Artigo da seção instituições Museu Paraense Emílio Goeldi

Museu Paraense Emílio Goeldi

Artigo da seção instituições
Artes visuais  
Data de aberturaMuseu Paraense Emílio Goeldi: 1866 Local de abertura: (Brasil / Pará / Belém)

Histórico

Centro de pesquisa, formação, intercâmbio e preservação de acervos científicos nas áreas de antropologia, arqueologia, geografia, história, lingüística, botânica, zoologia e ciências da terra, o Museu Paraense Emílio Goeldi concentra suas atividades no estudo dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia, bem como na divulgação de conhecimentos e acervos relacionados à região.

Sua fundação remonta a 1866, quando, por iniciativa do naturalista Domingos Soares Ferreira Penna e de um grupo de cientistas, é criada a Associação Filomática, núcleo formador do museu. Em 1871, o Museu Paraense é oficialmente vinculado a então Província do Grão-Pará. Durante o período monárquico, enfrenta falta de recursos e profissionais, dificuldades que levam a seu fechamento, em 1889. Sob o regime republicano, são empreendidos trabalhos de recuperação do museu, que é reinaugurado em 1891 em nova sede, no edifício do antigo Liceu Paraense.

Em 1884, o zoólogo suíço Emílio Goeldi (1859-1917) assume a diretoria do museu e, com ampla liberdade de ação, empreende significativas transformações na estrutura da instituição, seguindo o modelo dos museus científicos estrangeiros. São criados os setores de zoologia, botânica, etnologia, arqueologia, geologia, além do Parque Zoobotânico.

Em 1895, o museu passa a ocupar o terreno da Rocinha de Bento José da Silva Ramos, em que se situa até hoje. Com o objetivo de torná-lo um centro de pesquisa de renome internacional, são recrutados cientistas na Europa e pesquisadores locais e realizadas expedições por grande parte do território amazônico. Inicia-se a publicação de revistas especializadas, além do Boletim do Museu Paraense, editado regularmente. Em 1907, Goeldi resolve retornar à Suíça, deixando a direção do museu.

A instituição atravessa uma nova fase desfavorável, com a interrupção de suas atividades científicas até o período do Estado Novo (1937-1945), quando são investidos recursos regulares para ampliar e equipar o museu, principalmente para o Parque Zoobotânico. Entretanto, a partir de 1946, o museu volta a enfrentar outra crise, retomando seu desenvolvimento apenas na década seguinte. Em 1950, vincula-se à instância federal e, em 1954, passa a ser administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), ligando-se ao recém-criado Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, situação que perdura até 1994. Ao longo desses anos consolidam-se as pesquisas científicas sobre a Amazônia e as coleções científicas são largamente ampliadas.

É criado, em 1988, o primeiro curso de pós-graduação no Museu Goeldi, na área de zoologia, por meio de um convênio com a Universidade Federal do Pará (UFPA). Na década de 1990, reconhecido como centro de referência internacional, o museu amplia parcerias com a Inglaterra, Canadá, Japão, Alemanha, França, Holanda e Estados Unidos. Em 2000, o Museu Goeldi passa a se subordinar diretamente ao Ministério da Ciência e Tecnologia. E no ano seguinte abre o segundo curso de pós-graduação, na área de botânica, em convênio com a Universidade Federal Rural da Amazônia. Consolidam-se diversos programas científicos institucionais, e o museu ingressa em importantes redes científicas e tecnológicas nacionais e internacionais.

Atualmente, o Museu Goeldi está estruturado em diversas coordenações: de ciências humanas, que abrange as áreas de arqueologia, etnologia, lingüística, geografia e história; de botânica; zoologia; e ecologia e ciências da terra. Mantém desde 1982 uma coordenação de museologia, com o objetivo de desenvolver programas de extensão científico-cultural, divulgando o acervo e as pesquisas realizadas no museu por meio de exposições, seminários, cursos e outras atividades educacionais. O setor oferece assessoria a outros museus e colabora na realização de exposições de outras instituições.

O Centro de Documentação e Informação da Amazônia reúne dados e documentos sobre a região. Entre as obras de seu acervo, merecem destaque os livros de naturalistas, ilustrados com desenhos e gravuras da fauna e flora amazônicas.

