se concentrar nos problemas científicos levantados por essas produções, os trabalhos realizados, primeiro no STOR e depois na Casa das Palmeiras, são acolhidos com entusiasmo pelo meio artístico da época. As visitas regulares do crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981) ao ateliê de pintura - levando até lá escritores e artistas como o poeta Murilo Mendes (1901 - 1975), os pintores Ivan Serpa (1923 - 1973) e Abraham Palatnik (1928), além do diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP, Léon Dégand (1907 - 1958) - são responsáveis por uma série de exposições dos pintores do Engenho de Dentro. Em 1947, o salão do antigo Ministério da Educação e Cultura recebe 245 trabalhos. Mário Pedrosa, em artigo publicado no Correio da Manhã, em sete de fevereiro de 1947, é enfático em relação à qualidade das obras: "(...) ninguém impede que essas imagens sejam, além do mais, harmoniosas, sedutoras, dramáticas, vivas ou belas, enfim constituindo verdadeiras obras de arte". Em 1949, nova mostra, desta vez no MAM/SP: 9 Artistas do Engenho de Dentro, reunião de trabalhos selecionadas por Dégand. Nova reação entusiasmada de Pedrosa, em 1950: "Os artistas do Engenho de Dentro superam qualquer respeito a convenções acadêmicas estabelecidas e quaisquer rotinas da visão naturalista e fotográfica. Em nenhum deles as receitas da escola são levadas em consideração". Em 1950, obras do museu são expostas em Arte Psicopatológica, no 1º Congresso Internacional de Psiquiatria, em Paris. Em 1957, é o próprio Jung quem inaugura uma exposição de pinturas de imagens do Museu do Inconsciente, no 2º Congresso Internacional de Psiquiatria, em Zurique.

O trabalho de Nise da Silveira à frente do Museu de Imagens do Inconsciente revela ao público uma série de artistas e obras de valor inegáveis, embora muitas vezes difíceis de serem classificados do ponto de vista do estilo. "Não sendo filiados a quaisquer 'escolas' ", afirma a doutora Nise, "nossos pintores passam da abstração ao figurativismo e vice-versa de acordo com sua situação face ao mundo externo e suas vivências internas". Arthur Amora teve breve passagem pelo hospital na década de 1940. Dos trabalhos iniciais - cópias de caixas de dominós - parte para obras geométricas em preto-e-branco, produzidas entre 1949 e 1951. Emygdio de Barros (1895-1986), freqüenta o ateliê em 1947 e, a partir de então, não pára mais de trabalhar: pinta cerca de 3.000 quadros, sobretudo paisagens de cores vibrantes. Raphael (1912-1979), internado aos 19 anos, é o único que havia estudado desenho, que é o seu forte: naturezas-mortas e paisagens, objetos, plantas, figuras humanas. Adelina (1916-1984) realiza pinturas e esculturas, em que predominam imagens femininas (a "grande mãe", tema arquetípico nos casos clínicos de mulheres psicóticas, segundo a doutora Nise). Os trabalhos de Isaac (1906-1966) são eminentemente figurativos: paisagens e marinhas. Nas obras de Carlos Pertuis (1910-1977), as formas aparecem emolduradas, os volumes rigorosamente definidos em obras geométricas e composições complexas.

Fernando Diniz (1918-1999), um dos artistas mais célebres do grupo, pinta letras, números, paisagens,  interiores e composições geométricas. O tema da casa - da casa onírica que jamais existe - é uma constante em seu trabalho: o assoalho (que define as linhas básicas da composição), os candelabros, poltronas, pianos, aquários etc. Diz ele: "Eu primeiro fiz um pedaço de cada canto e depois juntei tudo num quadro só (...). É como aprender as letras "a, e, i, o, u". A gente aprende uma por uma para depois juntar e fazer uma palavra. As letras são mais fáceis de juntar do que as imagens. As figuras são mais difíceis para ligar. As letras a gente sabe logo, as figuras nunca se sabe totalmente".

Outras informações da instituição Museu de Imagens do Inconsciente:

  • Atuação
    • Museu de Arte

Obras de Museu de Imagens do Inconsciente: (12) obras disponíveis:

Título da obra: Sem Título

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSem Título : 1948
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Título da obra: Sem Título

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSem Título : 1953
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica Humberto Moraes Francheschi

Título da obra: Sem Título

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoSem Título : 1956
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução fotográfica autoria desconhecida

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • GULLAR, Ferreira. Nise da Silveira: uma pesquisa rebelde. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1996. 98 p., il. p.&b. (Perfis do Rio, 10).
  • MELLO, Luiz Carlos; SILVEIRA, Nise da; CUNHA, Márcia Leitão da. Brasil Museu de Imagens do Inconsciente: Bilder des Unbewussten aus Brasilien = Images of the unconscious from Brazil. Tradução Vera Barkow, Clare Charity. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 1994. 127 p., il. p&b. color. (Brasiliana de Frankfurt).
  • MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Imagens do inconsciente. Curadoria Nise da Silveira, Luiz Carlos Mello; tradução John Norman. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.
  • SILVEIRA, Nise da. Gatos, a emoção de lidar. Rio de Janeiro: Léo Christiano Editorial, 1998. 71 p., il. p&b. color.
  • SILVEIRA, Nise da. Imagens do inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981. 346 p., il.p&b.
  • SILVEIRA, Nise da. O Mundo das imagens. São Paulo: Ática, 1992. 165 p., il. p&b. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MUSEU de Imagens do Inconsciente. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao222326/museu-de-imagens-do-inconsciente>. Acesso em: 21 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7
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