Artigo da seção instituições Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Artigo da seção instituições
Artes visuais  
Data de aberturaMuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro: 1948 Local de abertura: (Brasil / Rio de Janeiro / Rio de Janeiro)
Imagem representativa do artigo

Mulher , 1947 , Carlos Scliar
Reprodução Fotográfica Jefferson Silva

Histórico
Fruto das transformações culturais que têm lugar no período após a II Guerra Mundial (1939-1945), e que entre nós se traduz no crescimento das cidades e na diversificação de seus equipamentos culturais, o Museu de Arte Moderna, criado em 1948, no Rio de Janeiro, acompanha o modelo do Museum of Modern Art - MoMA [Museu de Arte Moderna], em Nova York (1929), do mesmo modo que o Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP (1948). Um "museu vivo", com exposições, música, teatro e cinema, além de debates: eis o intuito central da instituição, presidida pelo colecionador e industrial Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894 - 1968). As diferenças mais evidentes entre o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e o de São Paulo parecem ser a abertura do museu carioca às artes aplicadas, sobretudo ao design e ao desenho industrial, e sua vocação educativa, que se concretiza por um serviço de biblioteca atuante (a cargo da crítica literária Lúcia Miguel Pereira) e por ateliês abertos ao público. Diversos profissionais são convidados para implantar as atividades do museu: Candido Portinari (1903 - 1962), pintura; Bruno Giorgi (1905 - 1993), escultura; Alcides Miranda (1909 - 2001), arquitetura; Luís Heitor (1905 - 1992), música; Santa Rosa (1909 - 1956), teatro; e Luís Roberto Assumpção Araújo, cinema. O museu funciona inicialmente em salas cedidas pelo Banco Boa Vista, na praça Pio X, passando em seguida para um espaço improvisado entre os pilotis do prédio do Ministério da Educação e Saúde, onde é aberta ao público a mostra Pintura Européia Contemporânea (janeiro de 1949). Das 32 obras apresentadas nesta exposição, 12 irão compor o acervo do museu, que contará em seguida com doações de Raul Bopp (1898 - 1984), Marques Rabelo e Oscar Niemeyer (1907), entre muitos outros.

O ano de 1952 marca uma nova fase do museu, inaugurada com a exposição dos artistas premiados na 1ª Bienal Internacional de São Paulo (o que ocorrerá, a partir daí, regularmente) e com a ampliação do acervo, graças ao comando da sra. Niomar Moniz Sodré, então diretora executiva, cujo marido, Paulo Bittencourt é proprietário e diretor do jornal Correio da Manhã. O acervo do MAM - composto até então por quatro obras doadas pela Bienal, por uma pequena doação do MoMA e por contribuições particulares de artistas e colecionadores -, passa a contar nesse momento com obras de artistas estrangeiros adquiridas na Europa como André Lhote (1885 - 1962), Yves Tanguy (1900 - 1955), Georges Mathieu (1921), Fernand Léger (1881 - 1955), Alberto Giacometti (1901 - 1966), entre outros. Dentre os artistas nacionais, além de Portinari, Di Cavalcanti (1897 - 1976), Lasar Segall (1891 - 1957) e Guignard (1896 - 1962), o acervo do MAM se distingue por possuir uma expressiva coleção de Oswaldo Goeldi (1895 - 1961), com desenhos e gravuras. É Niomar quem convida o arquiteto Affonso Reidy (1909 - 1964) para projetar uma nova sede para o museu, em área de 40 mil metros quadrados doada pela prefeitura do Rio, no aterro do Flamengo, com projeto paisagístico de Burle Marx (1909 - 1994). As obras são iniciadas em 1954 e inauguradas em diferentes momentos: o Bloco-Escola, em 1958; o Bloco de Exposições, em 1967 (com mostra de Lasar Segall) e o Bloco-Teatro, inacabado. O projeto de Reidy segue as sugestões do racionalismo arquitetônico que orientam seus diversos trabalhos. No caso do MAM, especificamente, cabe destacar o emprego da estrutura vazada e transparente, a planta livre do espaço de exposições (que prevê a flexibilidade da museografia) e a atenção concedida à iluminação.