O museu possui três unidades físicas: o Parque Zoobotânico, tombado pelo patrimônio histórico federal, estadual e municipal, onde está instalada sua exposição permanente; o Campus de Pesquisa, que abriga as unidades de pesquisa, os laboratórios e o centro de documentação; e a Estação Científica Ferreira Penna, inaugurada em 1993 numa área florestal, destinada à execução de programas de pesquisa e ações de desenvolvimento comunitário. A formação da coleção do Museu Paraense Emílio Goeldi se dá em grande parte por meio de coletas realizadas nas expedições de seus departamentos científicos, doações de coleções feitas pelos pesquisadores do museu e de instituições estrangeiras, além de aquisições.

Possui um acervo etnográfico bastante significativo, formado por diversas coleções, como a constituída pelo frei Gil de Vilanova no século XIX, entre os índios caiapós; a de Lauro Sodré, dos grupos juruna e tapaiúna, formada em 1897; e a coleção de Curt Nimuendaju, realizador de um importante trabalho etnológico e arqueológico no museu. Predominantemente de grupos amazônicos, mantém uma parte menor referente a grupos étnicos sul-americanos não amazônicos e africanos. Entre uma grande diversidade de artefatos, estão cuias e cabaças, chocalhos e outros instrumentos musicais, cerâmica utilitária e ritual, como as peças de cerâmica karajá, da região do Araguaia, os vasos e potes de cerâmica juruna, de aspecto zoomorfo, pintadas de vermelho, branco e preto, e as grandes panelas de cerâmica waurá, do Alto Xingu. Encontram-se também no acervo diversos artefatos de plumária, como colares, braceletes e cocares, cestaria com diferentes trançados e usos, como a dos índios wayanas do norte do Pará e xicrins, do rio Tocantins, esculturas antropomórficas e zoomorfas, colheres, pentes e outros utilitários, machados de uso cotidiano e cerimonial, lanças, bordunas e máscaras rituais como as dos ticunas, iualapitis e canelas.

O vasto acervo arqueológico existente no museu é resultado de seu pioneirismo nessa área no Brasil. Entre os diversos conjuntos que fazem parte do acervo, destacam-se a coleção Frederico Barata, comprada pelo CNPq em 1959, constituída em sua maioria por peças de Santarém, e as coleções oriundas dos trabalhos dos arqueólogos norte-americanos Betty Meggers e Clifford Evans, coletado na ilha de Marajó e no Amapá. São pontas de flechas, artefatos líticos como lâminas e moedores, urnas, vasos e pratos marajoaras, estatuetas antropomórficas, miniaturas zoomorfas e muiraquitãs.1 Completam o acervo as coleções de estudo nas áreas de botânica, zoologia - uma das maiores do Brasil - e geologia.

Entre diversas atividades educativas e culturais, o museu realiza empréstimos de réplicas e kits didáticos para escolas, visitas orientadas, palestras e cursos, além de projetos comunitários especiais, como o acompanhamento de hortas e bibliotecas comunitárias e atividades de educação ambiental.

Nota

1 Artefato entalhado em pedra (especialmente jade, pela cor esverdeada) ou madeira, representando pessoas ou animais (rã, peixe, tartaruga etc.), ao qual são atribuídas as qualidades sobrenaturais de amuleto.

Outras informações da instituição Museu Paraense Emílio Goeldi:

  • Outros nomes
    • Museu Emílio Goeldi
    • Museu Goeldi
  • Atuação
    • Museu de Etnologia e Antropologia
    • Museu de História

Exposições (3)

Fontes de pesquisa (3)

  • LOURENÇO, Maria Cecília França (org.). Guia de museus brasileiros. São Paulo: Edusp: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000. 498 p., il. color. (Uspiana Brasil 500 anos).
  • O MUSEU Paraense Emílio Goeldi. Texto Adélia Engrácia de Oliveira. São Paulo: Banco Safra, 1986. 287 p., il. color. (Banco Safra).
  • Regimento interno. In: Museu Paraense Emilio Goeldi. Disponível em: [http://www.museu-goeldi.br/institucional/i_documentos.htm]. Acesso em 30/10/2006.

Como citar?

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  • MUSEU Paraense Emílio Goeldi. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao209350/museu-paraense-emilio-goeldi>. Acesso em: 11 de Dez. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7