Artigo da seção instituições Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)

Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP)

Artigo da seção instituições
Artes visuais  
Data de aberturaMuseu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP): 1948 Local de abertura: (Brasil / São Paulo / São Paulo)
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Estádio do Pacaembu , 2002 , Ricardo Hantzschel
Reprodução fotográfica do artista

Histórico
A história do Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP se divide em duas fases. A primeira, da fundação, em 1948, à doação de seu acervo original à Universidade de São Paulo - USP, em 1963; a segunda, de 1963 aos dias de hoje, em que o MAM/SP se afirma como uma das instituições culturais mais ativas da cidade, com uma coleção representativa da arte brasileira moderna e, principalmente, contemporânea (no ano 2000 o museu conta com 3.300 obras).

Criado por iniciativa do industrial Francisco Matarazzo Sobrinho - conhecido por Ciccillo Matarazzo, presidente do museu até 1963, o MAM/SP responde ao desejo de diversos intelectuais e artistas que defendem a formação de um museu de arte moderna em São Paulo desde o início da década de 1940. Museu privado sem fins lucrativos, funciona provisoriamente nas dependências da Metalúrgica Matarazzo até a inauguração oficial de sua sede no 3º andar do prédio dos Diários Associados, na rua 7 de Abril, com a exposição internacional Do Figurativismo ao Abstracionismo. Com curadoria do crítico belga Léon Degand, diretor técnico do museu até meados de 1949, a mostra apresenta ao público brasileiro o desenvolvimento mais recente da arte, reunindo um conjunto de 95 obras de artistas, como Hans Arp, Alexander Calder, Robert Delaunay, Cicero Dias, Flexor, Hans Hartung, Wassily Kandinsky, Fernand Léger, Alberto Magnelli, Joan Miró, Francis Picabia, Pierre Soulages, Victor Vasarely, entre outros.

Tanto os preparativos quanto seu catálogo e as atividades paralelas organizadas em torno da mostra indicam os objetivos do museu: ser um espaço de divulgação das novas tendências, difundindo artistas contemporâneos nacionais e internacionais por meio de exposições, publicações e cursos. Nesse sentido, o projeto, inspirado em parte no Museum of Modern Art - MoMA em Nova York, prevê a instituição de um "museu vivo", cuja atuação didática é o eixo principal. Sua sede, na rua 7 de Abril, cujo projeto arquitetônico de Vilanova Artigas, é dotada de salas de exposição, bar, biblioteca e local para projeção de filmes. A exemplo do museu americano, o MAM/SP mantém uma filmoteca própria (célula mater da Cinemateca Brasileira), uma escola de artesanato e cursos de história da arte.

Em seus primeiros anos, o museu se dedica à organização de importantes mostras retrospectivas de artistas brasileiros e estrangeiros, acompanhadas de catálogos de arte de padrão inédito no país. Seu acervo, constituído basicamente pela coleção pessoal de Matarazzo e de sua mulher, Yolanda Penteado, e por doações, como a do magnata norte-americano Nelson A. Rockefeller, é pequeno, mas composto de obras-primas da arte moderna: trabalhos de Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Giorgio Morandi, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Alfredo Volpi, entre outros. Nota-se, no entanto, que no começo não há uma política de aquisição de obras de arte nem de valorização do acervo.

Desde o início, a instituição passa por intermitentes crises provocadas por desavenças entre seu fundador e os rumos desejados pelos diretores e conselheiros artísticos. A situação se agrava nos anos 1950 com a criação, a partir de 1951, da Bienal do Museu de Arte Moderna, futura Bienal Internacional de São Paulo. Paulatinamente, o museu passa a funcionar à sombra da Bienal e tem papel restrito à sua organização. A constante instabilidade financeira do museu, a concentração de energia e dinheiro de seu presidente na realização das Bienais e os problemas entre ele e seu colaboradores fizeram com que Matarazzo decretasse, em janeiro de 1963, a extinção do museu, transferindo seu patrimônio para a USP1.  Encerra-se a primeira fase do MAM/SP.

Sem sede e sem acervo, inicia-se a luta de alguns sócios capitaneados por Arnaldo Pedroso D'Horta, pela sobrevivência do MAM/SP. Mas é somente em 1967, sem esperança alguma de reaver sua antiga coleção, que o museu passa a se estruturar novamente. Com a doação de obras de artistas modernos brasileiros, pela família de Carlo Tamagni, cria-se o núcleo do novo museu. Em 1969, o MAM/SP inaugura, com a mostra Panorama de Arte Atual Brasileira, sua sede no antigo pavilhão Bahia na marquise do parque do Ibirapuera, local que ocupa até hoje. O Panorama, ainda existente, é idealizado por Diná Lopes Coelho (diretora da instituição até 1982) como uma forma de adquirir obras para o acervo por meio de premiações e doações de artistas. Ao logo dos anos, o acervo é enriquecido com a doação de importantes coleções, como a do jornal O Estado de S. Paulo, a Coleção Paulo Figueiredo, a Coleção Kodak do Brasil, a Coleção Clube de Colecionadores da Gravura do MAM, entre outras.

Reestruturada, a instituição passa a organizar retrospectivas de artistas brasileiros e mostras internacionais, e retoma suas atividades didáticas, reconquistando lugar de destaque na vida cultural nacional. Nos anos 1990, sob a presidência da empresária Milú Villela, o MAM/SP desenvolve uma política mais constante de aquisição de obras e valorização de seu acervo. Um dos pontos culminantes dessa política se dá com a publicação, em 2002, do Catálogo Geral do Acervo do MAM/SP.

Notas
1 A doação desse acervo deu origem ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP

Outras informações da instituição Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP):

  • Outros nomes
    • MAM
    • MAMSP
  • Atuação
    • Museu de Arte

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Exposições (388)

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Eventos relacionados (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus acolhem moderno. São Paulo: Edusp, 1999. 293 p., il. p&b. (Acadêmica, 26). 
  • AMARAL, Aracy (org.). Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo: perfil de um acervo. Prefácio Ana Mae Barbosa; comentário Aracy Amaral, Sônia Salzstein. São Paulo: Techint Engenharia, 1988. 391 p., il.color.
  • BARROS, Regina Teixeira de. Revisão de uma história: a criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo. 1946-1949. 223p. 2002. Dissertação (Mestrado) - Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP. São Paulo, 2002.
  • CHIARELLI, Tadeu (org.). MAM inventário: catálogo geral do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Apresentação Milú Villela. São Paulo: Lemos, 2002. 338 p., il. p&b.
  • MAM: Museu de Arte Moderna de São Paulo. Apresentação Milú Villela, Eduardo A. Levy Junior e Cacilda Teixeira da Costa. São Paulo: DBA, 1995. [163] p., il. color.
  • O MUSEU de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: Banco Safra, 1998. 351 p., il. color.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • MUSEU de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao16564/museu-de-arte-moderna-de-sao-paulo-mamsp>. Acesso em: 13 de Dez. 2017. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7