Artigo da seção grupos Pato Fu

Pato Fu

Artigo da seção grupos
Música  
Data de criação da obra Pato Fu: 1992 Local de crição: (Brasil / Minas Gerais / Belo Horizonte)

Histórico

Pato Fu é uma banda formada em 1992, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Surge do encontro de Fernanda Takai (1971, vocal), Ricardo Koctus (1969, baixo e vocal) e John Ulhôa (1966, guitarra, violão, teclado e vocal), integrante da banda Sexo Explícito (1982-1992). No fim daquele ano gravam a primeira fita demo e começam a se apresentar na capital mineira. Em 1993, participam do show Rock Brasil ao lado de bandas como Skank, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho e Titãs.

Inicialmente o grupo é comparado aos Mutantes devido a algumas semelhanças vocais de Rita Lee e Fernanda Takai, à irreverência e à fusão de rock com ideias musicais experimentais. Outras influências assumidas pelo grupo são: Os Mulheres Negras, Tangos e Tragédias, Premeditando o Breque, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Blitz e o grupo vocal nova-iorquino Mamas & the Papas.

Em maio de 1993, o Pato Fu grava o seu primeiro álbum, Rotomusic de Liquidificapum, no estúdio de Haroldo Ferreti (baterista do Skank). Por ser um disco lançado pelo selo Cogumelo Records, mais voltado para o público heavy metal e que lança o Sepultura, são selecionadas as canções mais pesadas do repertório. Sua originalidade nas composições e arranjos (inclusive com bateria de programação eletrônica) atrai a gravadora BMG, que em 1995 lança pelo seu selo Plug o disco Gol de Quem? contendo algumas canções e baladas mais lentas não contemplados no disco anterior. Este disco tem boa repercussão e é considerado, em 2010, como um dos 300 Discos Mais Importantes da Música Brasileira, em livro de Charles Gavin. Músicas como Sobre o Tempo e a versão da canção Qualquer Bobagem, parceria dos Mutantes com Tom Zé, garantem o prêmio de revelação no 1º Video Music Awards da MTV Brasil. A banda participa do disco-tributo aos Mutantes, Triângulo sem Bermudas, lançado pela gravadora Natasha, interpretando Vida de Cachorro.

Em 1996, grava o álbum Tem Mas Acabou, produzido por André Abujamra, marcando a entrada do baterista e percussionista Xande Tamietti (1972). Realiza uma turnê pelos Estados Unidos e participa do Hollywood Rock, no estádio do Pacaembu (São Paulo) e na Praça da Apoteose (Rio de Janeiro). Participa do disco Universo Umbigo, do grupo Karnak, do compositor e produtor André Abujamra, na faixa Rapaz Eu Vi.

O álbum Televisão de Cachorro (1998), produzido por Dudu Marote, estabelece uma ascensão do grupo no cenário nacional do pop rock. Este disco, contendo as faixas Antes Que Seja Tarde (Ulhôa, Takai e Tarcísio Moura), Um Dia, um Ladrão (Ulhôa), A Necrofilia da Arte (Gilberto Gil e Rubinho Troll) e a versão da canção Eu Sei, do compositor Renato Russo, atinge a marca de 100.000 cópias vendidas. A música Canção Para Você Viver Mais (Ulhôa) também faz sucesso, sendo uma homenagem ao falecido pai da vocalista Fernanda Takai.

No ano seguinte, o grupo grava o álbum Isopor (1999), considerado um dos 10 melhores discos de rock nacional da história por Charles Gavin, baterista do grupo Titãs e pesquisador de música. A música que abre o disco, Made in Japan, é cantada em japonês por Takai e faz sucesso no Japão. Na turnê do disco, todos os integrantes se vestem de branco e o cenário do show consistem em colunas gigantes de ar com bolinhas de isopor flutuando, reafirmando o aspecto lúdico do grupo.

Ruído Rosa, o sexto disco da banda, é lançado em 2001. A versão da canção Eu, do grupo gaúcho Graforréia Xilarmônica (1987) faz sucesso nas rádios e seu videoclipe recebe o prêmio VMB (MTV Video Music Brasil) daquele ano. A regravação de Ando Meio Desligado, dos Mutantes, é tema da novela da Rede Globo Um Anjo Caiu do Céu. Já a faixa Tribunal de Causas Realmente Pequenas é utilizada na trilha da série infantil Ilha Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, na qual Takai empresta sua voz à personagem Tim em todos os episódios. No mesmo ano, a banda se apresenta para cerca de 250 mil pessoas no Rock in Rio III. A revista americana Time Magazine cita o grupo em sua lista dos dez melhores do mundo.

No ano seguinte é lançado o CD e o DVD MTV ao Vivo, show realizado no Museu de Arte da Pampulha em comemoração aos dez anos da banda. Neste show, o Pato Fu conta com o tecladista e pianista Lulu Camargo como músico convidado. O ex-integrante da Karnak se torna membro efetivo. Também participa da música Coração Tranquilo, do álbum Houve Uma Vez Dois Verões, do compositor Walter Franco.

Em 2003, é premiada pelo clipe Não Mais no Video Music Brasil MTV. No mesmo ano, participa do CD Assim, Assado - Tributo a Secos & Molhados, no qual interpreta a faixa Rondó do Capitão (João Ricardo e Manuel Bandeira). No ano seguinte, participa da trilha sonora do seriado A Terra dos Meninos Pelados, especial da Rede Globo sobre a obra infantil de Graciliano Ramos.