Datam também dessa nova fase do museu os cursos, para adultos e crianças, a cargo de colaboradores, como Ivan Serpa (1923 - 1973), Margareth Spencer (1914), Décio Vieira (1922 - 1988), Fayga Ostrower (1920 - 2001) etc. O ateliê infantil, coordenado por Serpa, conhece sucesso imediato. O de adultos, por sua vez, está na origem do Grupo Frente, fundado por Aluísio Carvão (1920 - 2001), Carlos Val (1937), Décio Vieira, Ivan Serpa, Lygia Clark (1920 - 1988), Lygia Pape (1927 - 2004) e Vicent Ibberson (19--), e ao qual aderem em seguida Hélio Oiticica (1937 - 1980), Franz Weissmann (1911 - 2005), Abraham Palatnik (1928), entre outros. Em 1955, têm início as atividades da Cinemateca, com a mostra internacional Dez Anos de Filmes de Arte, e a oferta de cursos regulares. Um pouco mais tarde, em 1959, começa a funcionar o ateliê de gravura, tendo como professores Johnny Friedlaender (1912 - 1992) e Edith Behring (1916 - 1996), e ao qual aderem, entre muitos outros, Maria Bonomi (1935), Anna Letycia (1929), Roberto de Lamonica (1933 - 1995).

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro é palco de importantes mostras de artistas nacionais e estrangeiros, além de abrigar conferencistas internacionais. A instituição acolhe grupos e movimentos de vanguarda da arte nacional nos anos de 1950 e 1960, como é possível aferir por mostras como: Exposição do Grupo Frente (1955), Exposição Nacional de Arte Concreta (1957) e mostra da Arte Neoconcreta (1959). Tropicália (1967), obra célebre de Hélio Oiticica, na origem do movimento tropicalista nas artes, é exposta na mostra Nova Objetividade Brasileira, realizada no museu em abril de 1967. O incêndio ocorrido em 1978, quando de uma retrospectiva histórica do uruguaio Torres-Garcia (1874 - 1949), marca um momento trágico na história do museu, que tem parte do seu acervo e instalação destruídos. Em 1992, reorganiza-se o acervo com a transferência, para o museu, em regime de comodato, de parte da coleção de obras brasileiras de Gilberto Chateaubriand.

Outras informações da instituição Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro:

  • Outros nomes
    • Coleção Gilberto Chateaubriand - MAM RJ
    • Coleção Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
    • MAM/RJ
  • Atuação
    • Museu de Arte

Obras de Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro: (374) obras disponíveis:

Título da obra: Oleiros

Artigo da seção obras
Temas da obra: Artes visuais  
Data de criaçãoOleiros : s.d.
Autores da obra:
Imagem representativa da obra
Legenda da imagem representativa:

Reprodução Fotográfica Fábio Ghivelder/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Todas as obras de Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro:

Espetáculos (10)

Exposições (475)

Todas as exposições

Eventos relacionados (3)

Fontes de pesquisa (4)

  • ALMEIDA, Paulo Mendes de. De Anita ao museu. São Paulo: Perspectiva : Diâmetros Empreendimentos, 1976. (Debates, 133).
  • CAVALCANTI, Lauro (org. ). Quando o Brasil era Moderno: artes plásticas no Rio de Janeiro 1905-1960. Curadoria Lauro Cavalcanti; assistência de curadoria Lucia de Meira Lima. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001.
  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno. 1997. 327p. Tese (Livre-docência) - Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP. São Paulo, 1997.
  • MORAIS, Frederico. Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: da Missão Artística Francesa à Geração 90 : 1816-1994. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MUSEU de Arte Moderna do Rio de Janeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao16579/museu-de-arte-moderna-rio-de-janeiro-rj>. Acesso em: 17 de Out. 2018. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7