Toda Cura Para Todo Mal (2005), álbum produzido por Ulhôa, é lançado inaugurando o selo independente criado pela banda: o Rotomusic. O videoclipe da música Anormal vence no VMB na categoria de melhor direção de arte. O disco inicialmente é lançado em formato digital, e só depois em CD. Fernanda Takai e John Ulhoa são convidados a regravar a música Eu Sei no CD/DVD Renato Russo - Uma Celebração. Em 2007, gravam o álbum Daqui pro Futuro que, antes mesmo de ser lançado nas lojas, é vendido via internet. Este disco também tem John Ulhôa como produtor rende à banda o título de Melhor de 2007 pela revista Quem.

Em 2008, o Pato Fu anuncia a saída do tecladista Lulu Camargo e entrada do tecladista Dudu Tsuda (ex-integrante do grupo Trash pour 4), que também se apresenta com a vocalista Fernanda Takai na sua turnê solo, dedicada à Nara Leão, chamada de Onde Brilhem os Olhos Seus. Em 2009, Lulu Camargo retorna à banda e Dudu Tsuda se dedica a vários projetos pessoais, dentre eles o grupo Jumbo Elektro.

Em 2010, lança seu álbum mais ousado: Música de Brinquedo. Gravado usando somente instrumentos de brinquedo e miniaturas, ele é composto de 12 regravações de músicas reconhecidas (nacionais e internacionais) e de vocais infantis, nos quais Nina, a filha do casal Takai e Ulhôa, faz parte. O disco recebe boa aceitação do público: com vendagem superior a 40 mil cópias, conquista o Disco de Ouro. O pato Fu é a primeira banda independente a ganhar esse prêmio. O álbum tem uma sonoridade diferente dos anteriores e é o primeiro de covers do grupo, sendo gravado com instrumentos de brinquedo, tais como cornetas de plástico, xilofones, cavaquinhos, flautas doces, kazoos e o glockenspiel.

No ano seguinte, é lançada a versão captada no show do Auditório do Ibirapuera, em CD e DVD, com o nome Música de Brinquedo ao Vivo, que conta com a participação do grupo teatral Giramundo e dos músicos Mariá Portugal (baterista ex-integrante de Dona Zica e Trash pour 4) e Thiago Braga. Esse trabalho ganha diversos prêmios, inclusive o Grammy Latino como melhor álbum infantil.

Em todos os trabalhos do Pato Fu se destacam arranjos criativos inseridos em um universo pop, tanto nas músicas autorais como na diversas releituras de canções famosas, entre elas: Ob-la-di-ob-lá-da (1993), de Paul McCartney e John Lennon; A Volta do Boêmio (1995), de Adelino Moreira; Ring my Bell (1996), de Frederic Knight; Por que Te Vas (1996), de José Luiz Perales; e Cities in Dust (1998), do grupo Siouxsie and the Banshees.

A banda, que sempre esteve a frente das decisões estéticas do seu trabalho, não tem seguidores, e o que marca sua musicalidade são a constante inovação, as letras complexas e críticas, a irreverência e a inspiração em grupos e artistas das décadas de 1970 e 1980. É colocada ao lado das bandas formadas em 1990, como as mineiras Jota Quest e Skank, porém não há semelhanças estéticas entre elas, apenas temporal.

Fernanda Takai também é cronista, e lançou dois livros: Nunca Subestime uma Mulherzinha (2007) e A Mulher que Não Queria Acreditar (2011). As referências literárias estão presentes em algumas músicas, como A Hora da Estrela (2007), alusão ao livro de Clarice Lispector.

Outras informações do grupo Pato Fu:

Exposições (1)

Fontes de pesquisa (6)

  • BUTLER, Rhet. Best bands: and our winner are... In: Time Magazine, 15 set. 2001. Disponível em: < http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,1000784,00.html >. Acesso em maio 2012.
  • GAVIN, Charles; CALADO, Carlos; SOUZA, Tarik de; DAPIEVE, Arthur. 300 discos mais importantes da música brasileira. São Paulo: Cabeça Dinossauro, 2008.
  • MATTA, Ana Clara. Entrevista: Pato Fu e o fim das fronteiras musicais. Disponível em < http://www.rocknbeats.com.br/2011/05/16/entrevista-pato-fu-e-o-fim-das-fronteiras-musicais/ >.  Acesso em abr. 2012.
  • MONTEIRO, João Paulo. Pato Fu: com quase 20 anos de carreira, banda ainda é inovadora. Disponível em: < http://www.livrevista.com/article.php?id=1444 >.  Acesso em mar. 2012.
  • PALUMBO, Patricia. Vozes do Brasil. São Paulo, DBA, 2002.
  • SITE oficial Pato Fu.  Disponível em: < http://www.patofu.com.br/ >. Acesso em mar. 2012.

Como citar?

Para citar a Enciclopédia Itaú Cultural como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:

  • PATO Fu. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/grupo636000/pato-fu>. Acesso em: 24 de Abr. 2019. Verbete da Enciclopédia.
    ISBN: 978-85-7979-060-7